Quem começou a torcer pelo Santos no final dos anos 50, como eu, já ficou triste quando o time ganhou de pouco e já se contentou com derrotas honrosas. Sim, houve uma época tão escassa de vitórias que ver um único gol santista já me deixava feliz. Neste Brasileiro esta sensação ruim voltou.

O Santos tem dado poucas alegrias ao seu torcedor a cada jogo. O time que mais fez gols no futebol mundial, só marcou uma vez nos últimos quatro compromissos e é o que menos chuta contra a meta adversária dos 20 que participam do campeonato. Segundo a Datafolha, o Santos arremata apenas 10 vezes a gol por partida. Isso vai totalmente contra o seu DNA.

Já escrevi diversas vezes que o Santos só é Santos quando tem um ataque poderoso. Tudo bem que fechar o sistema defensivo e viver das avançadas de Neymar no ataque deu certo na Libertadores e no Paulista no primeiro semestre, mas não dá para ser assim, sempre.

Não é normal o Alvinegro Praiano ter um dos piores ataques de uma competição, como está acontecendo agora, em que fez apenas 16 gols em 14 jogos (metade deles marcados por Borges) e só é menos ruim do que os Atléticos de Goiânia e do Paraná.

A mudança passa por Muricy e pelos jogadores

Sabemos que os times estão fechando o meio-campo com até cinco jogadores e esta tática tem sido a responsável pela escassez de gols no futebol brasileiro. Mas este sistema já prevalecia no ano passado e mesmo assim o Santos de Dorival Junior cansou de aplicar goleadas.

Hoje, apesar das más contratações, há jogadores no elenco para tornar este time mais ofensivo. Só depende da ousadia e do talento para armar a equipe do técnico Muricy Ramalho. Reconheço que a mudança não será fácil para alguém que é especialista e bem-sucedido em uma fórmula mais conservadora de jogo, mas, se não mudar, se não jogar esse time pra cima deles, principalmente nos jogos em casa, Muricy poderá condenar esta equipe a passar o maior vexame de sua história.

Por outro lado, a tática ofensiva moderna é menos preguiçosa, pois exige que o jogador avance mas, ao perder a bola, ajude ativamente na marcação. Se ele vai e fica, abre buracos no meio por onde escoarão os contra-ataques adversários. Ou seja, é possível ser ofensivo e mesmo assim sofrer poucos gols, desde que haja solidariedade entre os jogadores.

É possível também ser ofensivo até que se faça o resultado, e depois fechar a defesa e jogar nos contra-ataques. Enfim, há várias alternativas para tornar uma equipe mais perigosa, sem correr tanto risco. Cabe ao técnico Muricy encontrar a que mais se ajustará a este Santos.

Ganso no banco, ou o lado de Felipe Anderson?

Considero Paulo Henrique Ganso um dos melhores jogadores que já vi. Pela visão de jogo, pela inteligência, pelo toque refinado. Mas não sei o que se passa em seu corpo e sua cabeça. O certo é que não está jogando nem 10% do que pode. Então, para que se prepare melhor e volte a ficar focado no Santos e no futebol, talvez o melhor seja passar um tempo no banco de reservas.

Ganso recebeu o privilégio de não ter de marcar ninguém em troca de seus passes geniais. Mas, se entra jogo, sai jogo e eles não vêm, então é melhor que ele comece a marcar, como qualquer outro mortal, ou então que vá para a reserva.

Eu experimentaria Felipe Anderson no lugar de Ganso. Mas, antes, daria moral ao garoto. Eu diria ao Felipe: “Entre e jogue o seu futebol. Crie à vontade, mas ajude na marcação. Fique tranqüilo, pois só vou substitui-lo se você estiver muito mal, o que não acontecerá”.

Um tentativa ainda mais radical seria colocar Felipe Anderson ao lado de Ganso e aí sim teríamos dois jogadores no meio que poderiam trocar passes e fazer lançamentos. Os outros dois do setor teriam de jogar como volantes recuados, protegendo a entrada da área santista.

Um ataque eficiente segura o time do outro lá atrás

Nas estratégias do futebol, como em tudo na vida, há ação e reação. A partir do momento em que se tornar mais ofensivo, o Santos obrigará o adversário a se preocupar ainda mais com a defesa. Se hoje, para anular o poder ofensivo do Santos, basta colocar dois ou três jogadores em cima de Neymar e mais dois sobre Borges, com mais atacantes o Alvinegro Praiano forçará o oponente a manter um batalhão lá atrás, reduzindo drasticamente o seu poder de fogo.

O problema é que não há ninguém com características ideais para formar o ataque ao lado de Neymar e Borges. O limitado Alan Kardec é centroavante, como Borges. Colocar os dois em campo é como usar cinto e suspensório ao mesmo tempo. Um dos dois se tornará supérfluo.

Como já não se pode mais contar com Maikon Leite e nem com o Robinho (do Avaí), que poderiam exercer esta função; e como o jovem e impetuoso Tiago Alves ainda parece pouco afeito ao jogo coletivo, creio que se poderia fazer uma experiência com Felipe Anderson como o terceiro jogador de ataque, com a incumbência de fechar o meio quando estiver sem a bola.

Assim, com um meio-campo formado por dois volantes (Arouca e Adriano, ou Arouca e Henrique) e mais um meia (Elano, Ibson ou Paulo Henrique Ganso), seria possível jogar com Felipe Anderson, Neymar e Borges mais à frente.

Também se poderia tentar avançar mais o Ibson, que para mim não é volante nem aqui, nem na China. Enfim, alguma coisa tem de ser feita para que o Santos volte a marcar gols. Sem eles, o time é como um Peixe fora d’água.

E para você, o que Muricy deve fazer para tornar o Santos mais ofensivo?