Vamos separar as coisas: o Santos realmente jogou mal e, pelo domínio no segundo tempo, a vitória caiu bem para o valente Atlético Goianiense. Porém, escalar um árbitro que está processando Neymar foi um erro grave da comissão de arbitragem. A birra com o jogador do Santos pode ter feito Sandro Vieira Ricci não dar um pênalti claro em Neymar, no primeiro tempo, e ainda punir o atacante com cartão amarelo.

Neymar recebeu um passe pela esquerda. Dominou a bola na corrida e passou por Adriano. Ficaria só diante do goleiro Márcio, em situação claríssima de gol, quando foi tocado pelo joelho de Adriano e caiu. Mais pênalti do que isso não existe. Seria impossível continuar de pé depois de deslocado naquela posição. Pois o árbitro não só não deu, como ainda viu simulação de Neymar. Não há palavras para definir mais esse erro do manjado Vieira Ricci.

O árbitro é o mesmo que viu pênalti de Gil em Ronaldo no Brasileiro do ano passado, no Pacaembu, lance que tirou do Cruzeiro a chance de lutar pelo título. Ou seja, Ricci vê pênalti onde não há e faz vistas grossas aos que existem. Não é à toa que é um dos árbitros brasileiros com mais pendengas jurídicas. Faz as suas lambanças e depois tem o hábito de processar que o critica.

Time grande, se não se aplicar, também cai, sim

O santista, para provocar outros torcedores, adora repetir que “time grande não cai”. Eu não concordo. Até porque Corinthians, Palmeiras, Grêmio, Atlético/MG, Vasco e Botafogo são grandes e já caíram. Que os torcedores brinquem, é aceitável, mas que os jogadores, a comissão técnica e a diretoria continuem acreditando que estão livres do pesadelo, não é admissível.

Vejo a escalação do Atlético Goianiense e não descubro nenhum jogador que pudesse ser titular no Santos. Márcio; Adriano, Gilson, Anderson e Thiago Feltri; Agenor, Pituca, Bida e Thiaguinho (Diogo Campos); Juninho (Ernandes) e Anselmo (Leonardo) não só não jogariam no Alvinegro Praiano, como, se somados todos os salários, não daria o que ganham um ou dois santistas. Para completar, o técnico que dirigiu o time, ontem, foi o interino Jairo Araújo, sem um milésimo do prestígio de Muricy.

Então, com todo o respeito ao Atlético, o Santos não poderia ter perdido, apesar do erro clamoroso do árbitro. Do time que foi campeão da Libertadores, só não estiveram em campo Elano e Zé Love. Perder de 2 a 0 para um time que também lutava para sair da zona de rebaixamento – e conseguiu isso com os três pontos da vitória – é inadmissível.

Alerta já está aceso. Agora é hora de ligar a sirene

Apenas uma vitória nos últimos seis jogos já é retrospecto ruim o bastante para deixar o departamento de futebol preocupado. Se o técnico Muricy Ramalho e a comissão técnica não estão resolvendo, é hora da diretoria ou até do presidente entrar em ação.

É preciso conversar com os jogadores, saber o que está acontecendo. Espero estar errado, mas sinto que há alguma coisa estranha no ar. Talvez Muricy tenha de perguntar para cada jogador se está disposto a pagar o preço de empreender a luta menos charmosa – pois não vale título algum – mas essencial contra a vergonha do rebaixamento.

Quem não estiver disposto, que diga, e que vá para o banco de reservas. Virou uma questão de honra, de vergonha na cara. Um time que foi campeão da Libertadores não pode jogar tão mal assim no Brasileiro.

Se há problema de prêmios ou salários atrasados, que a diretoria reconheça. Se não há, que isso também seja noticiado, pois assim o torcedor terá uma idéia exata do que está ocorrendo. Nestes momentos, mais do que nunca, é necessária uma transparência absoluta.

Você acha que a derrota foi normal, ou há algo estranho no time do Santos?