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Santistas presos no Paraguai deverão ser expulsos do país

Era para ser uma viagem alegre, divertida, com direito a ver o Santos passar para a final da Copa Libertadores da América. Virou um pesadelo para 31 torcedores da Torcida Jovem, que na melhor das hipóteses deverão ser expulsos do Paraguai.

Ou serão julgados por vários delitos e poderão pegar até seis anos de prisão, ou serão expulsos do país. Estas são as duas alternativas para os 31 santistas, integrantes da Torcida Jovem, que continuam presos em uma delegacia de San Lorenzo, cidade próxima a Assunção, no Paraguai, desde que foram detidos pela polícia local, na madrugada após o empate entre Cerro Portenõ e Santos, quarta-feira passada.

Os rapazes da Jovem são acusados de roubo, vandalismo, danos patrimoniais e agressão. Com eles há quatro garotas que, mesmo liberadas, preferiam ficar com seus namorados e maridos. A situação é mais grave do que imaginam.

Testemunhas afirmam que eles atacaram torcedores do Cerro e destruíram três lanchonetes em San Lorenzo, chegando a roubar o dinheiro do caixa. Os santistas negam que tenham roubado e alegam que agiram em legítima defesa, pois o ônibus em que estavam foi atingido por pedras jogadas pelos torcedores do Cerro.

Uma das garotas da Torcida Jovem, entrevistada por uma TV local, disse que “a polícia corrupta do Paraguai comeu nosso dinheiro” e que os torcedores do Santos foram recebidos com pedradas e vidros cheios de urina logo que entraram no estádio, na quarta-feira. O apedrejamento do ônibus teria sido a gora d’água que ocasionou a reação violenta dos torcedores do Santos.

Um comerciante argentino, Mario Grana, proprietário de uma das lanchonetes atacadas, disse ter sido roubado em cerca de sete milhões de guaranis (aproximadamente 2,5 mil reais) e foi quem seguiu o ônibus com seu carro e chamou a polícia, interceptando os brasileiros. Dos 57 acusados, 31 permanecem detidos. São eles: Carlos Eduardo Silva Dos Reis, Alexandre Cruz Fleitas, Marco Antonio Silva de Jesus, Julio Perd Cardoso, Alessandro Cruz Freitas, Katterson Kadyushi Kamikado, Rogerio Aguiar Santana, Diego Vaccaro Vasso Martins, Leonel De Castro Cardozo, Lucas Dos Santos Silva, Rafael Silva Dos Santos, James Robert Pereira Da Silva, Rodrigo Queija Rodríguez, Andre Vinicuis Fleitosa, Evandro Marquez Da Silva, Nelson Paulino Da Silva, Juliano Francisco de Andrade, Gilson Cequeira Santos, Aluisio Santos Nascimento, Alex Correia Da Silva, Leandro Ronalho Neiva, Fernando Cesar Alves Dos Santos, Paulo Roberto Pinto, Odilander Leonardo Dos Santos, Mario Sergio Da Silva, Anderson Barboza, Petrick Souza, William Mendez Dos Santos, Marcos Batista, Sidney Rodriguez Da Silva e Alexandro Kassemiro de Souza.

O outro lado da história

Não se pode admitir nenhum tipo de violência, ainda mais em um país estrangeiro. Há um documentário no canal National Geographic, intitulado “Férias na Prisão”, que mostra bem as sérias consequências que o desrespeito às leis de um país estranho pode trazer a um turista.

Por mais que tenham sido achacados pela política local e pressionados e agredidos pelos torcedores do Cerro, os santistas tinham de voltar para casa quietinhos. Estavam em país estranho. Que documentassem, com fotos e filmes, os maus tratos que sofreram, e os trouxessem para que a diretoria do Santos, a CBF ou o governo brasileiro, se fosse o caso, tomassem as providências.

É sabido que torcedores do Cerro escondem pedras em seu estádio para depois atirá-las na torcida contrária, o que realmente fizeram no intervalo do jogo com o Santos. É sabido também que enchem garrafas com urina com o mesmo propósito. Durante a partida, Neymar não pôde cobrar um escanteio devido à chuva de objetos, e o técnico Muricy Ramalho foi atingido por algo que, tanto poderia ter sido um brinquedo, como uma pedra.

Pelo regulamento da Copa Libertadores, o que aconteceu no estádio já seria suficiente para o Cerro Porteño perder os pontos da partida. Diz o artigo 15.3 que em caso de agressão aos adversários, a equipe infratora perderá os pontos. Diz ainda o artigo 16.6 que “a Conmebol pode suspender uma partida por atos de suma gravidade cometidos pelo público presente”, dando o ganho dos pontos ao time visitante.

Bem, parece que para a Conmebol “suma gravidade” deve significar mortandade em massa. Fui ao Pacaembu, no jogo de ida, e testemunhei a maneira tranqüila e segura – como deve ser, sempre – que a torcida do Cerro Porteño pôde incentivar sua equipe. Nenhuma bolinha de papel foi atirada aos visitantes e, caso isso tivesse acontecido, o autor da brincadeira certamente teria sido detido.

