Por via das dúvidas, Neymar treinou pênaltis ontem, observado por Zé Eduardo e Muricy. Elano e Neymar, os astros do Santos, chegaram confiantes em Assunção. Jonathan bateu bola e deve iniciar a partida, assim como o “monstro” Arouca. Alex Sandro terá a responsabilidade de substituir o valente Léo. Maikon Leite não começará jogando porque tem 11 centímetros a menos do que Zé Eduardo. E Rafael, se não sofrer gols, classificará o Santos para a final da Libertadores (Fotos: Comunicação Santos FC).

O técnico Muricy Ramalho usou mais de uma hora de treino no estádio General Pablo Rojas para prevenir a equipe contra as temidas bolas aéreas do Cerro Porteño. Com muitos jogadores altos, entre eles o atacante argentino Roberto Nanni, de 1,92m, é bem provável que o time paraguaio use dessa arma para vazar o gol de Rafael. Assim, além dos zagueiros Edu Dracena e Durval, Muricy utilizou Danilo, Elano, Zé Eduardo e o lateral-esquerdo Alex Sandro, que substituirá Léo.

O curioso é que, mesmo sem render bem como atacante, Zé Eduardo continua escalado por sua disposição de marcar a saída de bola do adversário e por ter 11 centímetros a mais de altura do que Maikon Leite (1,79m a 1,68m), o que o torna mais uma opção de defesa contra as bolas centradas na área santista.

Muricy também treinou a linha de impedimento, em que os defensores saem rapidamente da área e deixam os adversários em posição ilegal. A tática pode dar certo diante da lentidão do ataque do Cerro, mas também pode ser uma faca de dois gumes, pois dependerá da precisão da arbitragem.

O técnico ainda não definiu o time, mas, como dá pistas de que quer fechar mais o meio de campo, pressinto que optará por Danilo como volante e, se o lateral-direito Jonathan não puder jogar, Pará deverá ser seu substituto.

Na ausência de Jonathan, eu preferiria que Danilo jogasse na lateral e Alan Patrick entrasse no meio. Ele pode trocar bolas com Elano, Neymar e Alex Sandro, abrindo caminho pela esquerda para que o Santos chegue ao gol.

No ataque, não há dúvida de que Maikon Leite é uma opção melhor do que Zé Eduardo. Até porque o rapaz já jogou em Assunção, na fase de grupos, e fez o gol que selou a vitória santista contra o Cerro. Mas, estou certo que, por razões táticas e defensivas, Muricy preferirá começar a partida com Zé Eduardo, que se dedica mais à marcação dos beques adversários.

O Cerro é forte. Mas tem as suas fraquezas

A ausência do experiente meio-campo argentino Javier Villarreal é tida como certa. Com uma contusão no músculo da coxa da perna esquerda, ele deverá ser substituído por Burgos, que já não tem a mesma confiança da torcida.

Outros três jogadores se recuperam de lesões musculares. São eles os meias Fabbros e Ivan Torres e o atacante Lucero. Provavelmente devam ser escalados pelo técnico Leonardo Astrada, mas não estão cem por cento e talvez saiam antes do final da partida.

Já sem chances de ser campeão do torneio nacional, o Cerro se apega à Libertadores como sua última oportunidade de disputar uma final neste semestre. Ao contrário do rival Olímpia, que já conquistou a Libertadores três vezes – em 1979, 1990 e 2002 –, o Cerro jamais levantou o maior troféu sul-americano e isso é motivo de pressão dos torcedores rivais e dos seus próprios.

Muitos apostam que se o time não conseguir marcar ainda no primeiro tempo e – pior que isso – sofrer um gol, o entusiasmo dos torcedores que devem lotar o estádio se transformará em decepção e raiva.

O retrospecto e o regulamento são favoráveis ao Santos, que nunca perdeu do Cerro Porteño – em cinco jogos, venceu três e empatou dois – e pode se classificar com um empate, ou uma derrota por um gol de diferença, desde que faça ao menos um gol. Mas a Libertadores não perdoa relaxamentos.

Se as duas equipes jogarem o máximo que podem, o Santos vencerá novamente, ou, no máximo, empatará. Porém, se o time paraguaio atingir 100% de seu rendimento e o Santos apenas 70% do que pode, uma derrota e mesmo a desclassificação não estarão descartadas.

Santista, o momento é para ser desfrutado!

Sei que há torcedores do Santos muito nervosos com esse jogo de hoje (a partir das 21h50m, pela Globo). Pressentem que se o Alvinegro Praiano passar pelo Cerro, a final – contra Vélez ou Peñarol – talvez seja menos sofrida.

É claro que também sinto esta ansiedade, mas só vejo aspectos positivos na oportunidade de se viver o clima dos grandes jogos. Uma semifinal de Libertadores, com grande chance de passar para a final, não é para qualquer um. Dos muitos chamados, pouquíssimos foram os escolhidos, e o Santos está entre eles.

De quase eliminado no dia de seu aniversário, o Santos venceu este mesmo Cerro em uma jornada heróica e agora está aqui, a um passo da grande decisão. Falta pouco. Tão pouco, que não se pode deixar de lutar, com técnica e inteligência, até o último segundo da partida. E a classificação fatalmente virá, pois esta noite os deuses do futebol não vão dormir cedo.

E você, qual é seu pressentimento para o jogão desta noite? Está confiante, cismado, ou apenas tranqüilo, esperando a hora chegar?