Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: julho 2011 (page 1 of 8)

O grande adversário do Santos tem sido ele mesmo

Em meio aos ecos do jogaço contra o Flamengo, no meio da semana, o Santos fez outra grande partida hoje, contra o Atlético Paranaense, mas saiu derrotado de novo, desta vez por 3 a 2. Tem torcedor santista que deve estar com saudade dos jogos feios e amarrados que o Santos vencia na Copa Libertadores.

Sair perdendo por 2 a 0 em apenas oito minutos, com falhas gritantes da defesa, não é normal para um time que é considerado um dos melhores do país. Depois com técnica e muita luta, apesar do campo horrível, veio o empate. Porém, no final, outra falha defensiva deu ao Atlético a vitória.

Antes da partida eu já avisei ao meu irmão, Marcos. Não é porque o Atlético é o lanterna que o jogo será fácil. Ao contrário. Com jogadores bons e experientes, como Cléber Santana e Marcinho, Renato Gaúcho como técnico e jogando em casa, o Atlético tinha tudo para complicar as coisas, e foi o que aconteceu.

Com muita garra, como se estivesse decidindo uma final de Copa do Mundo, o Atlético quis mais a vitória do que o Santos, lutou mais pela bola e acabou sendo premiado no final. O Santos mostrou que é mais time, tem jogadores mais técnicos, porém, repetindo o que aconteceu com o Flamengo, perdeu de novo. Por que será?

Dois jogos é pouco para definir uma tendência. Porém, o time de Muricy Ramalho estava costumado a jogar mais precavido, com dois volantes protegendo a defesa. O jogo ficava mais amarrado, as vitórias eram magras, mas a defesa corria menos sustos. Agora a equipe está tentando ser mais ofensiva.

Com Arouca, Ibson, Elano e Paulo Henrique Ganso no meio, além de Neymar e Borges na frente, era para o Santos ter um controle maior de qualquer jogo que fizer contra rivais brasileiros, mas não é isso que está acontecendo. Por quê?

Porque Elano e Ganso marcam mal e agora têm mais um companheiro no meio que também não tem demonstrado ser um bom marcador, que é o Ibson. Técnica ele tem, mas não é disciplinado taticamente. Tem um jeitão meio peladeiro das praias cariocas, o que funciona com um atacante que precisa fugir da marcação, mas não com um volante.

Assim, Arouca ficou sozinho para proteger a zaga, e é pouco. Sem uns cães de guarda para dar a primeira mordida, a defesa santista, o setor mais veteranoe lento do time, fica perdida. Hoje dois gols do Atlético saíram de bolas cruzadas na área que encontraram um jogador livre. Nem Dorval, nem Edu Dracena estavam por perto.

Desta vez Pará não teve culpa. Aliás, ele fez uma boa partida, aproveitando-se de que no segundo tempo jogou na parte menos ruim do lamaçal que era o campo. Para variar, Neymar fez um golaço e criou chances. Borges também teve um bom desempenho. Léo lutou. Ibson se movimentou bastante. Durval deu encontrões e chutões. E só. Elano e, principalmente Ganso, não corresponderam à fama.

Esta formação, com jogadores de meio-campo mais técnicos, é a ideal, mas exige mais solidariedade, mais aplicação, mais comprometimento físico – o que Elano e Ganso não parecem dispostos a dar ao time. Se eles não resolverem jogar também quando estão sem a bola, ficará difícil vencer qualquer adversário.

Na zona do rebaixamento

No início do campeonato escrevi que se o Santos não fosse rebaixado neste Brasileiro, já estaria bom, pelo primeiro semestre que fez. Muitos acharam o cúmulo. Mas não escrevi o que eu queria, mas o que achava que deveria acontecer devido às circunstâncias.

Após oito rodadas com o time reserva, é difícil esperar que a equipe tivesse motivação suficiente para correr atrás do título. Não que não se esforçasse para ganhar de Flamengo e Atlético Paranaense, mas a verdade é que os adversários estão mais ajustados, mais concentrados no campeonato – que para eles é uma questão de vida ou morte, enquanto para os santistas é só mais uma refeição.

Mesmo com três jogos a menos do que os demais, o Santos não deve ficar tão tranqüilo quanto à possibilidade de rebaixamento, pois estes três jogos devem ser dificílimos, contra adversários estão entre os melhores times da competição.

Creio que o ideal agora seja relaxar e encarar cada jogo com o devido respeito e atenção. O time tem de voltar a ganhar pontos, essa é a verdade. A próxima partida já será outra pedreira, pois do jeito que tem jogado, o Vasco – que derrotou o São Paulo no Morumbi – é candidato ao título. E o jogo será em São Januário, o que torna o time carioca favorito. Sim, espero que seja um jogão de novo. Mas que desta vez o Santos não saia derrotado.

