Em 1962, depois de ganhar em Montevidéu, sem Pelé, por 2 a 1, e perder na Vila Belmiro, em jogo polêmico, por 3 a 2, o Santos decidiu o título com o Peñarol na neutra Buenos Aires. E venceu por 3 a 0, conquistando sua primeira Copa Libertadores da América.

Em um jogo dramático, em que o Vélez Sarsfield, mesmo com um jogador a menos, pressionou intensamente na última meia hora e chegou a perder o pênalti que lhe daria a classificação, o Peñarol do Uruguai perdeu de 2 a 1, em Buenos Aires, e se classificou para decidir a Copa Libertadores com o Santos, provavelmente nas quartas-feiras 15 e 22 deste mês.

Pelo retrospecto nesta edição da Libertadores, é impossível não dar algum favoritismo ao Santos. Mas o próprio fato de dois segundos colocados na fase de grupos terem chegado à final, à frente de outros que ganharam quase o dobro de pontos, mostra que o retrospecto não pode ser levado muito a sério nesta competição sul-americana.

Assim como o Santos, o Peñarol não começou muito bem, mas foi se aprumando aos poucos. Na fase de grupos, perdeu três partidas e ganhou três. Fora de casa foi goleado pela LDU por 5 a 0 e pelo Independiente, da Argentina, por 3 a 0, e em casa perdeu de novo para o Independiente por 1 a 0. Só se classificou porque o Independiente conseguiu apenas dois pontos nos outros quatro jogos que fez contra LDU e Godoy Cruz.

Nas oitavas, em uma das maiores surpresas desta Libertadores, o Peñarol empatou em casa com o Internacional (1 a 1) e foi buscar a classificação, de virada, no Beira-Rio (2 a 1). Nas quartas, enfrentou outro time teoricamente superior, o Universidad Católica, ao qual derrotou por 2 a 0 em Montevidéu e perdeu por 2 a 1 no Chile.

Ontem, em um jogo dramático, saiu vencendo por 1 a 0, tomou a virada do Vélez Sarsfield, e só não foi eliminado porque o atacante Santiago Silva, uruguaio que joga no Vélez, escorregou na hora de bater o pênalti e jogou, literalmente, a classificação para o espaço.

Desta forma, enquanto o Santos chega à final com apenas uma derrota e seis vitórias, além de cinco empates; o Peñarol alcança o direito de lutar pelo título após cinco derrotas, seis vitórias e apenas um empate. Detalhe: o Santos marcou 18 gols e sofreu 12, tem saldo positivo de seis; e o Peñarol marcou 14, sofreu 17 e tem saldo negativo de três.

Morumbi pode ser o estádio escolhido

O Peñarol é um time que gosta de jogar na defesa, mas não se pode dizer que tenha uma boa defesa. Nos 12 jogos que fez até agora nesta Libertadores, só não sofreu gols em duas partidas. O time todo recua, quando preciso, e tenta destruir as jogadas adversárias de qualquer jeito, mas não tem grande organização e nem planejamento defensivo.

Como evitam fazer faltas próximas à área, os defensores do Peñarol podem permitir que um jogador fique muito tempo com a bola, ciscando, driblando lateralmente e mesmo tentando penetrar. Isso me parece bom para os atacantes do Santos.

Acredito que o time dirigido por Diego Aguirre prefira campos de dimensões menores, nos quais possa aglutinar os jogadores e assim tapar os buracos da defesa, o que é mais complicado quando o adversário tem muito espaço para criar as jogadas.

Na pesquisa que fiz, descobri que o campo do Morumbi tem 100 x 75 metros. O Pacaembu, por sua vez, tem, segundo algumas fontes, 105 x 68 metros, mas segundo outras têm as mesmas dimensões do Morumbi. Só medindo mesmo. Porém, no olhômetro, acho que o do Morumbi é maior.

Dimensões do campo, somadas à capacidade de público e à facilidade de se ter mais sócios presentes à decisão da Libertadores, creio que somarão para que a diretoria do Santos se decida pelo Cícero Pompeu de Toledo, palco de tantos títulos importantes do Alvinegro Praiano, como o Brasileiro de 2002 e os Paulistas de 1969, 1973, 1978, 1984 e 2007.

Um duelo dos tempos do futebol-arte

Santos e Peñarol reviverão a final de uma Libertadores de 49 anos atrás, quando ambos figuravam entre os melhores times do mundo. Com Pelé e um ataque demolidor, o Santos era um rei sem reino e buscava no título sul-americano a oficialização de sua superioridade no continente.

Bicampeão da Libertadores e campeão mundial em 1961, o Peñarol, orientado pelo lendário húngaro Bela Gutman, era um time de muita garra, mas também tinha jogadores de grande categoria, entre os quais Pedro Rocha, que depois jogaria no São Paulo.

Para chegar à final, o Peñarol superou seu compatriota Nacional em uma equilibrada melhor de três partidas, e o Santos passou pelo Universidad Católica, depois de um empate de 1 a 1 no Chile (gol de Lima) e vitória por 1 a 0 (Zito) na Vila Belmiro.

Na primeira partida da decisão, em 28/07/1962, no Estádio Centenário, em Montevidéu, diante de 55 mil pessoas, o Santos ganhou, de virada, por 2 a 1, com dois gols de Coutinho. Um detalhe: Pelé, machucado, não participou da partida.

No jogo de volta, em 02/08/1962, quando a Vila Belmiro se apertou para receber 30 mil pessoas, o Santos jogou por um empate para comemorar o título, mas, em partida bastante tumultuada, acabou perdendo por 3 a 2, o que provocou um jogo-desempate.

Na verdade, os torcedores chegaram a comemorar o título na Vila Belmiro, pois após longa paralisação, provocada por uma garrafada no bandeirinha Domingo Massaro, do Chile, o jogo foi reiniciado e Pagão fez o gol de empate. Só depois da festa é que se soube que o árbitro Carlos Robles, também chileno, havia colocado na súmula que terminara o jogo com a vantagem do Peñarol por 3 a 2 e só continuou a partida por motivos de segurança.

Então, uma partida-desempate foi marcada para a neutra Buenos Aires, no Estádio de Nuñes, em 30/08/1962. Nesse dia, já contando com a volta de Pelé, o Santos jogou com Gilmar, Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mangálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe e venceu por 3 a 0, com dois gols de Pelé um de Caetano, contra.

A vitória sobre o Peñarol marcou o início de um predomínio santista que durou dois anos e incluiu mais uma Libertadores e dois títulos Intercontinentais, ou Mundiais. O Peñarol, por sua vez, voltaria ser campeão da Libertadores em 1966, 1982 e 1987, além de conquistar os títulos Mundiais de 1966 e 1982. Currículo não faltará nesta decisão da Libertadores de 2011. Somando as maiores conquistas dos dois clubes, sete Libertadores e cinco Mundiais se encontrarão.

Veja este belo filme sobre as conquistas do Santos na Libertadores:

http://youtu.be/sKX7nuPYHI0

O que você achou da classificação do Peñarol? Preferia o Vélez?