Em meio aos ecos do jogaço contra o Flamengo, no meio da semana, o Santos fez outra grande partida hoje, contra o Atlético Paranaense, mas saiu derrotado de novo, desta vez por 3 a 2. Tem torcedor santista que deve estar com saudade dos jogos feios e amarrados que o Santos vencia na Copa Libertadores.

Sair perdendo por 2 a 0 em apenas oito minutos, com falhas gritantes da defesa, não é normal para um time que é considerado um dos melhores do país. Depois com técnica e muita luta, apesar do campo horrível, veio o empate. Porém, no final, outra falha defensiva deu ao Atlético a vitória.

Antes da partida eu já avisei ao meu irmão, Marcos. Não é porque o Atlético é o lanterna que o jogo será fácil. Ao contrário. Com jogadores bons e experientes, como Cléber Santana e Marcinho, Renato Gaúcho como técnico e jogando em casa, o Atlético tinha tudo para complicar as coisas, e foi o que aconteceu.

Com muita garra, como se estivesse decidindo uma final de Copa do Mundo, o Atlético quis mais a vitória do que o Santos, lutou mais pela bola e acabou sendo premiado no final. O Santos mostrou que é mais time, tem jogadores mais técnicos, porém, repetindo o que aconteceu com o Flamengo, perdeu de novo. Por que será?

Dois jogos é pouco para definir uma tendência. Porém, o time de Muricy Ramalho estava costumado a jogar mais precavido, com dois volantes protegendo a defesa. O jogo ficava mais amarrado, as vitórias eram magras, mas a defesa corria menos sustos. Agora a equipe está tentando ser mais ofensiva.

Com Arouca, Ibson, Elano e Paulo Henrique Ganso no meio, além de Neymar e Borges na frente, era para o Santos ter um controle maior de qualquer jogo que fizer contra rivais brasileiros, mas não é isso que está acontecendo. Por quê?

Porque Elano e Ganso marcam mal e agora têm mais um companheiro no meio que também não tem demonstrado ser um bom marcador, que é o Ibson. Técnica ele tem, mas não é disciplinado taticamente. Tem um jeitão meio peladeiro das praias cariocas, o que funciona com um atacante que precisa fugir da marcação, mas não com um volante.

Assim, Arouca ficou sozinho para proteger a zaga, e é pouco. Sem uns cães de guarda para dar a primeira mordida, a defesa santista, o setor mais veteranoe lento do time, fica perdida. Hoje dois gols do Atlético saíram de bolas cruzadas na área que encontraram um jogador livre. Nem Dorval, nem Edu Dracena estavam por perto.

Desta vez Pará não teve culpa. Aliás, ele fez uma boa partida, aproveitando-se de que no segundo tempo jogou na parte menos ruim do lamaçal que era o campo. Para variar, Neymar fez um golaço e criou chances. Borges também teve um bom desempenho. Léo lutou. Ibson se movimentou bastante. Durval deu encontrões e chutões. E só. Elano e, principalmente Ganso, não corresponderam à fama.

Esta formação, com jogadores de meio-campo mais técnicos, é a ideal, mas exige mais solidariedade, mais aplicação, mais comprometimento físico – o que Elano e Ganso não parecem dispostos a dar ao time. Se eles não resolverem jogar também quando estão sem a bola, ficará difícil vencer qualquer adversário.

Na zona do rebaixamento

No início do campeonato escrevi que se o Santos não fosse rebaixado neste Brasileiro, já estaria bom, pelo primeiro semestre que fez. Muitos acharam o cúmulo. Mas não escrevi o que eu queria, mas o que achava que deveria acontecer devido às circunstâncias.

Após oito rodadas com o time reserva, é difícil esperar que a equipe tivesse motivação suficiente para correr atrás do título. Não que não se esforçasse para ganhar de Flamengo e Atlético Paranaense, mas a verdade é que os adversários estão mais ajustados, mais concentrados no campeonato – que para eles é uma questão de vida ou morte, enquanto para os santistas é só mais uma refeição.

Mesmo com três jogos a menos do que os demais, o Santos não deve ficar tão tranqüilo quanto à possibilidade de rebaixamento, pois estes três jogos devem ser dificílimos, contra adversários estão entre os melhores times da competição.

Creio que o ideal agora seja relaxar e encarar cada jogo com o devido respeito e atenção. O time tem de voltar a ganhar pontos, essa é a verdade. A próxima partida já será outra pedreira, pois do jeito que tem jogado, o Vasco – que derrotou o São Paulo no Morumbi – é candidato ao título. E o jogo será em São Januário, o que torna o time carioca favorito. Sim, espero que seja um jogão de novo. Mas que desta vez o Santos não saia derrotado.

O pior adversário para o Santos é ele mesmo, é a cabeça de seus jogadores. Alguns estão com ela na Europa, outros estão pensando no Mundial do Japão, há ainda os que se amarguram demais por problemas familiares que não deveriam entrar em campo. Enfim, o Santos é um campeão em busca do reequilíbrio.

O que achou de mais esta derrota? A zona de rebaixamento mete medo?