O pior adversário para o Santos é ele mesmo, é a cabeça de seus jogadores. Alguns estão com ela na Europa, outros estão pensando no Mundial do Japão, há ainda os que se amarguram demais por problemas familiares que não deveriam entrar em campo. Enfim, o Santos é um campeão em busca do reequilíbrio.

O que achou de mais esta derrota? A zona de rebaixamento mete medo?


Time que ganha títulos, ganha torcedores. Quem perde, perde

O futebol tem verdades irrefutáveis. Uma delas é a de que time que ganha títulos, ganha torcedores. E a recíproca também é verdadeira. Quem não ergue taças, perde torcida. Ou perde ou ela deixa de crescer, o que dá na mesma. Toco neste assunto porque já ouvi um boato de que a torcida de determinado time continuou aumentando apesar dos 23 anos sem ganhar títulos. Não sei como tem gente que acredita…

Agora mesmo estava relendo o Dossiê da Unificação dos Títulos Brasileiros, que já estará à disposição dos interessados em dez dias, e reparei em uma informação importante: nos 20 jogos de maior público do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, justamente a competição nacional de maior média de público, o único clube paulista que aparece – e em seis jogos – é o Santos.

Repetirei, senhores e senhoras, para que fique bem claro: nos 20 jogos de maior público do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, disputado de 1967 a 1970, na era de ouro do futebol brasileiro, em que todos os jogadores da Seleção tricampeã do mundo jogavam no país, competição esta que teve a maior média de público de todas que decidiram o campeão brasileiro, Corinthians, São Paulo e Palmeiras não aparecem uma única vez, enquanto o Santos está presente em seis partidas.

E olhe que em 1969 o Corinthians lutou pelo título até a última rodada! Outra surpresa é o Palmeiras. Mesmo sendo campeão em 1967 e 1969, o time não atraía multidões. Tanto, que no jogo decisivo do título de 1969, no Morumbi, sua vitória sobre o Botafogo, por 3 a 1, só foi assistida por 8.000 espectadores.

Cota de tevê tinha de ter levado em conta a qualidade do espetáculo

Esta estatística sobre os jogos de maior público no Robertão confirma duas coisas: que em 1968 e 1969, conforme a pesquisa do IBGE na época, o Santos era mesmo o time paulista que levava mais público aos seus jogos. Confirma também que o torcedor vai ao estádio para ver time que joga bonito.

Por isso insisto que a diretoria do Santos deveria ter feito um acordo mais generoso com a Rede Globo. O Alvinegro já era o de maior visibilidade quando o acordo foi assinado e continua sendo agora.

Com todo o respeito aos demais, mas não dá para comparar o apelo que o Santos tem hoje com o nível de atratividade de outros concorrentes que têm nome, tradição, mas lhes faltam craques, carisma e um futebol mais vistoso.

Bem, já falei demais. Confira agora os 20 maiores públicos do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967 a 1970 (neste total estão incluídos também os não pagantes). Veja que, de São Paulo, só aparece o Santos:

20 maiores públicos do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967/70)

01 – Fluminense 1, Atlético-MG 1, Maracanã, 112.403 pessoas, 20/12/1970
02 – Atlético/MG 1, Cruzeiro 2, Mineirão, 97.928 pessoas, 28/09/1969
03 – Atlético/MG 0, Cruzeiro 4, Mineirão, 91.042 pessoas, 05/03/1967
04 – Fluminense 0, Santos 0, Maracanã, 87.872 pessoas, 26/10/1969
05 – Atlético/MG 0, Cruzeiro 1, Mineirão, 87.360 pessoas, 27/10/1968
06 – Atlético/MG 1, Cruzeiro 1, Mineirão, 85.253 pessoas, 13/12/1970
07 – Flamengo 1, Fluminense 1, Maracanã, 81.616 pessoas, 22/11/1970
08 – Flamengo 0, Vasco 2, Maracanã, 79.894 pessoas, 30/11/1968
09 – Flamengo 0, Santos 2, Maracanã, 78.022 pessoas, 15/09/1968
10 – Atlético/MG 1, Cruzeiro 1, Mineirão, 76.505 pessoas, 25/10/1970
11 – Flamengo 1, Santos 4, Maracanã, 70.322 pessoas, 01/11/1969
12 – Flamengo 1, Atlético/MG 0, Maracanã, 69.156 pessoas, 02/12/1970
13 – Flamengo 1, Fluminense 4, Maracanã, 68.531 pessoas, 28/09/1969
14 – Flamengo 3, Vasco 1, Maracanã, 66.289 pessoas, 05/10/1969
15 – Vasco 1, Santos 2, Maracanã, 65.157 pessoas, 19/11/1969
16 – Flamengo 1, Internacional 0, Maracanã, 62.634 pessoas, 22/11/1970
17 – Vasco 3, Santos 2, Maracanã, 62.145 pessoas (49.394 pagantes), 29/09/1968.
18 – Atlético/MG 2, Santos 2, Mineirão, 61.546 pessoas, 24/11/1968
19 – Botafogo 0, Flamengo 0, Maracanã, 59.083 pessoas, 25/10/1970
20 – Atlético/MG 3, Fluminense 1, Mineirão, 58.059 pessoas, 29/11/1970

O que você achou dessas estatísticas? Ficou surpreso ou já sabia?