Estranhei ver os santistas, no Paraguai, acuados em um canto da arquibancada, protegidos das pedras dos torcedores contrários pelos escudos da polícia – ela que lá também tem sido vítima desses projéteis em jogos do campeonato local.

Para começar, é bizarro ver o estádio tomado por fogos de artifício, em uma prática bárbara e perigosa, há muito abolida dos campos brasileiros. O intuito de tanto barulho e tanto fogo não é, certamente, apenas incentivar o time paraguaio, mas amedrontar os visitantes.

Também não dá para acreditar no comerciante argentino Mario Grana quando diz que antes do ônibus da Torcida Jovem chegar, os torcedores de Cerro e Olímpia duelavam apenas com cânticos, mas sem briga, como se torcidas historicamente rivais pudessem ocupar a mesma praça pacificamente.

De qualquer forma, os rapazes da Torcida Jovem erraram feio. No dia em que conseguirem torcer para o Santos sem brigar, sem fazer arruaças, serão muito mais úteis. Agora, terão sorte se forem expulsos do Paraguai, mas não devem abusar dela. Em um país menos amigo poderiam pegar alguns anos de cadeia, sem choro nem vela. Procurem aprender com essa dura lição, ou da próxima vez, provavelmente, as consequências serão ainda mais graves.

A Conmebol tolera a violência

Sem tirar a culpa dos torcedores, não podemos isentar a Conmebol, a responsável, ao lado da Federação Paraguaia e do Cerro Porteño pela organização da partida que iniciou o clima de guerra entre as torcidas. A absoluta falta de segurança no estádio, a agressão e o desrespeito aos torcedores brasileiros, plantaram a semente do ódio que culminou com as agressões fora de campo.

Briga dos santistas com os torcedores do Cerro:

Santistas falam mal do Paraguai. “Aqui é tudo corrupto, safado”. Garotas acusam a polícia do Paraguai:

Repórter paraguaia toma posição contra os torcedores brasileiros:

Em 16/11/2010 torcida do Cerro corre, depois de apedrejar a polícia:

Última imagem dos santistas presos no Paraguai:

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55 Comentários.

  1. Entrevista do Forum santista com Luís Alvaro Presidente do Santos FC Parte 1:

    O LAOR respondeu 16 perguntas porque está com pouco tempo logo mais a segunda parte da entrevista:

    Segue:

    http://www.forumsantista.com.br/phpBB3/viewtopic.php?f=12&t=12657&p=162617#p162617

    Bela entrevista, Eduardo. Gostei. Perguntaram mesmo o que tem de ser perguntado. Nem sempre as respostas vieram, mas vocês fizeram o seu papel. Continuem assim. Essa postura neutra e crítica é importante para ajudar no desenvolvimento do Santos. Dê parabéns aos que participaram da entrevista. Abração!

  2. Ao Luís Eduardo Algorini: se você é de alguma organizada ou gosta de conviver com elas, não posso fazer nada. Gosto é gosto, por mais duvidoso que seja.
    Ao Mauro Silva: estou plenamente de acordo com o que você escreveu. O aumento da violência nos estádios – e também nas ruas, nos dias de jogo – tem tudo a ver com o crescimento das organizadas. Seus comandantes são torcedores profissionais, vivem disso. Tem uma garotada que se associa na maior boa fé, e encontra tudo o que tem de pior.
    Mauro, a história que você contou sobre a Argentina é perfeita. Idiotas que vivem repetindo que futebol não pode ser levado a sério, incentivam a xenofobia, que é uma coisa seríssima e lamentável. E aí a rivalidade vira ódio. Os vídeos postados aqui são uma confissão de culpa desses torcedores. Tentaram dar uma amenizada quando o torcedor engravatado falou – repare que as meninas já não aparecem. Só que io estrago já estava feito e registrado. Não creio que todos fiquem detidos, mas deve sobrar pra alguns, que servirão como exemplo. Li alguns jornais paraguaios pra ver a repercussão por lá. Posso garantir que é péssima. A indignação é geral, existe grande pressão para que eles sejam exemplarmente punidos. A indenização que se prontificaram a pagar pegou muito mal – dá pouco mais de mil e quinhentos reais. Não pelo valor, mas pela tentativa em si. Um leitor postou o seguinte: eles tem que pagar com dinheiro pelos estragos, com serviços comunitários pelas agressões, e com cadeia pelos roubos.

  3. Há 30 anos falo contra essas torcidas organizadas (para o vandalismo e o crime). Por mim, esses caretas pegavam uns 15 anos de cana no Paraguai. São covardes, marginais violentíssimos.

  4. 27 torcedores foram liberados e serão deportados. Os outros 31 continuam presos, embora a barra deles tenha sido aliviada pela desclassificação de roubo agravado para roubo comum. Parece que, nesse caso, uma indenização pode resolver. Pra vergonha que eles passaram, dinheiro algum dá jeito. Entraram para a história como burros.

  5. Odir você tinha razão realmente o homem de terno é torcedor, mas também é advogado, que estava na caravana.

    Uma vez na década de 80 participei a uma caravana para Joinvile, onde também teve muita confusão lá e no caminho, onde tinhamos um advogado e até um médico nos ônibus, aliás no mesmo ônibus que eu estava , que era o famoso ônibus do sossego.

    abraços, Mozart

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