Uma puxada imprevisível, de costas, acabou no ângulo no goleiro Marcelo Lomba, aos 36 minutos do segundo tempo, e o grandalhão Alan Kardec, que acabara de entrar no lugar de Borges, acabou fazendo gol da primeira vitória do Santos fora de casa neste Campeonato Brasileiro.

A substituição foi oportuna, pois Borges estava irreconhecível. Não conseguia segurar a bola, tabelar e já tinha perdido dois gols. Alan Kardec mal tinha tocado na bola quando pegou o rebote da defesa do Bahia e virou para marcar um gol muito importante.

O Santos começou muito bem e teve um pênalti a favor logo aos 2 minutos. Desta vez Neymar cobrou bem, no canto esquerdo do goleiro, e abriu o marcador. O mesmo Neymar teve outro grande chance para marcar. Driblou o goleiro e chutou, mas um zagueiro do Bahia conseguiu defender. No rebote, Borges também desperdiçou a oportunidade.

A partir daí, o Bahia passou a dominar o jogo e, não fossem as defesas de Rafael, teria empatado muito antes dos 29 minutos – momento em que Junior aproveitou o rebote de Rafael e deixou tudo igual.

Na segunda etapa o jogo prosseguiu indefinido, mas ao menos se percebia mais empenho dos santistas. Arouca e Henrique se entendiam melhor na marcação. O goleiro Vladimir, que entrou no lugar de Rafael, com um corte no supercílio, mostrou-se muito seguro e, com boas defesas, impediu a virada do Bahia.

Quando o jogo caminhava para o fim e o empate já parecia um bom resultado para o Santos, Alan Kardec operou o milagre. Os três pontos ganhos deixaram o Alvinegro Praiano com 18 pontos, um acima do Atlético Paranaense, o primeiro time na zona de rebaixamento.

Arouca foi o melhor do time. Henrique melhorou

O volante Arouca voltou a jogar muito bem e não só fez a sua parte, como cobriu as desligadas de Elano e Paulo Henrique Ganso. Henrique teve sua melhor atuação desde que foi contratado. Adriano se saiu bem como lateral-direito. Léo tentou, mas não repetiu seus melhores desempenhos.

A defesa não sentiu a falta de Edu Dracena. Ao contrário: a marcação nas bolas altas melhorou e o time também cometeu menos faltas próximas à área. Ganso tentou acertar, tentou se apresentar mais para o jogo, porém é evidente que está com dificuldades de voltar ao seu melhor futebol. Elano idem.

Neymar foi o mesmo de sempre. Driblou, criou jogadas, levou muitas faltas e continuou indo pra cima dos beques. É a grande expressão técnica do Santos, em qualquer circunstância. Desta vez cobrou bem o pênalti, sem enfeitar. Pena que Borges não tenha conseguido completar uma tabela.

O goleiro Rafael foi um dos melhores do primeiro tempo, mas sua saída não prejudicou o Santos, pois o reserva Vladimir também jogou muito bem.

Estádio lotado para ver o Bahia contra Neymar

As dezenas de crianças que entraram com os jogadores de Santos e Bahia proporcionaram uma cena curiosa: logo depois do hino nacional, todos cercaram Neymar para pedir autógrafos ou posar para fotos ao lado do santista. Até mesmo as crianças com a camisa do Bahia deixaram os jogadores do tricolor de lado para se aproximar do pop star do Santos.

O público do Estádio de Pituaçu, de 36.740 pessoas, foi quase 200% maior do que o que viu o clássico entre Vasco e Fluminense, no Engenhão (13.143 pagantes). Isso é mais uma evidência de que o Santos é um time de projeção nacional, que,ironicamente, só atrai públicos pequenos quando joga na Vila Belmiro.

Globo falou das três finais Santos x Bahia da Taça Brasil

No intervalo do jogo transmitido pela tevê aberta, a Globo levou ao ar uma reportagem mostrando as três finais Santos x Bahia que decidiram a Taça Brasil, válidas pelo título brasileiro. Foi uma bela demonstração de que, respeitando seu próprio manual de jornalismo, a emissora será imparcial e correta no reconhecimento dos títulos brasileiros de 1959 a 1970.

E você, o que achou de Bahia 1, Santos 2? Será que agora vai?