Como explicar que o mesmo time que ganhou, fora de casa, de Avaí, Bahia, América/MG e Corinthians, tenha sofrido três gols e perdido de um desfalcado Figueirense na Vila Belmiro, por 3 a 2? A única explicação é a ausência de Neymar. Sem ele, escancara-se a limitação técnica do elenco do Santos e a falta de ousadia do técnico Muricy Ramalho.

Quando o garoto Felipe Anderson foi substituído por Pará, no segundo tempo, os sete mil torcedores que foram à Vila Belmiro perceberam que a vitória seria muito difícil. Não que Felipe seja um gênio, mas é alguém que pode fazer alguma jogada diferente de vez em quando, como no segundo gol do Santos, em que deu uma meia-lua no marcador e cruzou para trás, para Léo empatar em 2 a 2.

Pará, que dá cinco minutos de correria quando entra em campo e logo cai no marasmo de sempre, chegou a perder a bola e ainda tomar um chapéu do adversário. Tudo isso quase em cima na linha lateral. Eu nunca tinha visto isso. Um time profissional da Série A que tem Pará como parte do elenco não pode ser campeão brasileiro.

Mas Pará não é o único jogador limitadíssimo do Santos. Ibson, Henrique e Diogo não produzem nada de útil. Alan Kardec parece ter esgotado sua cota de bom futebol, pois voltou a bater de canela. Danilo voltou ao corre-tromba-fuça-tromba-perde a bola. Ele ser convocado para a Seleção Brasileira só mostra como caiu o nível do futebol brasileiro. Durval e Edu Dracena não ganham uma no mano a mano com os atacantes. Léo se cansa demais e não há mais um substituto, já que Alex Sandro foi negociado.

Hoje nem Rafael se salvou. A bola que foi, entrou. Para completar, Muricy escalou um time como se estivesse enfrentando o Barcelona, e não uma equipe limitada, cheia de desfalques e que ainda jogava fora de casa. Três volantes contra o Figueirense, na Vila Belmiro, é exagero. E substituir justo o único meia por um jogador nulo, como Pará, é pedir para perder.

O pior é que nem dá para reclamar

O pior é quem dá para dizer que o resultado foi injusto, que o árbitro Heber Reoberto Lopes prejudicou o Santos ou coisas assim. O Figueirense do técnico Jorginho, o auxiliar do Dunga, foi mais inteligente, mais incisivo, e mereceu a vitória. Aproveitou os buracos da defesa do Santos e a lentidão dos zagueiros para penetrar sempre com perigo.

O melhor em campo foi Júlio César, do Figueirense, com dois gols (um de pênalti e um de falta). O moço é rápido, esperto e chuta muito bem. Com este resultado, o Figueirense consegue sua primeira vitória sobre o Santos na Vila Belmiro e ganha o primeiro jogo depois de cinco empates seguidos.

Enfim, a impressão que esse jogo nos deu é que se os jogadores do Figueirense vestissem a camisa do Santos e tivessem o reforço de Neymar, goleariam o Figueirense, se o time de Santa Catarina contasse com os jogadores que hoje defenderam o Santos.

Folha salarial está superdimensionada

Pelo que os jogadores do Santos jogam e pelo salário que sabemos que recebem todos os meses, é mais do que evidente que em muitas contratações o clube comprou gato por lebre. Além de Neymar, ninguém nesse elenco merece ganhar mais do que 100 mil reais. Saber que alguns pernas de pau recebem 200, 300 mil, é muito pra nossa cabeça.

E se alguns desses jogadores que atuaram hoje reclamavam da idolatria pelo Menino de Ouro da Vila Belmiro, provaram mais uma vez que são totalmente dependentes do garoto, e que se não fosse Neymar o Santos provavelmente estaria brigando para não ser rebaixado. Proponho que os outros jogadores santistas paguem o dízimo de seus salários para o único craque do time.

Se não mudar, e muito, Santos vai só passear no Japão

Enquanto o Santos perdia em casa para um humilde Figueirense desfalcado de meio time, o Barcelona goleava o Atlético de Madrid, onde joga o ex-menino da Vila Diego, por 5 a 0. Sabe o que isso significa?

Que sem uma zaga mais rápida e eficiente, sem mais jogadores habilidosos no meio e ao menos mais um atacante bom no drible e no arremate, o Santos vai passar vergonha no Japão. E nem digo que passará vergonha diante do Barcelona, pois será eliminado antes.

Não, não sou pessimista. Não consigo mais ver esse time goleando alguém. O Santos de Muricy respeita demais qualquer adversário. Hoje era para ir pra cima e encher o Figueirense de gols. O primeiro a frear o ímpeto do time foi o próprio técnico, que encheu a equipe de volantes. Se Adilton Batista foi demitido por desrespeitar o DNA ofensivo do Santos, a tolerância com o defensivista Muricy já está acabando…

Para completar, outro público ridículo e mais uma derrota na Vila Belmiro. Enfim, um sábado para esquecer. E para aprender lições. A principal delas é que se vender Neymar, o Santos não voltará apenas a ser um time comum, mas um time abaixo da média. A diretoria tem de fazer tudo – eu disse TUDO – para manter Neymar, ou o futuro do time será sombrio.

Por isso, mais do que ser campeão do mundo – o que, pelas circunstâncias, só poderá conseguir em uma jornada de muita sorte –, o Santos precisa manter Neymar. Ele é o corpo, a alma e o coração desse time. Sem seu talento, sua rebeldia e alegria, esse Santos é uma coisa feia e triste, enfim, não é nada.

É, realmente estou nervoso. E você, como está depois dessa derrota?