Sócios do Peñarol fazem fila para comprar ingressos para o primeiro jogo da final da Libertadores. O vulcão chileno Puyehue, que estava adormecido desde 1961, tinha de acordar logo agora?

Para chegar à final da Copa Libertadores o Santos teve de passar pelo Cerro Porteño, que no Paraguai é conhecido como “El Ciclón” (O Ciclone). Agora, um novo obstáculo surge na decisão contra o Peñarol: o vulcão chileno Puyehue, cujas cinzas estão forçando o cancelamento de vôos na região do Cone Sul e põem em risco a realização da primeira partida pela final, na próxima quarta-feira, em Montevidéu.

Se o jogo for adiado para a semana seguinte, a segunda partida da decisão coincidirá com a Copa América e o Santos terá problemas para conseguir a liberação de seus três jogadores na Seleção Brasileira: Neymar, Paulo Henrique Ganso e Elano.

O vulcão Puyehue, que entrou em erupção sábado, 4 de junho, estava adormecido desde 1961. Suas cinzas estão atrapalhando os vôos nos céus de Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Peru.

A previsão é de melhoras

A previsão para hoje é a de que a partir do meio-dia os aeroportos de Uruguai, Argentina e Sul do Brasil seriam liberados. A Conmebol está de sobreaviso. Segundo seu assessor de comunicação, Nestor Benitez, só haverá adiamento se a situação piorar.

Mesmo que as cinzas perdurem, o Santos tentará manter a data do jogo, já que o maior problema será o transporte da delegação até Montevidéu. A programação do Alvinegro Praiano inclui viajar para a capital do Uruguai na terça-feira pela manhã. Se necessário, o clube deverá fretar um avião até o Rio Grande do Sul e de lá seguir de ônibus até Montevidéu.

Venda de ingressos

Como o Peñarol abriu a venda de ingressos apenas para sócios, muitos estão se associando ao clube só para comprar as entradas. Calcula-se que o clube passará a ter 43 mil sócios até segunda-feira. O astro uruguaio Diego Forlán, do Atlético de Madrid, que começou sua carreira no Peñarol, será homenageado com a carteira de sócio número 40.000.

Não houve evolução nos contatos entre a direção do Peñarol, do Santos e da Conmebol. O Santos deverá ceder apenas 1.800 ingressos para os torcedores do time uruguaio na partida de volta. Assim, o presidente do Peñarol, Edgar Welker, reafirmou que ofertará o mesmo número de ingressos aos santistas.

SANTISTAS FORAM SOLTOS DEPOIS DE FIANÇA E FICHAMENTO

Depois de um pagamento de fianças, de cobertura de prejuízos e de doações a entidades beneficentes, que somou 101 milhões de guaranis (cerca de 25.500 reais), foram expulsos do Paraguai os 31 integrantes da Torcida Jovem que se envolveram em brigas, vandalismo e roubos no país vizinho, após a partida contra o Cerro Porteño.

Incluidos na Lei de Migração, eles não poderão voltar ao Paraguai nos próximos cinco anos e seus nomes constarão na lista da Interpol como condenados a uma pena de dois anos de reclusão no Paraguai. Isso significa que deixam de ser reus primários.

Uma verba de 40 milhões de guaranis foi levada ao tribunal por Cosme Damião, presidente de honra e fundador da Torcida Jovem. “Eu concordaria com a condenação se os torcedores do Cerro que atiraram pedras no ônibus também fossem incluidos no processo”, disse Cosme. E completou: “Graças a Deus vamos embora. Quero agradecer aos paraguaios, à torcida do Olímpia e aos policiais, que nos trataram bem”.

A reação da opinião pública à libertação dos santistas não foi boa. Muitos leitores que se manifestaram pela Internet pediam que os brasileiros cumprissem pena na penitenciária de Tacumbu, o que aconteceria se os réus fossem paraguaios. Viram no episódio mais um capítulo de vergonha para o país, cujas leis teriam se dobrado à força do dinheiro brasileiro.

De qualquer forma, o episódio deixou lições importantes. A principal delas, para mim, é que a desorganização e a impunidade que grassam nas competições organizadas pela Conmebol precisam acabar já! Elas propiciam situações de conflito, como a que aconteceu no Paraguai e acontece sempre, na verdade, em jogos da Libertadores.

Por outro lado, os torcedores brasileiros que se eventurarem em caravanas para torcer por seus times em países da América do Sul, terão de ter muito cuidado com seus atos. Na próxima vez em que forem detidos, dificilmente conseguirão se safar.

Será que este vulcão jogará cinzas no chope do Santos? E que lição tirar desse episódio dos torcedores santistas presos no Paraguai?