Apoio cem por cento a intenção do presidente santista Luis Álvaro Ribeiro de pedir a ajuda da presidente Dilma Rousseff para que empresas estatais patrocinem Neymar e o mantenham no Brasil ao menos até a Copa de 2014.

As várias empresas do Governo gastam centenas de milhões por ano com propaganda. Se uma ou duas delas contratasse Neymar, o Brasil teria o seu Menino de Ouro no mínimo por mais três anos, com ganhos incomensuráveis para o mercado do futebol nacional.

Não se trata de conseguir uma verba nova para Neymar, mas apenas de destinar a ele uma parte pequena de um orçamento que já existe para este fim. E não seria algo inédito, pois vários atletas e equipes esportivas, entre elas algumas de futebol, já foram patrocinadas por empresas estatais.

De que adiantam circos sem artistas?

De que adianta erguer estádios milionários, com ajuda de dinheiro público, se nada for feito para manter os artistas no Brasil? Quem lotará o Itaquerão? Danilo e Ralf? Me poupe…

Seria uma grande incoerência o Governo investir uma fortuna para erguer praças esportivas caríssimas e nada fazer para manter no país não só Neymar, mas também Paulo Henrique Ganso e Lucas, os grandes talentos desta geração.

Futebol brasileiro pode voltar a ser um bom produto

A cota de tevê depende do valor pelo qual o Campeonato Brasileiro é vendido para o exterior. Não há dúvida de que com Ganso, Neymar e Lucas, só para citar os três, o Brasileiro de 2012 poderá ser negociado em outras bases e terá muito mais países interessados.

Tornando-se um produto mais atraente, o campeonato gerará mais dinheiro para os clubes e tornará o futebol nacional mais rico e organizado. Por outro lado, desfazendo-se dos ídolos que surgem, o futebol brasileiro estará condenado a ser um eterno coadjuvante.

A incoerência de parte da imprensa

Sei que tocar neste assunto é chover no molhado, mas é difícil entender as críticas que alguns jornalistas fizeram e fazem a Luis Álvaro por sua intenção de falar com Dilma Rousseff sobre a permanência de Neymar no país.

Ora, quem ganha mais com o aumento do interesse pelo futebol brasileiro? Quem terá jogos de melhor qualidade para cobrir e mais assunto no dia-a-dia caso o Brasil mantenha seus craques? A imprensa, ué, ou eu estou ficando maluco?

Se o futebol é o esporte mais popular do planeta e o Brasil tem a raríssima felicidade de contar com um jovem que poderá, sem sair do País, ser escolhido como o melhor do mundo, por que empresas estatais – como, por exemplo, o Banco do Brasil, que já patrocinou tanto o esporte nacional; os Correios e a Petrobras (não nos esqueçamos do Pré-Sal, na Bacia de Santos) – não podem contratar Neymar como seu garoto propaganda?

Outro detalhe é que por décadas convivemos com a figura do dirigente esportivo que vendia os craques do time sem a menor cerimônia, por valores que ninguém sabia ao certo quais eram. A desculpa era de que não se podia declarar o valor correto da transção, para fugir dos impostos. Por essas e outras é que jogadores como Kaká foram embora por ninharias jamais explicadas.

E quanto aparece um dirigente que faz das tripas coração para manter no seu time e no nosso país os melhores jogadores brasileiros do momento, alguns “formadores de opinião” ainda se dignam a criticá-lo.

O que preferem? A ética, a transparência, a luta pela valorização do nosso futebol? Ou o entreguismo, a atávica subserviência ao estrangeiro, a negociação comercial que troca o sonho e a arte representados pelo craque por um punhado de dinheiro que escorre pelos dedos?

E você, acha que Luis Álvaro está certo ou errado de procurar a Dilma?