Desde criança Sócrates torceu pelo Santos. Os descaminhos da vida o levaram ao alvinegro errado, mas nunca escondeu o sonho de vestir a camisa do maior Alvinegro do mundo, que realizou no final de 1988. Em entrevista para a revista Carta Capital, o doutor diz porque Neymar deve permanecer no Brasil.

Sócrates, todo mundo sabe, sempre foi santista. Os descaminhos da vida o levaram ao alvinegro da capital, no qual, muito inteligente, instituiu o que chamou de “democracia corintiana, o que lhe permitia fumar e beber e não se concentrar. O time só ganhou três títulos paulistas, menos do que o lateral Pará ganhou no Santos, mas, graças à imprensa corintiana, esse período é cantado em prosa e verso até hoje.

Assim como Serginho Chulapa, o maior artilheiro do São Paulo, o doutor Sócrates, maior craque e jogador mais inteligente que o Corinthians já teve, é santista fanático. Digo fanático porque hoje ele não esconde de ninguém sua paixão e se sente em casa ao lado dos também santistas Vladir Lemos e Xico Sá no programa Cartão Verde, da TV Cultura.

Estou falando de Sócrates porque recentemente, em uma entrevista para a revista Carta Capital, ele analisou a possibilidade dos santistas Paulo Henrique Ganso e Neymar irem para a Europa. Como foi um dos maiores craques que este país teve nos últimos 30 anos, como já jogou na Europa (Fiorentina) e como tem um QI bilhões de vezes mais desenvolvido do que Galvão Bueno, acredito que seja importante conhecer sua opinião. Lá vai ela:

“Acha ele (Rivaldo, do São Paulo) que os meninos deveriam ir para a Europa para adquirir experiência internacional, mostrando que, em sua opinião, sem isso jamais crescerão o suficiente. Esta é mais uma das verdades que se vendem indiscriminadamente aos que acompanham futebol no Brasil, como se o fato tivesse a relevância que seus autores apregoam. Não creio, pois o talento não necessita de determinadas influências fenotípicas para florescer. Acredito que, mais que entenderem assim, alguns falam disso como uma forma de relembrar a todos que, como eles jogaram muitos anos fora do Brasil, foram – ou ainda são – mais importantes que outros, que estão aparecendo. Uma tentativa desesperada de autovalorização que tentam deixar subentendida. Os garotos do Santos podem e devem ficar por aqui. Será melhor, já que estarão cercados por quem deles gosta e terão mais felicidade para desenvolverem suas qualidades técnicas. Não existe hoje uma razão específica que os faça entender da precisão de atravessar oceanos para serem considerados como profissionais diferenciados e humanamente a permanência deles só pode acrescentar o melhor e mais importante valor que poderiam ter acesso”.

Ah, doutor, pena que o senhor não jogou mais tempo no seu time do coração e foi obrigado a jogar pelo alvinegro errado. Porém, Sócrates pôde realizar o seu sonho entre o final de 1988 e o começo de 1989, quando vestiu a camisa do time que amou desde quando era criança. Reveja a estréia do doutor no Santos em 29 de novembro de 1988, quando, mesmo depois de seis meses parado, fez uma exibição de gala na vitória do Alvinegro Praiano sobre o Cerro do Uruguai por 4 a 2:

Sócrates disse que “os garotos do Santos podem e devem ficar por aqui”. Será que a imprensa corintiana não leu esta declaração do doutor?