Neymar e Elano – as estrelas do Santos – no treino de reconhecimento, ontem à noite, no Estádio Palogrande, em Manizales (Fotos de Fábio Maradei/ Santos FC)

Demorei um pouco para fazer a análise do jogo importantíssimo de hoje porque antes gostaria de ter certeza da estratégia do técnico Juan Carlos Osório, do Once Caldas. Pelo que ele tem dito nas entrevistas, fará o que Muricy Ramalho espera, ou seja, tentará acelerar o jogo para cansar rapidamente os santistas.

“A altitude não será importante se nós não pusermos um bom ritmo de jogo. Temos um plano e vamos executá-lo. E tanto a altitude, como o calor dos torcedores serão essenciais”, disse Osório aos jornalistas.

Esta frase curta de Osório já nos dá muitas pistas. Vejamos. Ele sabe que de os efeitos negativos da altitude de 2.150 metros de Manizales só costumam se manifestar em atletas obrigados a um esforço maior. Assim, é evidente que se o jogo for cadenciado, será melhor para os cansados e pouco adaptados jogadores santistas.

Espere um Once Caldas correndo alucinadamente

Como, modestamente, admite que seu time não é favorito, e menos técnico do que adversário, o técnico do Onde Caldas tentará fazer com que a partida seja bastante corrida. É sabido que mais do que um esforço contínuo, são os piques, os sprints que dificultam a respiração de um atleta em lugares altos.

É um questão da diferença entre o exercício aeróbico, em que o corpo está em equilíbrio entre débito e consumo de oxigênio, e anaeróbico, em que o corpo gasta mais oxigênio do que consome, o que obriga a um período de recuperação.

Este período de recuperação é que é prejudicado nas alturas. “A gente puxa o ar ele e não vem”, dizem atletas que passaram por esta angustiante experiência.

Tudo indica que o Once Caldas especulará com a possibilidade de atacar como um alucinado desde o início. E prosseguirá com esta estratégia até que se sinta imponente diante do sistema defensivo do Santos e inseguro frente aos seus contra-ataques.

Porém, como sabe Osório e como tem afirmado também Luis Fernando Montoya, técnico que venceu o Santos na Libertadores de 2004, a chance do time colombiano é vencer hoje, pois conseguir outro milagre no Brasil é contar demais com a sorte.

Por isso, mesmo jogando em casa, contra um time desfalcado de Ganso e Arouca, a pressão estará sobre o Once Caldas, que terá de vencer jogando em Manizales – o que não conseguiu até agora nesta Libertadores – para continuar sonhando com seu segundo título sul-americano.

Armas do Santos: Neymar, triangulações e chutes de longe

É claro que o Santos não poderá entrar na correria do adversário, a não ser em oportunidades de atacar com muito espaço pela frente. Terá de, como um bom e matreiro time argentino, tocar a bola, sem pressa, à espera de oportunidades para chegar ao gol.

Além das avançadas de Neymar, a chamada “bola de segurança” do ataque do Santos, o Alvinegro Praiano tem a possibilidade de criar oportunidades pelos flancos, com Neymar, Alan Patrick e Léo pela esquerda; e Zé Eduardo, Jonathan e Elano pela direita (se bem que só a jogada pela esquerda tem dado certo).

Outra boa opção são os chutes de longa distância, já que na altitude a bola anda mais e chega com mais velocidade ao gol. Elano e Danilo têm acertado bons arremates, mas Jonathan, mesmo sem tanto ângulo, também bate bem. Que Zé Eduardo fique atento nos rebotes…

Será difícil sair jogando da defesa para o ataque

É claro que o Once Caldas não permitirá que o Santos saia trocando passes, tranquilamente, de sua defesa para o ataque. Isso reduziria o desgaste físico dos santistas e aumentaria a porcentagem de acerto nos passes e lançamentos.

Prepare-se para ver uma marcação por pressão do time colombiano, o que obrigará a defesa brasileira a dar chutões para a frente, o que costuma devolver rapidamente a bola ao adversário.

A possibilidade de armar ataques a partir de lançamentos da defesa deve ter sido avaliada com carinho por Muricy, pois em algumas situações do jogo é só isso que restará ao Santos como opção ofensiva.

O que meu feeling diz

Há jogos com os quais me preocupo muito. Não é o caso. Acredito que mesmo sem Arouca e Ganso, o Santos poderá fazer um jogo equilibrado contra o Once Caldas e, com uma ou outra jogada bem feita, sair com a vitória de Manizales.

Acho que se o adversário se preocupar muito com Neymar, Elano e Zé Eduardo, o substituto Alan Patrick terá espaço para penetrar pela esquerda, como fez contra o Corinthians, e dali tabelar com Neymar e criar boas jogadas de gol. Não me surpreenderia se fizesse o seu.

No pior dos quadros, os jogadores do Santos se desintegrariam pelo cansaço e pela altitude e sofreriam uma goleada tipo Coritiba no Palestra. Mas é bastante improvável que isso aconteça com o Santos, pois, pelo que conhecemos de Muricy Ramalho, ele não permitirá que se abram buracos na defesa, mesmo que o time esteja perdendo.

A lógica? Para mim é o empate. Outro 0 a 0, 1 a 1, enfim, um resultado que deixará a decisão para o mar branco do Pacaembu, na próxima quarta-feira.

E para você, o que acontecerá logo mais entre Santos e Once Caldas?