O técnico Muricy Ramalho e Neymar foram os grandes artífices dessa conquista. O primeiro assumiu o time em uma situação crítica, e logo de início – sem Neymar, Elano e Zé Eduardo – conseguiu a vitória mais importante desta campanha, em Assunção (2 a 1 sobre o Cerro Porteño), quando até o empate eliminaria o Santos. Depois dos dois, vem Paulo Henrique Ganso, que jogou pouco, mas comandou o time justamente na vitória essencial contra o Cerro. Outros destaques foram Rafael, Danilo, Adriano, Arouca, Léo, Durval, Edu Dracena e Jonathan. Dos reservas Pará, Alex Sandro, Alan Patrick, Keirrison e Maikon Leite, o último se sobressaiu também pela atuação contra o Cerro, enquanto os demais não comprometerem. As decepções fircaram por conta de Elano e Zé Eduardo. O primeiro jogou bem menos do que pode e do que o santista espera dele, e o segundo, infelizmente, correspondeu às expectativas (Fotos: Divulgação Santos FC)

Como se esperava, o Santos foi melhor do que o Peñarol o tempo todo. Único time que pôs a bola no chão e criou jogadas de ataque, o Alvinegro Praiano construiu inúmeras chances, principalmente no segundo tempo, e a vitória de 2 a 1 – com todos os gols na segunda etapa – acabou ficando barata para o time uruguaio, que no final foi provocado por penetras que invadiram o campo e partiu para uma briga que envolveu vários jogadores.

Neymar, o melhor jogador desta Libertadores, também foi o melhor em campo. Além do gol, deu passes, segurou a bola e agüentou as botinadas do adversário. É difícil acreditar que um jogador tão seguro do que faz, com tanto controle da bola e dos espaços do campo, tem apenas 19 anos.

Definido pelo presidente do Peñarol, Juan Pedro Damiani, como “um jogador de outra galáxia”, Neymar saiu deste jogo muito mais valorizado. Ele é a esperança da América de um dia ter o melhor jogador do mundo. Como foi Pelé, que para a festa ser completa, estava lá, abraçando os santistas e o técnico Muricy Ramalho – que calou a boca de quem dizia que ele não ganhava torneio mata-mata.

Ganso, com dificuldades de locomoção, não foi o mesmo, mas fez o suficiente para dar mais equilibro ao time, além do passe de calcanhar para que Arouca penetrasse e servisse a Neymar – que abriu o marcador justamente quando o Pacaembu, em uníssono, pedia “Vai pra cima dele Santos”!

Depois, veio o gol de Danilo, em bela jogada individual, driblando e batendo cruzado. Com 2 a 0 surgiram mais oportunidades, mas Zé Eduardo continuou brigando como nunca e não marcando gols como sempre. Obrigado Zé, mas você não fará falta. Se fosse o Borges, teria sido goleada.

A saída de Léo, cansado, fez o Peñarol atacar em cima de Alex Sandro – que bobeou no gol do time uruguaio (contra, de Durval). A partir daí, o Peñarol tentou alguma coisa, mas, como se esperava, só viveu de bolas altas na área, encontrões e pontapés. Enfim, um time limitado, que acha que ainda está no tempo em que o futebol poderia ser decidido pela violência e intimidação.

Santos poderia ter virado na frente

Uma bola que Arouca poderia ter matado no peito ao invés de cabecear, uma cabeça de Dorval para fora, um chute de Elano, um passe de Ganso que quase deixa Neymar na cara do gol… Enfim, em 10 minutos de jogo o Santos, com um pouco de sorte, já poderia ter aberto o marcador.

O Peñarol teve uma chance real aos 12 minutos, quando a defesa do Santos parou e dois jogadores do time uruguaio apareceram livres diante de Rafael, que no final defendeu bem. Mas foi uma chance esporádica.

O domínio santista prosseguiu até o final da primeira etapa. Entre cobranças de falta de Elano, escanteios e penetrações, o Santos procurou mais o gol. A melhor oportunidade ocorreu aos 43 minutos, quando Léo ganhou duas divididas, passou para Zé Eduardo, que arremeteu contra a defesa uruguaia. A bola sobrou para o pé direito de Léo, que quase na pequena área chutou para fora.

O árbitro, Sérgio Pezzota, no todo foi bem na primeira etapa. Não deixou passar em branco as faltas em Neymar, evitou que o jogo desandasse. Deu cartões amarelos para Gonzalez por falta em Neymar e para Neymar por falta em Gonzalez (o uruguaio saiu de campo depois da entrada no santista).

Mas poderia ter sido um pouco mais rigoroso. Ganso levou duas faltas que deveriam provocar um amarelo para o adversário. No final, veio o erro mais grave de Pezzota: como foi o time uruguaio que fez cera, o árbitro não deveria ter esperado que o Peñarol cobrasse a falta para a área santista antes de encerrar o primeiro tempo. Com isso, ele favoreceu o time que praticou o anti-jogo.

A primeira etapa deixou a impressão de que só o nervosismo poderia impedir que o Santos saísse do Pacaembu com o título da Libertadores. Na ida para o vestiário, Ganso quase foi agredido. Os uruguaios já mostravam do que seriam capazes se não vencessem.

Agora, meta é se preparar para um segundo semestre mundial

O grande campeonato do Santos, agora, é criar condições para manter Ganso e Neymar e estruturar uma equipe que possa se firmar, como nos anos 60, entre as melhores do mundo.

