União: santistas se cumprimentam antes do jogo. Sacrifício: Arouca faz o último tratamento antes de enfrentar o Peñarol (Fotos: Comunicação Santos FC)

O confronto com o Peñarol, ontem, deu ao Santos 33 pontos de audiência na Rede Globo, o maior ibope do ano em transmissões de partidas da Copa Libertadores, superando em dois pontos o jogo entre Tolima e Corinthians, pela fase inicial da competição.

Isso prova, mais uma vez, que as cotas de tevê foram muito mal distribuídas, pois a divisão deveria levar em conta o mérito esportivo. A importância do jogo é um fator determinante para atrair audiência. Claro que a projeção do time focalizado influi, mas o fiel da balança é a relevância da partida.

Instituir reservas de mercado para os times que, segundo certas pesquisas, são os que têm mais torcida, é um erro e um retrocesso.

Esses números também provam que não é verdade que o Corinthians dá mais audiência porque é o time de maior rejeição e muitos assistem aos seus jogos só para secá-lo. O Santos é o clube de menor rejeição entre os grandes do País e seu jogo teve mais telespectadores.

Outra pergunta que tem de ser feita: dá mais retorno ao patrocinador anunciar para um público que assiste ao jogo só para secar um rival, ou anunciar para um público que tem simpatia pelo time que está jogando?

A diferença entre cornetar e criticar…

Muitos leitores reclamaram de que fui muito duro na análise do empate de 0 a 0 entre Peñarol e Santos. Acham que o resultado foi bom; os jogadores, heróis, o título está na mão e devemos só elogiar e ver o lado positivo.

Talvez tenham razão. E muitos nem sabem que Arouca está jogando no sacrifício, com dores. Ontem ele chegou a fazer careta e bater o pé no chão depois de algumas jogadas.

Talvez, se eu fosse exclusivamente um torcedor, devesse agir como um eterno motivador. Mas também sou jornalista, crítico, e não consigo deixar de ver o que também está errado ou pode dar errado.

Sei que, no final, a história será generosa com os vencedores e cruel com os vencidos. É sempre assim. Poucos se lembram que Romário perdeu um gol feito, embaixo da trave, pouco antes do final da prorrogação com a Itália, pela Copa de 1994. Se o Brasil perdesse aquele título, ele seria execrado. Como o time foi campeão, na loteria dos pênaltis, ele virou herói e ainda teve a petulância de chamar a Seleção maravilhosa de 1982 de “geração perdedora”.

Reconheço que no momento o que importa é ser campeão, jogando feio ou bonito, com gol de placa ou de canela. Os santistas querem esse terceiro título da Libertadores de qualquer jeito. E ele virá. Pois garra o jogador do Santos também tem, além de ter muito mais futebol.

Alex Sandro e Adriano estão quase chegando lá. Mas…

Os reservas foram muito bem, ontem, com destaque para o zagueiro Bruno Rodrigo, que nas bolas altas foi até mais eficiente do que o titular Edu Dracena. Pará não se destacou, mas também não comprometeu. Quanto a Alex Sandro e Adriano, merecem uma análise mais cuidadosa.

Ambos tem melhorado a olhos vistos, mas podem crescer ainda mais. Não sei se já disseram a Adriano, mas passe também é coisa que se treina. É como bilhar. Nem é preciso parceiro ou adversário para exercitar o toque, experimentar os efeitos, medir a força.

Sabe quando eu acho que um jogador profissional vai dizer “posso ficar treinando passe, professor?” e ficar depois do treino batendo na bola centenas, milhares de vezes? Não conheço o Adriano, mas acho difícil que ele ou qualquer outro tenham a humildade de fazer isso.

É uma pena, pois os grandes jogadores demonstram essa dedicação ao treino de fundamentos. Entrevistei o Hernanes para a revista FourFourTwo brasileira e vi o lugar em que ele treinava chute todos os dias. Tinha até umas espécies de alvos. Não é à toa que Hernanes se destaca pelos chutes de fora da área.

Pelé, após o treino, permanecia no campo sozinho. Todos iam embora, até os cabeças de bagre, ou menos dotados, e ele, que já era o Rei do Futebol, continuava chutando a gol sem goleiro, usando como referência as próprias traves, controlando a bola, experimentando efeitos.

Digo isso porque ontem Adriano teve a chance de deixar Neymar na cara do gol, mas bateu errado na bola e ela quicou e correu, quando deveria quicar e ficar. Depois, pediu desculpas.

É importante que ele saiba passar porque os adversários marcam em cima Ganso e Elano e o deixam livre, por ser o menos habilidoso. Se ele se aprimorar no passe, poderá ser decisivo. E entrar no rol dos grandes jogadores, porque como marcador ele já está bem acima dos demais.

Quanto a Alex Sandro, que ontem fez um segundo tempo excelente e além de ajudar o ataque, salvou um gol certo, prensando o jogador uruguaio que já estava prestes a fuzilar, tenho menos conselhos.

O principal detalhe a ser corrigido em seu jogo é sua colocação diante do adversário que tem a bola. Assim como o lutador de judô luta para conseguir uma boa pegada no kimono do adversário, um defensor só pode jogar de costas para a meta que defende.

Como um goleiro que escolhe um canto no pênalti, Alex Sandro tem o hábito de escolher o lado que o atacante sairá e por isso acaba tomando dribles bobos, como um, ontem, quase sobre a linha lateral. Se corrigir esse defeito, certamente será um ótimo substituto de Léo quando o veterano se aposentar.

E você, o que achou do ibope da Globo, de Adriano e Alex Sandro?