A apresentadora Glenda Kozlowski disse, no Globo Esporte, aquilo que meio mundo já está sentindo: “Não vejo a hora de ver esse jogo!”. E o jogo em questão, é claro, é o duelo entre Santos e Barcelona, entre Neymar e Messi, pelo Mundial da Fifa – que, se tudo der certo e nenhum Mazembe da vida atrapalhar, será realizado no domingo, 18 de dezembro, no Estádio Internacional de Yokohama.

Será duro aguentar seis meses até lá. O que mais pode haver de relevante no futebol do planeta até o espetáculo que paralisará o mundo? Campeonatos nacionais? Quem quer vê-los? Por que não interrompem tudo e não começam, desde já, o embate mais esperado do milênio?

Veja como tudo se encaixa: a final do Japão será realizada no mesmo belo e moderno estádio – com capacidade para 72 mil pessoas – em que a Seleção Brasileira ganhou seu quinto título mundial. Perceba como a história cíclica do futebol continua pairando sobre o predestinado Alvinegro Praiano.

Outro detalhe espantoso: a cidade de Yokohama, com seus três milhões e meio de habitantes, foi escolhida para a decisão deste Mundial de Clubes por Marcelo Teixeira – ele mesmo, ex-presidente do Santos, responsável por prosseguir o trabalho de investimento nas categorias de base criado na gestão de Samir Abdul Hack, trabalho que gerou essas pedras preciosas Neymar e Paulo Henrique Ganso.

Este duelo deveria se repetir em várias cidades do planeta

Há momentos em que campeonatos longos, com uma infinidade de times – muitos deles medíocres – são uma tremenda perda de tempo. Por que não colocar os melhores da América do Sul e da Europa, logo de cara, jogando várias vezes entre si?

Imagine se pudéssemos apreciar, desde já, embates seguidos entre Barcelona e Santos… Dois aqui, dois na Espanha, dois no Japão… E porque não mais dois em Nova York, dois em Sydney, dois no Cairo, mais dois em Joanesburgo, dois no México, dois em Paris…

O que há de mais belo, artístico e arrebatador no futebol atual do que um Barcelona e Santos? Comparado ao confronto dos dois maiores expoentes do futebol-arte, que sentido têm os campeonatos de pontos corridos, que, com seus passos de tartaruga, mais parecem pontos cambaleantes…

Ah, como seria bom, que sonho seria se o mundo pudesse ver dezenas de duelos entre os dois melhores times do planeta, dos que colocam a estética e o sentimento em primeiro lugar, como se Picasso e Portinari, Gaudi e Di Cavalcanti digladiassem.

E que maravilha se pudessem entrar em campo livres da preocupação emergencial dos três pontos, da mesquinhez dos títulos e das taças. Movidos apenas pelo amor infantil de se jogar futebol, só futebol…

E que jogassem enquanto pudessem, talvez no ano que vem e no outro também… Enquanto as pernas agüentassem e a idade permitisse, lá estariam Neymar e Messi, Xavi e Ganso, Iniesta e Elano, brincando com a bola, em um clássico infinito enquanto durasse…

Mas se os senhores de terno dissessem que isso é impossível, que a burocracia e o cronograma dos torneios têm de ser obedecidos (mesmo que não levem a nada), ao menos que se fizesse, como preconiza o amigo Fábio Rocco Sormani, um playoff, como na NBA, para decidir o campeão do mundo.

A possibilidade de ver no mínimo quatro e no máximo sete jogos entre os esquadrões santista e catalão seria ideal. Sim, porque depois de uma espera de seis meses, apreciar apenas um jogo, míseros 90 minutos de Santos e Barcelona é muito pouco.

Não é frustrante esperar tanto tempo para ver apenas uma vez Santos e Barcelona? Como você passará o tempo até 18 de dezembro?