Não creio que isso deva ser uma meta só do Santos, mas sim do mercado brasileiro e sul-americano de futebol. Não está escrito em nenhum lugar que os astros da América do Sul são obrigados a se transferir para a Europa para serem reconhecidos. Neymar e Ganso são dois exemplos de que é possível atingir o status de super astro sem sair do Brasil.

Com a depuração do elenco – a saída de jogadores que, mesmo sendo campeões sul-americanos, não estão jogando bem – e a vinda de outros, mais competitivos, o Santos poderá fazer também um segundo semestre vitorioso. Não se pode esquecer que a partir de agora o mundo já estará antevendo um duelo entre Barcelona e Santos, entre Messi e Neymar.

Conmebol precisa reorganizar a Libertadores

Não é porque o Santos foi campeão que vamos fechar os olhos para os problemas desta Copa Libertadores. A impunidade contra a violência dentro e fora do campo gerou cenas grotescas, que envergonharam o continente sul-americano. A agressão aos jogadores do Fluminense na Argentina e aos torcedores do Santos em Assunção e Montevidéu não podem ser esquecidas, assim como não se pode esquecer a briga de ontem, ao final da partida.

No início imaginei que a confusão tivesse sido provocada por jogadores do Peñarol, inconformados com a derrota. Mas, depois de assistir a um filme sobre o começo do incidente, percebi que um rapaz que invadiu o campo é que provocou um jogador do Peñarol e começou a confusão.

Acho que, para dar o exemplo, o Santos deveria descobrir quem é este rapaz e, caso seja sócio, exclui-lo do quadro associativo. Ele estragou uma festa esperada há 48 anos e quase provoca uma tragédia.

Escrevi neste post que o Santos foi o responsável pelo número excessivo de pessoas sem função que estavam no gramado, pois, pelo regulamento da Conmebol, o clube mandante é o responsável. Mas hoje recebi um e-mail de Arnaldo Hase, coordenação de comunicação do Santos, que diz o seguinte:

Sobre o que você coloca no blog, sobre invasão do gramado a partir do vestiário do Santos, posso dizer que não procede. Eu estava no vestiário ao lado de vários integrantes da comissão técnica e de nossa TV, que havia conseguido liberação para registrar as imagens do gramado pós-jogo. Mas os policiais impediram a entrada de qualquer pessoa partindo do nosso vestiário desde os 35 do segundo tempo. Se puder corrigir no blog, seria interessante.

Agora, se filhos de diretores e conselheiros entraram, não foi por ali.
Outro detalhe que vale a pena saber, embora seja sabido da maioria: o gramado em dia de jogo não pertence ao time mandante, mas à Conmebol, que é a organizadora do evento. Nem os jornalistas credenciados o são a partir do Santos, mas via Aceesp e Federação Paulista. Se for para a Conmebol punir alguém, que seja a si mesma.

Bem, eu me baseei na informação de Paulo César Vasconcelos e de Maurício Noriega, comentaristas do Sportv. A tevê também mostrou muita gente saindo do vestiário do Santos logo após o apito final do árbitro. Segundo informações que obtive, esses torcedores que invadiram o campo são, em sua maioria, filhos de conselheiros e diretores do Santos, que se usam da posição dos pais para terem certos privilégios nos jogos do Santos.

De qualquer forma, assim como recriminamos a falta de segurança em outros estadios desta Libertadores, não podemos deixar passar em branco o que aconteceu no Pacaembu. Não tira o mérito da vitória santista, mas dá aos europeus argumentos para falarem mais uma vez da selvageria que predomina nos campos sul-americanos.

Festa da medalha

Outro fato insólito é o número de funcionários do Santos, além dos jogadores, que entram na fila para receber medalhas. É uma festa. Fiquei em dúvida se se não ficou faltando medalha para alguns jogadores. Acho que isso banaliza o mérito. Seria o mesmo que um cartola subir no pódio ao lado de um campeão olímpico. Seria ridículo. Já tinha visto a mesma coisa na Copa do Brasil, em Salvador.

Vamos combinar que quem merece medalha de campeão são os atletas. No máximo, também o técnico e o preparador físico. Tinha gente na fila que não tinha nada de estar ali. É o tipo da coisa que deve encher o saco do jogador, pois ele se mata em campo, ele é o artista, e no final aparece um monte de cartolas e agregados na fila da medalha.

Vi Danilo, um dos heróis do título, esperando a sua vez de receber o prêmio atrás de alguns funcionários do departamento de futebol. Depois vi o Vinicius Simon no fim da fila e fiquei com a impressão de que não havia mais medalha pra ele. No próximo título é bom organizar melhor isso.

Uma sugestão é de que se houver medalha sobrando, que na cerimônia após o jogo, ainda no campo, elas sejam entregues apenas aos jogadores, técnico, auxiliar e preparador físico, os que efetivamente participaram do espetáculo. Que as outras sejam deixadas com o presidente do clube para entregar depois. Ver os heróis do time recebendo seu prêmio depois dos funcionários chega a ser um acinte.

Reveja os gols históricos de Santos 2 x 1 Peñarol:

http://youtu.be/doNeAVv1RdI

Reveja agora a confusão, provocada pela invasão de campo a partir do vestiário do Santos:

E para você, qual o significado deste título do Santos?