Quando saiu do Brasil, em 2008, o atacante Diogo era nome garantido para as futuras Seleções Brasileiras. Atacante que fazia tudo certo, ele driblava, chutava bem, marcava gols e tinha até o significativo apelido de “Matador”.

Da mesma forma, Rodrigo Possebon, aos 18 anos, idade em que o Manchester United tirou-o do Internacional de Porto Alegre, impressionava pelo porte elegante (1,84m, 77 quilos) e o estilo de jogo que poderiam fazer dele, no futuro, um novo Falcão.

Ambos, porém, decepcionaram na Europa e, de volta ao Brasil, continuam decepcionando. Não sei o que aconteceu para que não evoluíssem, não sei se o futebol europeu acabou com a espontaneidade de seus jogos, mas o certo é que perderam a embocadura. Não estão fazendo por merecer vestir a camisa do Santos. A pergunta que fica é: até quando um time deve continuar bancando a carreira de jogadores que não parecem capazes de jogar bem?

Digo isso porque contra o Palmeiras, ficou evidente que a equipe melhorou, ganhou mais vida e dinamismo, quando Diogo e Possebon foram substituídos por Felipe Anderson e Tiago Alves. Inteligente como costuma ser, o torcedor, já se pergunta: se o Santos tem dois Meninos da Vila que podem jogar melhor do que esses vindos de fora, por que lhes dá mais oportunidades agora que Ganso, Elano e Neymar estão na Seleção?

Tiago, se quiser, jogará muito bem

O rápido e individualista Tiago Alves lembra a mim mesmo, quando jogador de peladas. Houve uma época, curta mas educativa, em que cheguei à conclusão de que poderia driblar quem aparecesse na minha frente e depois fazer o gol. Minha lógica era a seguinte: se tenho mais habilidade, sou mais rápido e posso driblar com facilidade o primeiro marcador, por que não driblo também o segundo, o terceiro, e vou direto pro gol?

No primeiro jogo em que coloquei esta filosofia em prática, cheguei a enfileirar dois ou três adversários, mas, invariavelmente, acabava perdendo a bola. Depois da surpresa inicial, o time contrário já se precavia mais na minha marcação e, como eu havia me tornado um jogador previsível, que não passava a bola pra ninguém, passei a ser marcado sem problemas.

Em dado momento um companheiro fez um comentário ruim a meu respeito, ao que um outro jogador do nosso time, mais experiente, comentou: “Esse aí pode jogar bem, se quiser”. Pois é o mesmo comentário que faço hoje a Tiago Alves e espero que essas palavras cheguem a ele.

Com ótimo arranque e facilidade para o drible e o chute, Tiago Alves poderá se transformar em um atacante muito mais perigoso se, volta e meia, servir a um companheiro melhor colocado. Sim, jogar bem não é só fazer gols de placa, como ele deve entender, mas ajudar o time a sair de campo com a vitória.

Se Tiago tiver em dúvida de como agir, que se espelhe na atuação de Messi ontem, contra a Costa Rica. Muito marcado, passou a apenas distribuir o jogo, em um toque só. Quando lhe deram mais espaço, imaginando que não tentaria mais as jogadas individuais, ele foi pra cima e decidiu a partida, mesmo sem fazer gols. Passou a dar assistências tão precisas que foi escolhido o melhor em campo, mesmo sem marcar.

Felipe Anderson só precisa jogar mais

Assisti ao teipe de Palmeiras e Santos ontem, reparei bem na atuação de Felipe Anderson e digo sem pestanejar que não dá para o rapaz ficar no banco enquanto Diogo é escalado. Felipe tem aquela chama da criatividade e habilidade que só toca a alguns. Ele dá a impressão de que pode fazer algo importante quando pega a bola, ao contrário de Diogo, que parece querer apenas desvencilhar-se dela.

Já disse isso e repito: se há algum desses Meninos que pode exercer a função de Ganso no futuro, este é Felipe Anderson. Por isso, espero que seja muito bem preparado e orientado por Muricy Ramalho. Insistir com jogadores decadentes e deixar no banco um jovem promissor, criado na própria Vila Belmiro, não combina com as tradições do Santos.

E você, o que acha de Diogo, Possebon, Tiago Alves e Felipe Anderson?

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