Ontem foi realizado o pior Brasil x Argentina da história. Que jogo ruim! A bola mal parava no chão e nenhum time conseguia dar três passes certos. Mano Menezes, para variar, convocou muito mal e armou o time pior ainda. O único resquício de técnica e habilidade ficava por conta de Neymar e Ronaldinho Gaúcho.

Os dois tiveram muita dificuldade para participar do jogo, cercados por três e até por quatro ou cinco defensores. E sempre marcados com rudeza, como era de se esperar. Devido à intensa marcação, não produziram tudo o que podem, é verdade. Mas também é verdade que a dupla Galvão Bueno e Casagrande só tiveram críticas para Neymar – que, como no Santos, foi um dos que mais se apresentou para o jogo.

A maneira distorcida como Galvão vê a participação do santista chega a ser acintosa. É perseguição pura. E só não é maior porque ele sabe que boa parte dos telespectadores gosta de Neymar. Com a mesma arrogância com que já analisou a Fórmula-1 – e que por isso foi desancado pelo tricampeão mundial Nelson Piquet, para quem Galvão não entende nada do esporte que cobriu por tantos anos – o decadente locutor da Globo analisa o futebol como se estivesse vendo uma partida pela primeira vez.

Houve um lance em que Neymar, para ajudar a defesa, se viu marcando o ponta-esquerda argentino. Sem opção de passe, o santista segurou a bola e a jogou contra as pernas do adversário, ganhando o lateral. Foi uma jogada inteligente, que manteve a posse de bola com o Brasil. Mas Galvão lá veio com as suas: “Neymar não tem de driblar na defesa, não é Casagrande?”. O ex-centroavante trombador concordou.

Em outra jogada, num lance de muita coragem, Neymar cortou em transversal na frente de um adversário. Poderia ter levado um pontapé, um pisão no calcanhar e sofrido contusão séria. Mas o argentino “apenas” lhe deu um empurrão. Pela velocidade e diferença de percurso entre os dois jogadores, não havia como Neymar continuar de pé e, obviamente, foi ao chão. Bastou para que Galvão falasse que o jogador do Santos precisa de um fortalecimento muscular. Casagrande concordou.

O repórter da Globo ficou sabendo que o auxiliar da Seleção teve de providenciar um arranjo para a caneleira de Neymar. Isso bastou para o assunto se tornasse a canela fina do jovem atacante. Ora, quem falou que canela fina é desvantagem? Escravos negros de canela fina eram mais caros, pois tinham mais resistência. E Robinho teve a melhor fase de sua carreira quando sua canela era bem mais fina…

Porém, como Galvão sabe sobre tudo, desde astronomia até canelas finas, fez a sua análise, reforçando que o santista precisa “ganhar mais massa corporal”. Casagrande concordou.

Neymar driblou dois e falou: “Tó, faz!”

Leandro Damião fez o grande lance do jogo, ao aplicar uma carretilha no marcador e tocar por cima do goleiro, em bola que bateu na trave. Mas antes já tinha perdido um gol feito, depois de grande jogada de Neymar, que driblou dois marcadores e deu para o centroavante do Inter marcar. O moço, embaixo da trave, acertou a dita cuja.

Sem a mesma energia de antes, Ronaldinho Gaúcho voltou a ter atuação apagada, salvando-se em cobranças de falta. Mas, por ser do Flamengo – mesmo time de Galvão Bueno – tem salvo-conduto para errar à vontade.

Enfim, a Seleção Brasileira está sem jogadores e técnico bons, tem praticado um futebol de quinta categoria e o culpado, para Galvão Bueno, é justamente Neymar, o craque do time. Casagrande concorda.

E você, o que achou dos comentários de Galvão Bueno sobre Neymar?