Time que tem Neymar, tem tudo, ou sem o Ganso – que ontem não estava jogando bem quando se machucou – não dá para ser campeão do Paulista e da Libertadores? (Foto: Comunicação Santos FC)

Já tem gente precipitada dizendo que Paulo Henrique Ganso não poderá atuar mais na Copa Libertadores, pois sua lesão muscular requer de 30 a 40 dias de recuperação. Mesmo que isso seja verdade, e que o jogador fique, digamos, 35 dias afastado, poderá jogar nas finais da competição sul-americana, pois voltaria ao time por volta do dia 12 e as finais da Libertadores estão programadas para 15 e 22 de junho.

O cansaço não é desculpa. É realidade. Comparação entre futebol e tênis

O cansaço alegado pelo técnico Muricy Ramalho, Neymar, Elano, e outros jogadores do Santos, não é uma mera desculpa para o futebol sem criatividade que o Santos vem jogando. É um problema real, mesmo.

Segundo estudos de J. Bangsbo de 1996, um jogador de futebol de campo percorre, em média, 10,8 km por jogo, oscilando entre 9 e 14 km. Estudos de Shepard (1999), revelam que um jogador profissional percorre, em uma partida, cerca de 25% do percurso andando, 37% em corrida normal, 20% intensidade sub-maximal, 11% usando o sprint e 7% andando ou correndo de costas, principalmente quando não está de posse da bola.

Comparemos esses dados com o tênis, em que um jogador percorre, em média, 3 km por partida. Se ele disputar cinco jogos por semana, cumprirá uma distância de 15 km, 6 km menos do que um jogador de futebol que faça dois jogos no mesmo período.

Além do mais, do início ao final da participação de um tenista em um torneio, ele só se desloca do hotel para as quadras, que geralmente ficam bem próximas. Um futebolista, como tem sido o caso dos jogadores do Santos, podem ser obrigados a percorrer milhares de quilômetros na mesma semana, sofrendo todo o desgaste que vem com as viagens.

Esse mesmo Santos foi um exemplo extremo de resistência

Este mesmo Santos, nos 15 anos que reinou como a equipe mais globalizada do futebol, fazia excursões anuais, visitando dezenas de países, em que chegava a jogar 50 partidas em 90 dias – ou seja, média superior a um jogo a cada dois dias. E voltava com um índice de vitórias próximo de 80%!

Mas, é preciso admitir, aquele Santos era excepcional – simplesmente o melhor time que já existiu –, o futebol era mais cadenciado, com menos correria, e o elenco santista era maior e de melhor qualidade do que o que Muricy tem hoje à sua disposição.

Esta é a realidade, Muricy. Pare de reclamar

Que o caso é grave e deve ser discutido seriamente pela CBF, Conmebol, Fifa e seja lá quem possa resolve-lo, não há dúvida. Mas agora, no meio das competições, não dá para fazer nada.

O cansaço é o preço que o Santos paga por ser um time bem-sucedido. Se não tivesse mais nada a disputar, a não ser o secundário Estadual, certamente seus jogadores não estariam exaustos. Mas Muricy preferiria treinar uma equipe sem maiores aspirações, ou uma que pudesse brigar por todos os títulos?

Que o médico, o preparador físico, o fisioterapeuta e o massagista trabalhem dobrado, que os jogadores se cuidem fora de campo – alimentem-se bem, evitem excessos e durmam cedo – e que os que sejam chamados, entrem com fé e determinação.

Todo reserva não quer ser titular? Não vive louco por uma chance? Ué, pois então que aproveitem a oportunidade. Estou falando com vocês, Alan Patrick, Felipe Anderson, Rodrigo Possebon, Alex Sandro… Mostrem porque devemos confiar em vocês, porque vocês merecem jogar no Santos.

Há momentos em que tanto faz ser reserva ou titular. Vale o coração!

Há jogos que têm de ser vencidos, quaisquer que sejam os jogadores. O de domingo que vem, na Vila Belmiro, é um deles. Que seja na técnica e que venha mais de um gol, para não fazer a torcida sofrer. Mas, se não der, que seja na raça, com gol de bunda aos 48 minutos. Jogo de título exige 110% de todo mundo. Quem não estiver disposto, que peça para não jogar.

O Santos já passou por momentos terríveis em sua história. E esta contusão de Ganso, o seu segundo jogador mais importante, não é a maior delas. No primeiro título sem Pelé, o Paulista de 1978, o Alvinegro Praiano foi sendo tão desfalcado a cada partida, com cartões amarelos, expulsões e contusões, que chegou ao jogo decisivo, contra o experiente São Paulo, campeão brasileiro do ano anterior, sem sete titulares!

Depois de vencer o primeiro jogo da decisão por 2 a 1 e empatar o segundo em 1 a 1, o Santos foi para a terceira partida – todas disputadas no Morumbi – podendo até perder no tempo normal, desde que ao menos segurasse o empate na prorrogação.

Sem o tarimbado goleiro Vítor; sem Joãozinho, seu melhor zagueiro; sem Clodoaldo e Ailton Lira, dois craques do meio-campo, e sem o ponta-esquerda João Paulo, o técnico Chico Formiga escalou o time para o jogo do título com Flávio, Nelsinho Baptista, Antonio Carlos, Neto (depois Fernando) e Gilberto Sorriso; Zé Carlos, Toninho Vieira e Pita (que se machucou e foi substituído por Rubens Feijão); Nilton Batata, Juari e Claudinho. Um verdadeiro exército brancaleone.

No tempo normal o Santos perdeu por 2 a 0, em duas bolas defensáveis que venceram o inseguro goleiro Flávio. Mas o time todo lutou demais na prorrogação e acabou comemorando o título em um Morumbi com muito mais santistas do que são-paulinos.

Domingo que vem o Santos não terá Ganso nem Danilo, mas deverá ter Elano, Neymar, Rafael, Jonathan, provavelmente as voltas de Léo e Arouca, e, mais do que tudo, uma vontade inquebrantável de ser campeão – e isso é o que mais conta em uma hora dessas.

Reveja como um Santos que terminou o jogo sem sete titulares foi campeão em cima do campeão brasileiro do ano anterior e no estádio do adversário. Foi nesta noite que se consagrou a lenda dos Meninos da Vila:

http://youtu.be/bLRpyTV0rQo

E você, o que achou da contusão de Ganso e a suspensão de Danilo? Acha que estas ausências podem comprometer os títulos da Libertadores e do Paulista?