O Santos é o melhor time do Brasil no momento? Sim, provavelmente. E o que ganhará por isso? Nada. Ou melhor, será prejudicado. Como assim? É que terá de se dividir entre a Copa Libertadores, na qual é o único representante do País, e o Campeonato Brasileiro. E ainda precisará ceder seus principais jogadores para a Copa América. Ou seja, sem um bom elenco e sem planejamento, o risco de naufragar no segundo semestre será grande.

Infelizmente, o calendário do futebol gera essas aberrações, atrapalhando os competentes e dando imensas colheres de chá para os incapazes. Veja o prezado leitor e a prezada leitora, que se prosseguir até as finais da Libertadores, que terminará na última semana de junho, o Santos ficará impossibilitado de se utilizar de todos os seus titulares em sete jogos do Brasileiro.

Isso mesmo. Até o final de junho o Alvinegro Praiano terá jogado com o Internacional (casa), Botafogo (fora), Avaí (casa), Cruzeiro (fora), Corinthians (casa), América/MG (casa) e Figueirense (fora).

Serão sete jogos, ou 21 pontos, sem a chamada força máxima. E em julho, do dia primeiro ao 24, haverá a Copa América, na Argentina, competição que poderá desfalcar o Santos de mais dois ou três jogadores. Como poderá, depois de tudo isso, ainda brigar pelo título do Campeonato Brasileiro?

O malfadado exemplo do Fluminense

Todo mundo se recorda que em 2008 o Fluminense esteve muito perto de conquistar a sua primeira Copa Libertadores. Em busca do sonho, o técnico Renato Gaúcho priorizou a competição sul-americana e usou muitos reservas nas rodadas iniciais do Campeonato Brasileiro.

Como se sabe, na noite de 2 de julho de 2008, um Maracanã lotado, com 78.918 pagantes, viveu a grande frustração de ver o tricolor vencer no tempo normal por 3 a 1, mas ser derrotado pelo time equatoriano na disputa de pênaltis. E o pior ainda estava por vir…

Por não ter utilizado a maior parte de seus titulares em oito jogos do Brasileiro, o Fluminense ocupava a última posição no campeonato, com cinco derrotas e dois empates. E o primeiro jogo depois da decepção da Libertadores não fugiu desse roteiro, já que o time perdeu mais uma vez, desta vez para o Goiás, em Goiânia, por 1 a 0.

A partir daí, mesmo com um elenco que um mês atrás era considerado pelos especialistas um dos melhores do País, o Fluminense viveu uma angústia permanente para fugir das últimas posições. Só na última das 38 rodadas do campeonato é que o time de livrou do rebaixamento, e mesmo assim com apenas um ponto a mais do que o Figueirense, o primeiro a cair para a Série B.

E, um detalhe, em 2008 não houve Copa América, que este ano, repito, desfalcará ainda mais os times brasileiros de ponta, como o Santos.

Junho será um mês crítico

Entre o céu e o inferno – esta é a situação de um time brasileiro que se classifica para a fase final da Libertadores: se for campeão, terá assegurado sua vaga na competição sul-americana no ano seguinte e ainda disputará o Mundial de Clubes da Fifa no ano em curso. Ou seja: prestígio puro!

Se não for campeão (toc-toc-toc), sua única possibilidade de disputar a Libertadores na próxima temporada será ficar entre os quatro mais bem classificados do Campeonato Brasileiro, competição a que só se dedicará cem por cento a partir da nona ou décima rodada.

Não acredito que um time que saia muito atrás dos ponteiros – tipo dez ou mais pontos atrás –, ainda consiga ultrapassá-los no Brasileiro, a não ser que seja muito superior aos demais. O Santos de 2004 conseguiu isso, mas não é algo com que se deva contar sempre.

O ideal seria, mesmo nesse período de intersecção entre o Brasileiro e a Libertadores, manter-se no pelotão da frente, para deslanchar quando for possível contar com todos os titulares.

Chegamos, então, à pergunta que não quer calar: o Santos tem elenco para utilizar o seu time B e mesmo assim jogar de igual com os melhores do País? Ou essa tática seria suicídio?

Um time de guerrilheiros enquanto a tropa de elite não vem

O leitor que assina Machado8888 sugere um Santos B para jogar o Brasileiro com Aranha, Pará, Bruno Rodrigo, Vinícius Simon e Alex Sandro; Adriano, Rodrigo Possebon, Felipe Anderson e Maikon Leite; Tiago Alves e Keirrison. Você diria que é um time forte?

Quem mais poderia ser aproveitado nessa equipe? O zagueiro Bruno Aguiar? Certamente. Quem mais? O lateral-direito Chrystian? O centroavante Richely? Ou este Roger que está fazendo exames médicos e, ao menos a mim, impressionou muito bem?

Uma coisa é certa: nesse grupo há alguns jogadores experientes, outros com grande potencial, que, bem motivados e orientados por Muricy Ramalho, talvez consigam resultados surpreendentes e não deixem a peteca cair. Mas dará tempo de entrosa-los enre si?

O que você acha? Com esse time de guerrilheiros o Santos poderá se segurar no Brasileiro enquanto a tropa de elite não vem, ou seria arriscado demais?