Depois do pênalti inexistente para o Avaí, no jogo anterior, hoje um desfalcado Santos voltou a sofrer com a arbitragem para vencer o Cruzeiro por 1 a 0, na Vila. Dois gols santistas anulados erradamente pelo bandeirinha Pedro Santos de Araújo e um pênalti mandrake assinalado pelo árbitro Francsico Nascimento quase impedem a vitória dos meninos.

Além do gol de Borges, aos 12 minutos, Edu Dracena e Borges voltaram a marcar aproveitando cruzamentos na área, mas tiveram seus gols anulados. Depois, ainda no primeiro tempo, o árbitro viu pênalti de Anderson Carvalho em Montillo, que o argentino cobrou para fora.

No segundo tempo, o Cruzeiro, que dominava o meio-campo, pressionou em busca do empate, mas aos 32 minutos Neymar deu uma lambreta em Léo e provocou a expulsão do defensor do Cruzeiro, o que equilibrou a partida. Lambreta é aquela jogada em que a bola é presa entre os dois pés e jogada por sobre a cabeça do pobre marcador.

O Santos merecia uma vantagem maior no primeiro tempo, mas no segundo, mesmo quando teve um jogador a menos, foi inferior ao Cruzeiro. De qualquer forma, apenas com Henrique como marcador nato no meio-campo, o Alvinegro se valeu da luta de seus jogadores para preencher os espaços do setor e acabou conseguindo uma vitória importante, que lhe dá esperanças de ainda lutar pelo título.

No finalzinho, Neymar mandou mais um pro chuveiro. Ao driblar pela ponta-esquerda, sofreu agressão de Fabrício, que também foi expulso. Mesmo que não faça gols, se jogar assim no Mundial da Fifa, o garoto tirará meio mundo de campo. Te cuida, Barcelona!

O engraçado é que ao final da partida os jogadores do Cruzeiro reclamaram do árbitro. Anular dois gols e dar um pênalti que só ele viu será que não foi suficiente? Não. Queriam que Neymar apanhasse à vontade sem que seus agressores fossem punidos. Ah, vão plantar batatas. Ou fazer pão de queijo!

Santos jogou com mais vontade

O que me impressionou no primeiro tempo foi a vontade com que o time se atirou à luta. A presença dos garotos Anderson Carvalho e Felipe Anderson deu mais agilidade à equipe, que superou a maior experiência do time mineiro com mais velocidade e disposição.

Muricy deve ter percebido que é possível dominar o jogo mesmo com apenas um marcador de ofício no meio-campo – desde, é claro, que os outros também se empenhem na marcação ao perderem a bola.

Dinâmico, solidário, impetuoso, o primeiro tempo do Santos foi um dos melhores do time sob o comando de Muricy. E só foi tão interessante porque, sem jogadores como Ganso e Elano, que tocam de lado e marcam mal, o Santos foi mais agressivo.

Isso não quer dizer que Ganso e Elano devem ser reservas de Anderson Carvalho e Felipe Anderson, mas sim que contar com os garotos pode não ser tão ruim como o técnico fez parecer. Velocidade e entrega são qualidades importantes e hoje ficou evidente que o experiente time do Cruzeiro ficou cansado no final de tanto correr atrás dos garotos.

Time teve mais três baixas por contusão

Não bastassem os muitos jogadores machucados, hoje o Santos teve mais três contundidos: o jovem Alisson saiu de campo logo aos dois minutos, com uma contusão séria no joelho que o deverá afastar seis meses do time. Anderson Carvalho e Borges sentiram a coxa.

No final do jogo, o time só tinha seis titulares em campo: Rafael, Edu Dracena, Durval, Léo, Neymar e Borges. Sem opções, Muricy Ramalho teve de utilizar os garotos Alisson, Anderson Carvalho, Felipe Anderson e Crystian. Completaram o exército brancaleone Bruno Aguiar, Henrique, Alan Kardec e Diogo.

Ah, se não fosse a Seleção e o apagão

Não tivesse de fazer os oito jogos iniciais do Brasileiro com um time improvisado – sem Ganso, Neymar, Elano, Danilo, Alan Patrick e Alex Sandero – e não tivesse deixado escapar vitórias certas, como as contra Flamengo e Coritiba, na Vila, o Santos teria no mínimo mais 10 pontos do que tem hoje, ou seja, estaria com cerca de 39 pontinhos. E como tem um jogo a menos do que o líder, não seria nenhum exagero imaginar que sua pontuação normal deveria ficar por volta de 42 pontos, o que o deixaria na segunda posição.

Porém, conjecturas à parte, a verdade é que ainda dá para brigar por uma posição bem melhor neste Brasileiro – isto, é claro, se não houver mais contusões em massa e se as arbitragens deixarem.

E para você, o que esta vitória significou? Quais dos novos jogadores santistas o impressionaram mais? Será que ainda dá para sonhar com o título?