Vamos fazer algo diferente: vamos apoiar o Elano!

Elano dá à torcida do Santos a oportunidade de provar que ela não é volúvel como as outras

Torcedor costuma ser implacável. Jogador errou, ele cai em cima mesmo. E o Elano errou, não se pode negar. Errou na Seleção e errou no jogo contra o Flamengo. Se batesse aquele pênalti com seriedade, o Santos e os santistas dificilmente teriam sofrido a decepção de perder um jogo ganho. Mas Elano tem crédito e não só merece ser perdoado, como apoiado.

Ele vivia um momento psicológico difícil, com a tentativa de seqüestro do pai e o fim do namoro. Não deveria ter pedido para cobrar o pênalti, é certo, mas tentou superar as adversidades com coragem.

Quem sabe, com o apoio dos santistas, Elano perceba que o futebol pode ser o caminho para o seu reequilíbrio. Jogue como se ainda fosse uma criança nos campinhos de terra batida, Elano. Redescubra o menino que há em você e seja feliz com o Santos e os santistas. Aqui é a sua casa.

A falsidade do Real

Esta semana fomos surpreendidos com a notícia de que o técnico José Morinho e o presidente do Real Madrid, intermediados pelo empresário Wagner Ribeiro, assediaram Neymar na maior cara dura. Mourinho teria dito, por um sistema de vídeo-conferência: “Vem pra Madrid garoto”. Pois eu, se fosse presidente do Santos, teria respondido: “Por que você não vai se catar, Mourinho?”.

Essa intromissão do Real Madrid e dos clubes europeus na vida do Santos já passou dos limites. Imagine o inverso: Luis Álvaro e Muricy Ramalho convencendo abertamente um jogador do Real Madrid a vir jogar no Alvinegro Praiano, contra a vontade do clube espanhol. Seria o fim do mundo.

Acho que a diretoria do Santos está começando a ter uma atitude passiva demais nesse episódio. Fica parecendo que, no fundo, não há tanta vontade assim de manter o jogador no Brasil. Se é uma questão de dinheiro, faça uma caixinha que o torcedor do Santos ajuda a pagar o salário do Neymar. Virou uma questão de honra manter Neymar no Santos.

Este mesmo Real fugiu do Santos a vida inteira depois de vencer o Alvinegro Praiano em 1959, em Madrid. Pelé contou-me esta história na quinta-feira: “O Santos estava cansado e o vôo de volta já estava marcado para aquela noite quando arrumaram este jogo. Jogamos desfalcados, eles ganharam por 5 a 3 e depois nunca mais quiseram nos enfrentar. Chegaram a abrir mão de uma taça (Torneio de Buenos Aires, em 1965) só para não nos dar o prazer da revanche”.

Este mesmo Real, que levou Robinho e tirou-lhe a espontaneidade do drible, agora quer pasteurizar também a Neymar. Seria um mau negócio para o Menino de Ouro seguir o mesmo caminho infeliz de Robinho. É claro que o empresário Wagner Ribeiro, que só vê cifrões na sua frente, está louco para fechar o negócio e embolsar uma fortuna. Mas Ribeiro é tão confiável como uma nota de 30 reais.

E você, o que acha de apoiar Elano? E da intromissão do Real?


Um beijo em Pelé!

Ontem, a convite do editor Marco Piovan, entrevistei Pelé para o livro da Magma Cultural a ser lançado no final deste ano, como parte das festividades do Centenário do Santos.

Minha profissão me deu a oportunidade de conviver com grandes ídolos do esporte, como Ayrton Senna, Oscar Schmidt, Bjorn Borg… Mas Pelé é Pelé.

Pelé transformou minha infância e juventude nas mais felizes que um ser humano pode desejar. Por isso, em nome de todos os santistas que leem meus livros e acompanham este blog, eu tinha de abraçar e beijar o Rei do Futebol.

Percebi, olhando agora a foto, que poucas vezes nos últimos tempos ri com tanta alegria no coração. Pelé, humilde em sua grandeza, tem uma energia que encanta a todos à sua volta. É impossível, a um brasileiro de verdade, não amar Pelé. Ele é a síntese de todas as qualidades e talentos do nosso povo. Basta um minuto ao seu lado para se ter a certeza de que ninguém pode ser comparado a ele.

