Está no regulamento da Libertadores no site oficial da Conmebol, para quem quiser ver. Os graves incidentes que aconteceram nas arquibancadas do Estádio Centenário, quarta-feira passada, quando a torcida do Santos foi agredida o tempo todo por pedras e rojões enviados pela torcida do Peñarol sem que nenhum torcedor do clube local fosse detido pela polícia, dão ao Santos o direito de reivindicar o ganho dos pontos da partida, que, para todo o efeito, constaria como uma vitória por 3 a 0 para o Alvinegro Praiano.

A responsabilidade do Peñarol pelos incidentes é clara, pois a segurança de jogadores, árbitros, delegados, dirigentes e do público é uma das obrigações do clube mandante. Diz o regulamento:

9.2 Todas lãs cuestiones vinculadas a la Seguridad de los espectadores y protagonistas (jugadores, árbitros, delegados, dirigentes y representantes de los patrocinadores) será responsabilidad de la Asociación Nacional correspondiente al club que actúe de local, así como del club mismo.

O regulamento também deixa claro, em seu artigo 16.6, que “atos graves cometidos pelo público, antes ou durante a partida, que afetem os princípios de ética e possam ser considerados lesivos ao prestígio esportivo do país a que pertencem os infratores”, dão ao clube prejudicado o direito de, em até 15 dias após o fato, enviar um requerimento à Conmebol exigindo a aplicação das determinações previstas na lei.

Quanto à sanção ao clube infrator, no caso o Peñarol, ela é clara no artigo 19, que diz: “Para los casos previstos em Artículo 15 e em Artículo 18 de este reglamento, se tomará como resultado final 3 a 0 a favor del equipo declarado ganador”.

Veja o filme que mostra os santistas agredidos e acuados no Centenário:

Idosos, mulheres e crianças entre os torcedores

Um jogo internacional dessa importância não atrai só jovens fortes e vigorosos das torcidas organizadas. Idosos, mulheres e crianças foram também para Montevidéu torcer pelo Santos. E, no Estádio Centenário, ocuparam o mesmo lugar nas arquibancadas.

Não se trata, portanto, de “apenas” uma briga entre “barras bravas”, como querem alguns jornalistas uruguaios. Trata-se, sim, de uma agressão a um grupo indefeso de brasileiros que foi torcer pelo Santos, no qual se encontravam pessoas preocupadas apenas em ver futebol.

Pelas imagens do filme se vê que a torcida do Santos chegou animada a Montevidéu. Até entrar no Estádio Centenário, só cantou e gritou palavras de incentivo ao time. Não levou para o jogo pedras, rojões, ou qualquer objeto que pudesse ferir os torcedores contrários. Enfim, foi só para torcer pelo Santos. Só passou a xingar os adversários depois de agredida.

Pedras e rojões foram atirados sistematicamente pela torcida do Peñarol sobre a do Santos, causando pânico e ferimentos entre os santistas. As imagens mostram que havia mulheres, crianças e idosos entre os torcedores do Santos.

Os policiais uruguaios nada fizeram para impedir que a chuva de pedras e rojões prosseguisse por toda a partida e o intervalo, em um período superior a uma hora e meia de bombardeio.

Só no final do jogo, quando alguns santistas reagiram, atirando pedras de volta para o lado uruguaio, é que a polícia resolveu agir, para impedir e deter os santistas.

Ficou caracterizada, assim, uma agressão continuada, que mais do que infringir a ética, feriu e colocou em risco a integridade física de centenas de pessoas por cerca de uma hora e meia, sem que a hostilidade fosse contida pela polícia local.

É evidente que a responsabilidade pelas agressões que vemos neste filme é do Clube Peñarol, o enfitrião da partida, da Federação Uruguaia de Futebol, além da própria Conmebol, todos encarregados da segurança do evento e da competição.

O jogo só não foi interrompido porque os torcedores santistas se mantiveram, firmes, em seus lugares. Mas, caso corressem para o campo, por exemplo, ou para outros locais do estádio, a situação se tornaria insustentável, com riscos de uma grande tragédia.

Portanto, como exemplo para manter a ordem e a disciplina nos confrontos da Copa Libertadores da América, a Conmebol deveria punir o Peñarol com a perda dos pontos, computando-se, como diz o regulamento da Copa, uma vitória de 3 a 0 para o Santos.

A punição, além de justa, seria uma lição inesquecível

Uma punição dessas seria exemplar e muito contribuiria para colocar ordem e trazer um pouco de paz a uma competição que tem sido uma bagunça, um verdadeiro caos, com as torcidas locais massacrando os visitantes como se pertencessem a um país em guerra.

E essa impunidade que se vê em outros países sul-americanos, além de absurda, acaba provocando protecionismos odiosos. É impossível imaginar que em um estádio brasileiro os torcedores de um time estrangeiro serão alvejados, com pedras e bombas, sem que nada seja feito.

Por mais que o Brasil ainda tenha de evoluir em muitos aspectos da educação, essa violência contra uma torcida estrangeira seria punida com severidade por aqui. Porém, em outros países que participam da Libertadores, parece que ferir os torcedores adversários faz parte do espetáculo.

Assim, aplicar a lei e punir o Peñarol com a perde dos pontos – em uma partida que, para todos os efeitos, constaria como uma vitória do Santos por 3 a 0 – seria a melhor forma de dar um exemplo de moralização à desacreditada Copa Libertadores.

O que você achou da agressão aos santistas no Uruguai? Acha que a Conmebol deveria punir o Peñarol, o responsável pela segurança dos brasileiros no Centenário?