Rodrigo Possebon, o substituto de Ganso, chega a Manizales, após viagem sofrida, de ônibus. O otimista Once Caldas conta com a altitude e o cansaço dos santistas.

Mesmo com opções tecnicamente mais interessantes, como Alan Patrick e Felipe Anderson, o técnico Muricy Ramalho não quer correr riscos amanhã, no estádio Palogrande, em Manizales, e deverá colocar Rodrigo Possebon no lugar de Paulo Henrique Ganso – no jogo de ida pelas quartas-de-final da Copa Libertadores, contra o Once Caldas, com transmissão ao vivo pela TV Globo a partir das 21h50m.

O Santos deverá iniciar a partida com o meio-campo formado Adriano, Possebon, Danilo e Elano. A função de armar as jogadas de ataque ficará concentrada em Elano, mas poderão ser exercidas, eventualmente, por Danilo e até mesmo Possebon – que antes de vir para o Santos também já atuou como meia.

Com 22 anos, 1,84m e 77 quilos, o gaúcho Rodrigo Pereira Possebon (Sapucaia do Sul, RS, 13/02/1989), tem alguma experiência internacional, pois já atuou oito vezes pelo Manchester United e uma pelo Braga. Não correspondeu, é verdade, mas deve ter adquirido alguma maturidade.

Na defesa o Santos deverá contar com todos os titulares. Léo fará um teste amanhã cedo para ver se poderá jogar, mas não sente mais dores. Em todo o caso, Alex Sandro estará de prontidão.

O ataque terá Neymar e Zé Eduardo. Não seria uma surpresa se, no transcorrer da partida, o recém-contratado Richely for lançado no lugar de Zé Love. Como trocar o centroavante não mexe na estrutura tática da equipe, Muricy poderá fazer isso caso perceba que o titular continua jogando mal.

Altitude é arma do time local

A viagem de ônibus de Pereira a Manizales, que durou uma hora e meia, deixou alguns jogadores com enjôo. Elano e Neymar foram os que mais sentiram. Além das curvas da estrada, não se pode esquecer que Manizales tem uma altitude acima de 2.153 metros, o que dificulta a respiração e provoca tonturas e enjôo em quem vem de altitudes mais baixas.

Manizales é uma cidade de 400 mil habitantes, capital do departamento de Caldas, situada no centro ocidental da Colômbia. Ela se localiza na chamada Zona Cafetera, próxima ao vulcão Nevado del Ruiz.

O Estádio de Palogrande, onde será jogada a partida de amanhã, pertence à prefeitura de Manizales e tem capacidade para 42.553 pessoas. Foi inaugurado em julho de 1994.

Once Caldas também está animado

Assim como o Santos, que prossegue vencendo em uma competição local e na Copa Libertadores, o Once Caldas superou o Atlético Huila, domingo, por 2 a 1 e é o novo líder da liga colombiana. Mas isso não faz com que coloque a Librtadores em segundo plano – até porque há sete anos venceu a competição sul-americana, derrotando o Boca Juniors na final.

O técnico Juan Carlos Osorio, realista, faz questão de dizer que sua equipe não herdou o favoritismo do Cruzeiro, a quem eliminou no Brasil – em feito muito comemorado pela imprensa local – e que nesta fase todos os jogos serão equilibrados, sem favoritos. Mas reconheceu que espera uma ajuda da altitude para atrapalhar o time brasileiro:

“Esperamos que assim seja, que façamos valer a altitude contra Santos, que vem do nível do mar. Creio que é um fator, mas não é tudo. Santos tem uma grande equipe, com Elano, Neymar, Zé Eduardo, Arouca e Danilo, e Ganso, ainda que não venha. Teremos de marcar-los em seu próprio campo”.

O técnico disse que só definirá seu time amanhã. Já se sabe que não poderá contar com Carlos Carbonero, expulso contra o Cruzeiro, e que Elkin Calle, machucado, também poderá ficar fora.

Como Juan Carlos Osorio e seu assistente, Pompilio Paez, foram expulsos contra o Cruzeiro, não poderão ficar no banco de reservas e o time será dirigido por Humberto Sierra, técnico da equipe sub-18.

Equipes prováveis

Once Caldas: Neco Martínez, Yedinson Palacios, Diego Amaya, Alexis Henríquez, Luis Núñez, Hárrison Henao, Alexánder Mejía, Jhon Freddy Pajoy, Félix Micolta, Dayro Moreno e Wason (Juan Carlos Henao, o goleiro que passou pelo Santos e deixou péssima impressão, é reserva de Neco Martinez).

Santos: Rafael, Jonathan, Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro): Adriano, Danilo, Rodrigo Possebon e Elano: Zé Eduardo e Neymar.

Arbitragem: Juan Soto, auxiliado por Luis Sánchez e Jorge Urrego, todos venezuelanos (não tenho opinião formada sobre eles, mas meu feeling é que não prejudicarão o Santos).

Minha análise

Pelas informações que temos, o Once Caldas tentará abafar o Santos, marcando a saída de bola do Alvinegro Praiano.

A imprensa local dá destaque às declarações do técnico Muricy Ramalho e Neymar de que o time está cansado por ter de fazer vários jogos importantes seguidos. Este cansaço, somado á altitude de Manizales, dá aos colombianos a certeza de que a tática certa é impor um ritmo forte ao jogo e pressionar o adversário.

Temo que com a formação tática prevista por Muricy, com três jogadores de marcação no meio e só com Elano – que chega a ser lento e previsível – para armar o ataque, o Santos não consiga desafogar a defesa, que será bombardeada constantemente, como se víssemos a sequência do jogo contra o América do México. Por isso, será fundamental que, com a posse de bola, Danilo também avance, assim como os laterais.

Mesmo sem terem experiência internacional, eu ousaria com Alan Patrick ou Felipe Anderson no lugar de Possebon, pois isso aumentaria as chances de o Santos encaixar um contra-ataque que poderá ser decisivo nesse confronto.

Do contrário, viverá da genialidade do super marcado Neymar, da correria de Zé Eduardo e dos chutes de longa distância de Elano e Danilo.

Há também a possibilidade de se usar três zagueiros e liberar um pouco mais os laterais, mas creio que o medo de sentirem o efeito da altura impedirá Muricy de exigir muito de Jonathan e Léo.

Conjecturas à parte, creio que o Santos se defenderá e atacará como puder e Muricy só fará alguma alteração por motivo físico-clínico ou se o time estiver perdendo.

E você, como acha que o Santos deve jogar contra o Once Caldas?