O santista já nem faz mais questão de ver um futebol bonito. Desde que o time vença o Ceará, hoje à tarde, no Pacaembu, o time já respirará aliviado e, quem sabe, terá tempo de empreender uma reação neste Brasileiro. Outro resultado ruim e a pulga se transformará em um elefante atrás da orelha.

Com apenas 11 pontos em 11 jogos, o Santos faz o seu pior início de Campeonato Brasileiro. Este período lembra o Paulista de 1994, quando chegou à última colocação com apenas 10 pontos em 13 jogos (depois, o técnico Pepe pediu demissão, Serginho Chulapa assumiu e, com métodos pouco ortodoxos, fez o time chegar à segunda posição no segundo turno e ainda se classificar para o quadrangular final).

Serginho decidiu que o time ganharia todos os jogos em casa e ao menos empataria fora. Se não desse na técnica, teria de ser na garra. Jogadores suspeitos de fazer corpo mole tinham uma conversinha reservada com o temperamental treinador. Ao menos em 1984 isso deu certo.

O técnico Muricy Ramalho, nem torcedores, nem ninguém, precisam ameaçar bater nos jogadores para eles correrem. Os dois títulos no primeiro semestre, entre eles a importante Libertadores, trazem um natural relaxamento. Mas acho que a esta altura todo mundo no elenco e na comissão técnica já percebeu a gravidade da situação.

O Santos tem três jogos a menos, mas são jogos difíceis, e teria de ganhar ao menos dois deles para se afastar um pouco mais da zona de rebaixamento. Ou seja, não dá mais para jogar desconcentrado e perder pontos importantes.

Que meio-campo Muricy escalará hoje?

Há sites esportivos que apostam na saída de Ibson e a entrada de Adriano ou Henrique, jogadores mais volantes do que o festivo ex-flamenguista. Não sei. Acho que justo na partida de hoje, em que as chances de vitória são maiores, o técnico terá a tendência de começar o jogo com o mesmo meio-campo que vem atuando, com Arouca, Ibson, Elano e Ganso.

Se Ibson não começar jogando é porque seu desempenho não agradou – ao menos no aspecto tático – e, apesar do alto salário (cerca de 300 mil mensais), deverá amargar o banco de reservas. Será ruim para o clube constatar que a sua maior concentração nesse período perderá a posição para um jogador da base há pouco tido como descartável.

E o pior é que nem acho que o maior problema do meio-campo do Santos tem sido Ibson, e sim Paulo Henrique Ganso e Elano, que deverão iniciar a partida. Ambos têm tido atuações inconvincentes há um bom tempo, tanto no Santos, como na Seleção Brasileira. Vejamos como se sairão hoje…

Uma coisa que o Ganso precisa colocar na cabeça é que ninguém pede aumento de salário quando não está se destacando no desempenho de sua função. Neymar ganha mais e tem uma fila de empresas para patrociná-lo (a última delas é a meia Lupo) porque tem jogado melhor e se dedicado mais ao time, coisa que Ganso e Elano não estão fazendo.

Em suma, é o mercado que acaba definindo o salário de um jogador. Se jogasse tão bem como ele e seus assessores acreditam, Ganso já teria recebido propostas no valor de sua multa de 50 milhões de euros. Mas só tem aparecido clubes que querem pechinchar para leva-lo.

Mudança de assunto, maior até do que a expectativa para o rendimento do meio-campo é a ansiedade do santista para ver a estreia do lateral-direito Leandro Silva. A posição, todos sabem, é problemática, e ninguém tem se firmado nela nos últimos anos (Jonathan, que jogou bem, já foi embora).

O bom Ceará, um time corajoso

Semifinalista da Copa do Brasil, o Ceará tem tido uma campanha corajosa no Brasileiro. Treinado pelo técnico Vagner Mancini, o time parece ter mais sucesso quando joga no contra-ataque do que quando precisa pressionar o adversário.

Com 18 pontos ganhos em 14 jogos, o alvinegro do Ceará tem cinco vitórias, três empates e seis derrotas. Mancini e seus comandados sabem que a equipe, por mais que se esforce, é uma candidata em potencial para o rebaixamento e, por isso, se entregam a cada partida como se fosse uma decisão.

O público tem de ser bom

Mesmo sem Neymar, espero um bom público hoje, no Pacaembu. Afinal de contas, quase todos os campeões da Libertadores estarão presentes. E, mais do que nunca, o Santos precisa de sua torcida. Ainda não é hora de cobrança, mas sim de apoio. Uma vitória hoje e as nuvens se abrirão.

O time mais provável do Santos é Rafael; Leandro Silva, Edu Dracena, Durval e Pará; Ibson (ou Adriano, ou Henrique), Arouca, Elano e Paulo Henrique Ganso; Diogo (Alan Kardec) e Borges.

O Ceará deverá jogar com Diego; Boiadeiro, Fabrício, Edmilson e Egídio; Rudnei, Michel, Heleno e Thiago Humberto; Osvaldo e Marcelo Nicácio.

A arbitragem será de Fabrício Neves Correa (RS), auxiliado por Julio Cesar Rodrigues Santos (CBF) e Luiz Muniz de Oliveira (RJ).

E você, o que acha do jogo de hoje? Acredita que finalmente alguns jogadores do Santos, como Ganso e Elano, estrearão no Campeonato Brasileiro?