O pior torcedor que um time pode ter é aquele só de vitórias. Que veste a camisa, faz festa e goza os adversários nas vacas gordas, mas depois some nas magras. Ontem um santista histórico me ligou e disse que estava tirando uma licença como torcedor, e que só voltaria à ativa no Mundial da Fifa. Só não o mandei para aquele lugar por respeito à sua idade e passado.

Como já escrevi em outro post, vivi a época em que me contentava em ver e vibrar com um gol do Santos, em sentir a emoção de um mísero gol, apreciar os santistas felizes, mesmo que depois o adversário virasse o jogo. Assim, aprendi a ser santista nas horas boas e más.

Uma equipe vencedora vive conquistando títulos, uma mediana ao menos ganha um jogo de vez em quando, mas uma bem menor, ou que passa por uma crise, transforma cada gol em um momento de alegria incontida (porque a gente nunca sabe quando virá o outro).

Este Santos do Brasileiro tem sido um time menor, limitado, que não tem seguido seu impulso ancestral de fazer muitos gols. Vejo que nas últimas quatro partidas o Alvinegro Praiano só marcou uma vez: na vitória de 1 a 0 sobre o Ceará. Nos outros três jogos, empatou com o Corinthians em 0 a 0; perdeu para o Vasco por 2 a 0 e para o Atlético Goianiense também por 2 a 0. Ou seja, este Santos não é o Santos.

Depois de conquistar uma tão esperada Libertadores, a campanha santista no Brasileiro é mais do que decepcionante: é vergonhosa. A folha de pagamentos deve ser maior do que a soma da folha de dez outros times da Série A. No entanto, o futebol não deslancha.

Claro que isso dá margem a especulações. Não é normal um campeão jogar de forma tão medíocre, admito. Agora, querer perder, nenhum jogador quer. A vitória lhe dá visibilidade, faz com que seja saudado pela torcida, valoriza seu passe, aumenta a chance de ser convocado para a Seleção… Enfim, em um esporte competitivo, a vitória é tudo e a derrota, nada. Um jogador que perde por querer é, além de masoquista, pouco inteligente. Não ganhará absolutamente nada agindo assim.

O Ganso é um exemplo do que as derrotas podem fazer à carreira de um jogador. Já foi para o banco de reservas da Seleção Brasileira e, se continuar assim, irá para o banco do Santos. Seu passe se desvaloriou. Há dúvidas quanto a sua condição física. E até na enquete do melhor meia da história do Santos, neste blog, está atrás de Giovanni, Pita e Mengálvio. Ou seja, só perdeu prestígio. Se o time estivesse ganhando, a queda do Ganso nem seria tão sentida.

Agora vem a notícia de que Ibson, recém-contratado, ficará fora do time por um mês, devido a uma lesão no músculo da coxa esquerda. Elano também não jogará hoje, às 21h50m, contra o Coritiba, devido a um entorse no tornozelo.

Outro que pode ficar fora do jogo é Arouca. Se for vetado, rezarei aos deuses do futebol para que Muricy comece o jogo com Felipe Anderson no meio, mas temo que insistirá com o inútil Diogo. Os outros do meio-campo deverão ser Adriano, Henrique e Ganso. Na frente, os batalhadores Neymar e Borges.

O zagueiro Edu Dracena volta ao time e completa sua centésima partida com a camisa do Santos. Espero que tenha motivos para comemorar depois do jogo.

Coritiba, um adversário muito perigoso

Mas, com todos esses problemas, se for para o torcedor ir para a Vila Belmiro com a intenção de vaiar o time, é melhor ficar em casa. O adversário é o bom Coritiba, sensação do Brasil no primeiro semestre, o mesmo que sapecou 6 a 0 no Palmeiras.

Coritiba de Marcos Aurélio, Léo Gago, Tcheco, Everton Costa, Anderson Aquino, Bill, Jéci, Rafinha, orientados com ousadia pelo técnico Marcelo Oliveira (o lateral Maranhão, cujo passe pertence ao Santos, não jogará). Um time, enfim, que pode muito bem derrotar o Alvinegro em pleno Urbano Caldeira e fazer o Peixe viver seu pior momento desde 2009.

Com apenas 15 pontos ganhos em 14 jogos (média sofrível de um ponto por jogo), o Santos só não está na zona de rebaixamento pelos critérios de desempate. Portanto, a vitória é essencial e só será obtida se, além do empenho dos jogadores, o time contar com a força que vem das arquibancadas.

Gostaria muito de ver ao menos oito mil pessoas hoje, na Vila Belmiro, mas, conhecendo bem o torcedor santista, acho que se chegar à metade disso já será lucro. Enfim, o momento é delicado. Resta torcer para que os jogadores – e os torcedores – do Santos mostrem do que são feitos e iniciem hoje uma honrosa volta por cima. Quanto a mim, encararei o Coritiba como um Barcelona do Sul.

Times prováveis

Santos: Rafael; Pará, Edu Dracena, Durval e Léo; Adriano, Henrique, Arouca e Ganso; Neymar e Borges.

Coritiba: Edson Bastos; Jonas, Emerson, Jéci e Eltinho; Leandro Donizete, Tcheco, Rafinha e Éverton Costa; Anderson Aquino e Bill.

Arbitragem: Antonio de Carvalho Schneider (RJ), auxiliado por Wagner de Almeida Santos e Eduardo de Souza Couto (ambos do RJ).

Dossiê já está à disposição

Hoje será iniciado o envio dos exemplares do “Dossiê – Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959” para quem já fez o cadastro. Os cadastrados terão hoje e amanhã para confirmar a compra. A partir de sexta-feira o livro estará disponível para todos os visitantes do blog.

E você, o que espera de Santos x Coritiba? Será que o time deslancha?