Pra começar, é um erro valorizar a média de público de um time nos seus jogos em casa. O público médio que uma equipe atrai em suas partidas no campo do adversário é que dá a medida de sua importância. Até por isso a Globo paga uma cota de tevê maior ao Santos, considerado um time “nacional”, do que a Atlético/MG, Grêmio, Internacional, por exemplo, que são fenômenos regionais.

Neste Brasileiro, mesmo muito mal colocado na tabela, o Santos bateu o recorde de público nos jogos do Atlético Paranaense em Curitiba, com 20.461 espectadores, 439 a mais do que a partida do rubro-negro do Paraná contra o Flamengo. Em Salvador, também atingiu a lotação completa, igualando o público do jogo contra o Flamengo.

No primeiro semestre, teve os maiores públicos do Pacaembu, superando o do jogo entre Corinthians e Tolima, pela Copa Libertadores (sem contar que a aflição do alvinegro da capital pelo título da competição sul-americana era bem maior do que a dos santistas por sua terceiro conquista da Libertadores).

A Vila Belmiro é o teatro para o show acústico

O santista encara a Vila Belmiro como uma casa de espetáculos. É como se lá o artista fosse dar o seu show acústico, artesanal, personalizado. Levar a média de público da Vila para uma hipotética comparação de torcidas é ignorância ou má intenção. Até porque há vários fatores que influem no público da Vila.

1 – O santista é exigente, não vai a qualquer jogo. 2 – Depois de um Paulista e uma Libertadores, é normal segurar a grana, já que os ingressos estão caros. 3 – O aumento do pedágio, o trânsito complicado para sair de São Paulo e a violência têm diminuído o número de paulistanos que descem para a Vila Belmiro. 4 – O Santos se acostumou a depender pouco dos jogos em casa.

Desde o final dos anos 50 o Santos se tornou um produto de exportação, que se exibia mais no campo adversário do que no seu próprio. Um time que cansou de inaugurar estádios e disputar títulos pelo mundo afora, vencendo mais de 70% de seus jogos. Enfim, essa popularidade não veio de graça.

Se jogar na Capital, como já fez durante boa parte de sua história, o Santos voltará a ter, no mínimo, a segunda média de público do Estado. A história comprova. Não é à toa que o maior público que já assistiu a um jogo do São Paulo tinha mais santistas do que são-paulinos (122.535, em 16/11/1980, no Morumbi), o maior que já viu um jogo do Palmeiras também tinha mais santistas (123.318, em 15/08/1978) e que dos 14 jogos de maior público que fez, o Corinthians jogou metade deles com o Santos.

Não é também por acaso que o clube mais popular do país, o Flamengo, tenha feito contra o Santos o seu jogo interestadual com maior público, em 1983. Sem contar a Portuguesa, que teve mais gente assistindo a uma partida sua na decisão do título paulista de 1973, quando 80% do Morumbi era santista.

Timemania confirma o caráter nacional do Alvinegro Praiano

Com o teste de ontem, o acumulado da Timemania de 2011 continua apontando o Santos como o terceiro mais votado do país como o “time do coração”. Com 1.910.798 votos, ou 3,78% do total, o Alvinegro Praiano tem 92.752 votos acima do quarto colocado, o São Paulo. E o importante – segundo apurei na Caixa Econômica Federal – é que em cerca de 98% das apostas o apostador concorreu com apenas um volante. Portanto, cai por terra a versão de que o Santos tem um batalhão de milhares de idosos apostando freneticamente na Timemania, como querem alguns.

Outro detalhe importantíssimo é que enquanto as pesquisas de torcida feitas por institutos não chegam a ouvir pessoas de 2,5% das cidades brasileiras, a Timemania está presente em 10.876 casas lotéricas espalhadas por 3.500 municípios, ou seja, 62,8% das cidades brasileiras têm apostadores da Timemania, o que a torna a pesquisa mais globalizada de torcidas que já se fez no Brasil.

Por fim, não há como discutir a gritante diferença entre o universo de pessoas consultadas. Enquanto os institutos não têm vergonha de anunciar pesquisas em que foram ouvidas menos de mil pessoas, a Timemania, desde o início de 2010, já recebeu cerca de 160 milhões de apostas, o que resulta em um público único de no mínimo 40 milhões de pessoas.

Outras informações da Caixa sobre a Timemania é que, assim como a Loteria Esportiva, é um tipo de aposta preferida por quem se interessa por futebol. Diz um release da Caixa: “Os homens são maioria entre os apostadores das loterias da Caixa, representando 61,5% do público dos concursos. Por faixa etária, os dados são homogêneos entre a população a partir dos 25 anos. Cerca de um quarto dos apostadores (exatos 25,4%) tem 55 anos ou mais. Ainda de acordo com a Caixa, as loterias possuem clientes de todas as classes sociais, com maior participação das classes B e C.

Santos é como um bairro de São Paulo

Com o mesmo público de 400 mil habitantes há algumas décadas, Santos não tem mais para onde crescer. E, como não possui indústrias, maior fator do aumento da renda per capita, sua população tem, em média, um poder aquisitivo menor do que o dos habitantes da capital. Isso pode mudar com o advento do pré-sal. Porém, mudará até que ponto?

O uso do combustível fóssil tem uma vida útil de mais 20, 30 anos, no máximo. Se a Baixada Santista apostar todas as suas fichas no petróleo, o que será dela quando ele acabar? Quanto o pré-sal poderá aumentar o poder aquisitivo e a população da região? Enfim, são questões a serem respondidas antes de se pensar em um estádio na Baixada.

Por outro lado, há um reduto de no mínimo 1,5 milhão de santistas que está a menos de 80 quilômetros de Santos. Das centenas de bairros de São Paulo, só dois – Capão Redondo e Cidade Dutra – têm, juntos, 478 mil habitantes e, entre eles, no mínimo 100 mil santistas.

Sei que este assunto gera muita discussão, pois há os santistas de Santos que preferem ver o time cair para a quarta divisão, ou mesmo se extinguir, do que jogar fora da cidade. Eu já acho que a questão deve ser analisada sem paixões e a escolha deve ser a melhor para o Santos.

A grande maioria dos santistas aprendeu a amar o time onde quer que ele jogue, e se preocupa apenas em vê-lo cada vez mais forte e competitivo. Para este grupo de torcedores, do qual eu faço parte, o importante é atrair, nos seus jogos em casa, ao menos o mesmo público que o vê quando ele é visitante.

E para você, o que fazer para aumentar o público do Santos nos jogos como mandante? Um estádio na Baixada Santista é viável, ou é melhor usar mais o Pacaembu?