Perder é normal no futebol, principalmente se não há motivação suficiente Mas, quando um time poderoso como o Santos perde várias vezes seguidas, é impossível não surgir teorias conspiratórias. Algumas delas são de que os jogadores estão insatisfeitos por ainda não terem recebido o prêmio pela conquista da Libertadores, outra é de o alto salário de Ibson desagradou muita gente, de que Muricy Ramalho não é um técnico tão bom assim e, para mim a mais grave de todas, de que há uma ciumeira no elenco com relação à projeção de Neymar.

Deixo claro que não acredito em nada disso. Muricy, para mim, continua sendo o melhor técnico do Brasil e nenhum jogador entra em campo para perder. Desde as primeiras peladas de rua um garoto aprende a lutar pela vitória. A derrota significa tristeza, vergonha, decepção. Não se ganha absolutamente nada perdendo. Provocar a demissão do técnico? Bobagem, pois quem acaba ficando com fama de perna de pau é o jogador.

Os recentes insucessos desvalorizaram todos os jogadores do Santos, com exceção, talvez, de Neymar e Arouca. Se há algum que não está se empenhando de propósito, então ele mereceria desconfiança não só como atleta, mas como ser humano. Sabotar o trabalho dos companheiros é tão baixo que não haveria palavras para definir tal comportamento.

Nos (exemplares) tempos de Pelé

“Ele ganhava muito mais do que nós, mas a gente não ligava e ainda achava bom, pois com ele no time a gente também ganhava mais”.

Quem me disse esta frase, quando eu estava pesquisando para escrever o livro “Time dos Sonhos”, foi José Ely de Miranda, o lendário Zito, o maior líder que o Santos já teve.

Zito servia de elo entre a diretoria, a comissão técnica e os jogadores e nunca permitiu que picuinhas afetassem o rendimento do time. Ele sabia que uma das razões do sucesso daquela equipe era esta compreensão que todos deveriam ter do justo valor do ídolo maior, que era Pelé.

Se hoje há no Santos jogadores que se incomodam com o brilho de Neymar, então, além de se reciclarem como profissionais, precisam de um Zito para lhes ensinar como conviver com um ídolo.

Aliás, por que, com tantos ícones do passado à disposição, o Santos não convida alguns para conversar com os jogadores, contar-lhes o segredo do melhor time de todos os tempos?

O problema, para mim, se é que realmente existe, é colocar objetivos pessoais acima do coletivo. É não encarar cada partida como a única oportunidade que um jogador de futebol tem de mostrar que merece ser valorizado.

E para você, qual o problema deste Santos?