Elano dá à torcida do Santos a oportunidade de provar que ela não é volúvel como as outras

Torcedor costuma ser implacável. Jogador errou, ele cai em cima mesmo. E o Elano errou, não se pode negar. Errou na Seleção e errou no jogo contra o Flamengo. Se batesse aquele pênalti com seriedade, o Santos e os santistas dificilmente teriam sofrido a decepção de perder um jogo ganho. Mas Elano tem crédito e não só merece ser perdoado, como apoiado.

Ele vivia um momento psicológico difícil, com a tentativa de seqüestro do pai e o fim do namoro. Não deveria ter pedido para cobrar o pênalti, é certo, mas tentou superar as adversidades com coragem.

Quem sabe, com o apoio dos santistas, Elano perceba que o futebol pode ser o caminho para o seu reequilíbrio. Jogue como se ainda fosse uma criança nos campinhos de terra batida, Elano. Redescubra o menino que há em você e seja feliz com o Santos e os santistas. Aqui é a sua casa.

A falsidade do Real

Esta semana fomos surpreendidos com a notícia de que o técnico José Morinho e o presidente do Real Madrid, intermediados pelo empresário Wagner Ribeiro, assediaram Neymar na maior cara dura. Mourinho teria dito, por um sistema de vídeo-conferência: “Vem pra Madrid garoto”. Pois eu, se fosse presidente do Santos, teria respondido: “Por que você não vai se catar, Mourinho?”.

Essa intromissão do Real Madrid e dos clubes europeus na vida do Santos já passou dos limites. Imagine o inverso: Luis Álvaro e Muricy Ramalho convencendo abertamente um jogador do Real Madrid a vir jogar no Alvinegro Praiano, contra a vontade do clube espanhol. Seria o fim do mundo.

Acho que a diretoria do Santos está começando a ter uma atitude passiva demais nesse episódio. Fica parecendo que, no fundo, não há tanta vontade assim de manter o jogador no Brasil. Se é uma questão de dinheiro, faça uma caixinha que o torcedor do Santos ajuda a pagar o salário do Neymar. Virou uma questão de honra manter Neymar no Santos.

Este mesmo Real fugiu do Santos a vida inteira depois de vencer o Alvinegro Praiano em 1959, em Madrid. Pelé contou-me esta história na quinta-feira: “O Santos estava cansado e o vôo de volta já estava marcado para aquela noite quando arrumaram este jogo. Jogamos desfalcados, eles ganharam por 5 a 3 e depois nunca mais quiseram nos enfrentar. Chegaram a abrir mão de uma taça (Torneio de Buenos Aires, em 1965) só para não nos dar o prazer da revanche”.

Este mesmo Real, que levou Robinho e tirou-lhe a espontaneidade do drible, agora quer pasteurizar também a Neymar. Seria um mau negócio para o Menino de Ouro seguir o mesmo caminho infeliz de Robinho. É claro que o empresário Wagner Ribeiro, que só vê cifrões na sua frente, está louco para fechar o negócio e embolsar uma fortuna. Mas Ribeiro é tão confiável como uma nota de 30 reais.

E você, o que acha de apoiar Elano? E da intromissão do Real?