Pergunte para qualquer criança brasileira sobre o jogo que ela quer ver hoje na tevê e a resposta será Santos e Flamengo, Neymar e Ganso contra Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves.

Pergunte para qualquer anunciante sobre os mercados que mais o interessam no Brasil e ele dirá: a cidade e o Interior de São Paulo.

Junte as duas informações e fique como eu, sem entender nada, quando a TV Globo anuncia que Santos e Flamengo será transmitido, no canal aberto, para todo o Brasil, menos para o Estado de São Paulo.

Leitores do blog que moram no Interior de São Paulo dizem que
a Globo está anunciando a transmissão do jogo do Santos hoje. Menos mal. Mas para quem mora na capital está mais fácil assistir aos clássicos da Europa do que os grandes jogos do Campeonato Brasileiro.

Essa manipulação é asquerosa. Formam os santistas, uma das torcidas de maior poder aquisitivo, a pagar o pay-per-view para ver o time jogar. E em pensar que a chance de se mudar isso foi perdida com a negociação apressada com a Globo.

Ou alguma coisa deu errada no planejamento da Globo, ou pediram para o diretor de balé fazer a programação do futebol. Não é possível que alguém na emissora, com ao menos um par de neurônios, acredite que Coritiba e São Paulo possa dar mais audiência na capital paulista do que Santos e Flamengo. Enfim, gosto não se discute. Se lamenta.

“Há outros valores além de dinheiro”. Frase lapidar de Pedro Nunes

A resposta que o diretor de futebol do Santos, Pedro Luiz Nunes da Conceição, deu aos jornalistas que mais uma vez o cercaram com perguntas sobre a decantada ida de Neymar para o Real Madrid, deve ser emoldurada e pregada na parede das redações esportivas do Brasil.

Disse o Pedro: “O Real Madrid está mal acostumado. Eles acham que dinheiro é tudo na vida e, às vezes, não é assim. Há outros valores acima disso”.

Não me lembro de ter lido ou ouvido nenhum diretor de clube brasileiro ter dito algo parecido. Até agora o dinheiro sempre falou mais alto. Não só o Real Madrid, mas os clubes europeus, até mesmo os medianos, estavam acostumados a conquistar a subserviência de presidentes e diretores de futebol brasileiros com um simples balançar de notas de euros.

Até porque esses dirigentes brasileiros, alheios aos interesses da torcida, eram os mais interessados nas transações, pois através delas é que desviavam dinheiro dos clubes para os seus próprios bolsos.

O Santos, mais uma vez, faz história e inaugura uma nova era nas relações com os clubes da Europa. Como já escrevi em muitos outros posts, com o Santos o buraco é mais embaixo. Os clubes europeus, e os seus baba-ovos, estão percebendo que há um clube na América do Sul realmente grande, que não coloca o dinheiro como sua prioridade.

Na verdade, não conheço, ao menos nas últimas quatro décadas, um clube que tenha tido uma postura tão altiva como o Santos nestes episódios com Neymar e Ganso. E isso contra boa parte de nossa inculta e colonizada opinião pública. Se pertencessem a outro clube, uma coisa é certa: os dois jovens já estariam longe do Brasil desde o ano passado.

O você acha de a Globo não transmitir Santos e Flamengo para São Paulo? E que tal a frase de Pedro Nunes, enquadrando o Real Madrid?