Zé Roberto, perto da aposentaria, mas ainda com uma forma invejável.

Ainda ontem ouvi de um repórter de rádio que Zé Roberto deve voltar ao Santos. Ele deu esta notícia porque conversou com Luis Álvaro e o presidente santista lhe assegurou que o clube tentará trazer o craque que está saindo do Hamburgo e jogou na Vila com muito sucesso em 2007. Pois eu, que detesto ser sensacionalista e procuro checar as informações, digo que ainda é muito difícil que o jogador atue no Alvinegro Praiano em 2011.

Não que eu não queira. Seria maravilhoso ver um meio-campo com Arouca, Zé Roberto, Elano e Paulo Henrique Ganso. Mas o alto salário de Zé Roberto, que ainda tem mercado no futebol internacional; a impossibilidade de se conseguir parceiros para pagá-lo, além da resistência de sua mulher, que queria criar os três filhos do casal na Alemanha, tornam muito difícil sua contratação.

R$ 770 mil mensais é um salário proibitivo para ele no Brasil

Pelo contrato com o Hamburgo, que se encerra no final de junho, o volante, meia ou lateral-esquerdo José Roberto da Silva Júnior, o Zé Roberto, nascido em São Paulo em 6 de Julho de 1974, com 1,76m e 67 quilos, ganha quatro milhões de euros por ano, o que equivale a R$ 770 mil por mês.

Mesmo na Alemanha, onde jogou por 12 anos e é respeitado por sua técnica e regularidade, além da extrema habilidade com o pé esquerdo, Zé Roberto não tem mais mercado nos grandes clubes.

Prestes a completar 37 anos, ele pretende jogar até os 40 e queria renovar com o Hamburgo por mais dois anos, mas o clube só lhe ofereceu contrato para mais uma temporada. Quando o repórter do jornal Bild, de Hamburgo, quis saber porque ele fazia questão de renovar por mais dois anos, Zé Roberto respondeu:

“Porque eu quis oferecer estabilidade à minha família. Meus três filhos nasceram na Alemanha. Dois dos três vão para a escola aqui. Minha esposa se sente muito confortável. Agora estamos nos movendo. Todos estão tristes. Este é um momento difícil, mas a vida continua. Agora eu olho para um novo clube, em que eu possa assinar por dois anos”.

Para continuar mantendo o seu altíssimo padrão de vida, Zé Roberto estuda uma proposta do Qatar, mas prefere voltar ao Brasil, mesmo que tenha de ganahr menos. O problema é que, mesmo que aceite receber metade do salário atual, ainda assim estará muito acima dos padrões do mercado brasileiro.

Falta-lhe carisma e juventude para atrair parceiros-patrocinadores

Nenhum clube brasileiro pode pagar R$ 385 mil mensais (50% do que Zé Roberto ganha hoje) a um jogador de 37 anos, a não ser que seja um astro e atraia parceiros interessados em bancar seu salário.

Perceba que Ronaldo e Robinho foram experiências bem-sucedidas de repatriação de craques – pelo prestígio que ainda gozavam e por ainda serem decisivos em campo –, mas o mesmo já não se pode dizer de Ronaldinho Gaúcho, que já é contestado e está com os rendimentos bastante atrasados no Flamengo, e de Luís Fabiano, que até agora não jogou e tem sido esquecido pela mídia.

Não o tenho visto jogar, mas acredito que Zé Roberto, um profissional que se cuida, de hábitos caseiros, não tenha problemas de se manter bem até os 40 anos. Mas na hora de se conseguir parceiros-patrocinadores, o que mais importa, mais até do que o rendimento do jogador, é o seu carisma, sua capacidade de atrair mídia positiva, de dar retorno de imagem.

Renovação expulsa veteranos da Europa

Zé Roberto adora a Alemanha. Lá jogou quatro anos no Bayer Leverkusen, seis no Bayern de Munique e os últimos dois no Hamburgo. Nesse ínterim, só saiu em 2007, para atuar pelo Santos – ano em que foi campeão paulista, semifinalista da Libertadores e vice-campeão brasileiro, chegando a ser considerado o melhor jogador em atividade no país naquela temporada.

“Tenho uma longa história na Alemanha. Aqui aprendi a disciplina, acima de tudo. Eu gosto da ordem, dessa organização incrível. No futebol, tenho grandes recordações incríveis, como o 1 a 0 contra o Bayern nessa temporada, e a loucura dos hambúrgueres (torcedores do Hamburgo)”, diz ele.

O número oito do Hamburgo foi contratado para ajudar o clube a se classificar para a Liga dos Campeões. Como não foi possível, o técnico Michael Oenning pretende reconstruir a equipe utilizando jogadores jovens. Esta tendência de renovar os elencos – influenciada pelas revelações da última Copa do Mundo – se alastra pelos grandes clubes europeus e tem forçado a saída dos veteranos brasileiros.

Se retornar ao Brasil, o Santos tem a preferência

Realista, Zé Roberto sente que a hora de voltar para casa chegou. Não é o que gostaria, mas é o mais viável. Poderia ganhar muito mais em países árabes, mas a educação dos filhos e a felicidade da família são mais importantes para ele do que o dinheiro. Por isso é que o Santos tem chances.

Quando optou pelo Alvinegro Praiano, em 2007, Zé Roberto foi tirado de uma reunião com a diretoria do São Paulo pelo então superintendente do Santos em São Paulo, José Carlos Peres. E Peres o levou para conhecer o novo CT do Santos e a estrutura que estaria à sua disposição. O São Paulo oferecia mais dinheiro, mas, mesmo assim, Zé Roberto preferiu o Alvinegro.

Hoje, ele admite a possibilidade de voltar: “É bem possível que eu vá jogar no Brasil. Então, eu estaria, finalmente, ao lado de toda a minha família. Mas nada foi decidido. Estou analisando isso agora”.

Após a marca impressionante de 335 jogos pela Bundesliga, o rico campeonato da primeira divisão da Alemanha, o respeitado número oito do Hamburgo está de saída. O Santos tem a preferência. Mas o Alvinegro Praiano terá condições de fazer o negócio sem aumentar perigosamente suas dívidas, ou comprometer verbas futuras, como fez ao utilizar recursos do Campeonato Paulista até 2015 para trazer Robinho? Bem, aguardemos os próximos capítulos…

Reveja alguns lances de Zé Roberto na Alemanha:

http://youtu.be/bylSYyx8-8k

O que você acha da vinda de Zé Roberto ao Santos? O esforço valerá a pena?