Primeiro e único no coração dos santistas, dos brasileiros, dos amantes do futebol. Obrigado Pelé!


Sim, o futebol brasileiro pode voltar a ser espetacular!

Como se previa, o encontro dos craques Neymar e Ronaldinho Gaúcho, com alguns coadjuvantes de luxo, fez de Santos e Flamengo o melhor jogo dos últimos tempos. O resultado de 5 a 4 a favor do time carioca, com três gols de Ronaldinho e dois de Neymar, exprimiu o que foi o espetáculo.

A partida foi um exemplo do que pode voltar a ocorrer no futebol brasileiro se os craques continuarem por aqui, ao invés de se mudarem para a Europa. A categoria e a habilidade se sobressairão sobre os pontapés e a retranca e os jogos se tornarão exibições de gala.

Pena que o Santos tenha perdido, pois Neymar não merecia sair de campo derrotado. O Menino de Ouro da Vila Belmiro teve grande atuação e fez um gol de placa, ao envolver a defesa do rubro-negro e tocar na saída de Felipe.

O Santos chegou a ter uma vantagem de 3 a 0, mas falhas de marcação no meio-campo e na defesa permitiram ao mais equilibrado time do Flamengo chegar ao empate ainda no primeiro tempo.

No lance mais polêmico do jogo, Elano cobrou um pênalti com cavadinha e atrasou a bola para fácil defesa de Felipe, perdendo a oportunidade de dar uma vantagem de 4 a 2 para o Santos.

Na segunda etapa, Neymar fez o quarto gol, mas Ronaldinho fez mais dois e não só deu a vitória ao Flamengo, como manteve a invencibilidade do time carioca no Campeonato Brasileiro.

Para o insuspeito Mauro Beting, foi o jogo mais bonito que o futebol brasileiro produziu nos últimos anos. Tão atraente, que nenhum dos técnicos apelou para a retranca. Muricy Ramalho não fechou o time quando teve oportunidade, e Vanderlei Luxemburgo também colocou o Flamengo no ataque.

Lições da derrota

Mesmo uma partida tão atraente deixa lições, principalmente ao time derrotado. Com Elano e Ganso errando muitos passes e não marcando ninguém, fica impossível conter um time com bons jogadores de ataque.

Pará e Léo foram pontos fracos, e nem mesmo o goleiro Rafael, tão firme em outras jornadas, esteve muito seguro ontem. O miolo da zaga, sem a proteção dos volantes, se tornou presa fácil para as penetrações de Ronaldinho e Thiago Neves. Borges fez dois gols no primeiro tempo, mas na segunda etapa deixou para Neymar a função de brigar sozinho com a defesa.

Assim como na Copa América, Elano desperdiçou um pênalti de maneira bisonha. Se é para bater assim, que se deixe o Neymar voltar a ser o cobrador do time. Ao menos ele tem o direito de errar. Cavadinha é algo que deveria ser proibido. Quando não dá certo, parece um menosprezo ao torcedor.

Ainda é cedo, mas esta derrota torna muito difícil a possibilidade de o Santos ainda lutar pelo título. A prioridade, agora, é se afastar da zona de rebaixamento.

A pior virada que o Santos sofreu, há 84 anos

Por incrível que pareça, esta, de ontem. não foi a pior virada que o Santos sofreu em sua história. Ela ocorreu em 11 de abril de 1927, também na Vila Belmiro, dia de estreia do centroavante Feitiço em um amistoso contra o Guarani.

O primeiro tempo terminou 5 a 1 para o Alvinegro Praiano, mas o time entrou de salto alto no segundo tempo e foi tomando um gol após outro, até ser derrotado por 6 a 5.

Mas a lição valeu. Naquele mesmo ano, pelo Campeonato Paulista, o Santos recebeu novamente o Guarani na Vila Bemiro. E desta vez, com seriedade o tempo todo, goleou por 10 a 1.

Aliás, 1927 foi o ano em que o time marcou 100 gols no Paulista. Depois da lição contra o Guarani, o Santos não se contentava com uma boa vantagem e tratava de fazer quantos gols pudesse. Além dos 10 a 1 sobre o time de Campinas, em 1927 o Santos ganhou do Ypiranga por 10 a 1; do Barra Funda por 11 a 2; do Autoaudax por 11 a 3; do República por 10 a 2 e do Corinthians por 8 a 3. Quem sabe a lição de ontem não fará a equipe continuar marcando gols mesmo depois de uma vantagem de 3 a 0.

E você, o que achou da partida? Quais os erros e acertos do Santos?


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