Tenho recebido mensagens de santistas temerosos de que haja algum esquema para favorecer o Corinthians na decisão. Citam as acusações de Luiz Felipe Scolari para comprovar que há um plano para ajudar o alvinegro da capital. Ora, qual é a evidência de que há alguma tramoia? Parem, analisem e pensem antes de acreditar em fantasmas.

O que aconteceu na arbitragem de Paulo César de Oliveira que faz com que as pessoas acreditem que ele entrou em campo com a intenção de prejudicar o Palmeiras? Danilo deu um carrinho frontal em Liédson, solando com os dois pés, em um lance violento e desproporcional. Mereceu ser expulso. Felipão fez gestos dizendo que seu time estava sendo roubado. O árbitro viu. Tinha de ser expulso.

O Palmeiras continuou jogando bem e fez um gol legal. Depois, sofreu o empate, também legal. Não houve mais lances duvidosos e o jogo foi decidido nos pênaltis, que transcorreu sem confusões. Perdeu, pronto. Que cumprimente o adversário e saia de fininho, como um bom perdedor.

A polêmica criada antes do jogo por Felipão por causa do Pacaembu e da escolha de Paulo César de Oliveira foi totalmente descabida e só contribuiu para deixar seu time e seus torcedores mais nervosos e inseguros. Que bobagem é essa de que o Pacaembu é corintiano e de que o árbitro já foi escolhido para prejudicar o Palmeiras?

Boa parte dos títulos palmeirenses foi conquistada neste mesmo Pacaembu, contra este mesmo Corinthians, a quem o alviverde venceu a maior parte das vezes. Para começar, a arquitetura do estádio municipal tem influência fascista, belo. Só mesmo quem não conhece a história do futebol paulista pode chamar o Pacaembu de corintiano.

Eu diria que o Pacaembu é tão santista quanto corintiano, pois em mais de 80% das vezes que manda seus jogos lá, o Santos vence, e bem. Ali Neymar fez o seu primeiro gol, ali os Meninos da Vila foram campeões paulistas no ano passado, ali o Alvinegro Praiano ganhou mais títulos do que na Vila Belmiro.

E se você tem 95% da torcida no estádio, se só se ouve os gritos de incentivo de seu torcedor, por que o receio do campo? Há alguma entidade sobrenatural que protege o Corinthians no Pacaembu? Ora…

Ouçam e aprendam com o vencedor Muricy

O técnico Muricy Ramalho é um exemplo de que bate-bocas e insinuações não levam a títulos. E que o chamado fator campo não é tão decisivo como querem alguns. Suas vitórias mais importantes e convincentes dirigindo o Santos foram em Assunção, contra o Cerro Porteño, e sábado, no Morumbi, contra o São Paulo. Em ambas o Santos tinha, no máximo, 5% dos torcedores presentes.

Percebam que o comportamento de Neymar e do time está mais tranqüilo, confiante. Por que? Porque Muricy ensina que é bobagem se preocupar com o árbitro, e muito menos revidar a violência dos adversários. O campo e a bola são iguais para todos.

“Futebol não é briga”, diz ele. “Ganha quem joga melhor”. E em cima dessa filosofia simples, porém eficiente, o Santos mudou a atitude e está colhendo os frutos dessa mudança.

Por isso é que acho que o santista não deve perder tempo em tentar descobrir prováveis esquemas para ajudar o seu adversário nesta final. Até porque o Campeonato Paulista tem sido a competição em que o Santos é menos prejudicado por fatores extra-campo.

Se o Santos jogar bem, criará as jogadas, terá oportunidades e fará os gols. O único fator que pode impedir isso, além da capacidade do adversário, é o nervosismo, que ao descambar para a indisciplina, põe tudo a perder, como aconteceu com o Palmeiras neste domingo. Mantendo a calma, dificilmente um time superior deixa de vencer.

Você discorda de mim? Acha que o Felipão está certo ao dizer que há um esquema para favorecer o Corinthians? Ou ele agiu apenas como um mau perdedor?