Esta distensão no músculo adutor da coxa direita, que deixará Paulo Henrique Ganso afastado do futebol por, no mínimo, um mês, diminuirá o interesse dos clubes europeus por seu futebol e tornará menos provável que ele saia do Santos este ano, já que o negócio não seria bom para nenhuma das partes – o Santos, os agentes do jogador, o clube comprador e o próprio Ganso.

Considerando-se que a multa cobrada aos clubes europeus para a contratação de Ganso é de 50 milhões de euros, e que a única proposta concreta que os representantes da DIS tiveram por ele, do Milan, foi de sete milhões, ou seja, 14% do valor pretendido pelo Santos, tornou-se evidente que as únicas possibilidades de Ganso deixar o Alvinegro Praiano nesta janela de transferências seriam:

1 – Jogar de maneira extraordinária até o último dia da janela de transferências, 31 de agosto. Para isso, poderia se destacar nas finais do Campeonato Paulista, na Copa Libertadores e nos jogos pela Seleção Brasileira em 4 de junho, contra a Holanda, em Goiânia, e em 8 de junho, contra a Romênia, no Pacaembu.

Porém, ficará fora da decisão do Paulista e dos jogos da Seleção e, talvez, só consiga voltar a tempo de jogar a final da Libertadores. Isso, obviamente, desvalorizará o seu passe.

2 – Esperar que os clubes europeus interessados nele resolvam pagar os 50 milhões de euros da multa, apostando mais no que poderia fazer, do que tem feito.

Mas, além de não estarem dispostos a pagar tanto por um jogador em atividade na América do Sul, clubes europeus não costumam investir em jogadores machucados. Tanto que fazem uma rigorosa bateria de exames antes de contratar alguém.

No caso do Ganso, a situação é ainda mais preocupante, pois estava jogando há apenas dois meses e meio, depois de ficar sete meses afastado do time por uma cirurgia delicada no joelho. Ou seja, até agosto, só terá jogado, no máximo, quatro meses em um ano, o que aumenta o grau de insegurança de qualquer grande investimento nele.

3 – Reduzir a sua multa para 30 milhões de euros e esperar que os europeus aproveitem a promoção. Afinal, até antes da contusão de ontem esse valor não parecia tão improvável.

Porém, se com apenas 21 anos (fará 22 em 12 de outubro) Ganso já apresenta um quadro clínico tão problemático, que garantia um clube europeu terá de que ele não se transformará em um “chinelinho de ouro?” E se suas contusões tornarem-se crônicas, oriundas da infância pobre no Pará, por exemplo? E se ao se consertar uma coisa aqui, arrebente outra ali?

4 – Esperar que um clube brasileiro, como o Corinthians, esteja disposto a pagar a multa menor a que tem direito os clubes do País.

Essa jogada provocaria enorme turbulência, pois muita gente teria de descumprir sua palavra, entre elas o próprio Ganso e o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. E Sanchez, nesse momento, não quer briga com ninguém, pois precisará do apoio político de Luis Álvaro Ribeiro em seu intento de chegar à presidência da CBF.

Além disso, para um clube que já paga um alto salário para o polêmico Adriano Imperador, que rompeu o tendão de Aquiles e só voltará a treinar daqui a cinco meses, contratar mais um que vive mais na enfermaria do que no campo, e cujos agentes querem usar o alvinegro paulistano apenas como uma ponte para ir à Europa, não seria bem recebido por sua torcida.

Conclusão: Esse novo problema clínico do Ganso me lembra a história daquele marido que estava prestes a dar um bico na esposa e nos filhos e ir morar com uma garota mais jovem e interesseira. De repente, o cara tem um infarto e percebe que só mesmo a mulher e a família têm saco de cuidar dele. E acaba ficando, mais bonzinho do que nunca.

Por isso, se o raciocínio lógico prevalecer, afirmo que Ganso ficará no Santos ao menos até a janela de transferências seguinte, quando terá convencido a todos de que não é um “bichado” e de que pode jogar bem – no Santos e na Seleção Brasileira – por vários jogos seguidos.

E você, acha que a contusão afastou ou aproximou Ganso do Santos?