Estou em Santos, onde amanhhã eu e o jornalista Igor Ribeiro daremos o segundo dia de oficinas de texto da Revista Imprensa no jornal A Tribuna. No táxi até o hotel, vim conversando com o motorista, santista roxo. Perguntei-lhe o que achava dessa eterna questão que é jogar na Vila Belmiro ou no Pacaembu.

– O Santos tem de jogar sempre na Vila. O Santos é de Santos – disse ele. Eu respondi:

– Mas se na Vila o Santos tiver uma média de público que não lhe permita pagar as contas e um dia o torne um time mediano. Mesmo assim você continuará achando que ele tem de jogar na Vila?

Aproveitei para lhe informar que o Santos tem a antepenúltima média de público entre os 20 times que disputam a Série A do Brasileiro. Ele retrucou que o Alvinegro figurava entre os líderes do pay per view, mas eu o corrigi, pois na última pesquisa o Santos não está nem entre os dez com mais assinaturas.

– Olha, antes eu ia muito aos jogos do Santos – disse ele. – Mas o ingresso foi ficando caro. Para levar a minha mulher, eu gasto no mínimo uns 60 paus. Então, prefiro ir com ela em um bar perto de casa que tem dois telões, um pessoal também vai, a gente come, bebe, e eu não gasto nem metade.

– Mas se você não vai mais à Vila, e assiste pela tevê, então tanto faz onde o Santos joga. Se ele jogar no Pacaembu, você verá pela tevê do mesmo jeito. Por que ele precisa jogar na Vila?

Ele ficou sem resposta.

É claro que o sujeito é bem legal, nossa conversa foi totalmente amistosa, mas ficou claro, para mim, que ele só defendia a tese de que o Santos tem de jogar sempre em Santos porque está mal informado. Além da média de público em casa ser muito baixa, o Santos também não está bem no ranking do pay per view. Ou seja: alguma coisa tem de ser feita, ou a visibilidade ganha no primeiro semestre será perdida rapidamente.

Meu irmão, Marcos Cunha, envia um comentário dizendo que José Maria del Nido, presidente do Sevilha, diz que a distribuição das cotas de tevê na Espanha é uma vergonha e que só dois times ganham: Real Madrid e Barcelona. Bem, isso a Globo quer fazer aqui no Brasil, com a complacência da CBF. Os beneficiados são Flamengo e Corinthians. Já falamos sobre isso aqui no Blog. Preveni pessoalmente o presidente Luis Álvaro Ribeiro, mas nem o Santos, nem nenhum outro clube se rebelou contra o golpe.

Se os clubes tivessem se unido na hora exata, o privilégio não teria sido sacramentado. O que importa para um clube não é ganhar mais dinheiro, e sim se tornar competitivo. De nada adianta o Santos dobrar o seu faturamento, se a distância dele para Flamengo e Corinthians aumentar irreversivelmente?

Parecem duas coisas diferentes, mas a decisão de melhorar sua média de público está ligada à necessidade de receber uma cota maior de tevê. O Santos tem de enfrentar esses problemas e não empurrá-los com a barriga. Depois, pode ser tarde.

Se quer jogar na Vila, que promova mais os jogos, reduza o preço dos ingressos, enfim, faça alguma coisa para ter a casa sempre cheia. Disputar um clássico contra o São Paulo, com Neymar, Ganso & Cia, e não encher o estádio, é lastimável. Do contrário, que marque mais jogos para o Pacaemnbu. O que não dá é para ter uma média de público pior do que o Figueirense.