O goleiro Rogério Ceni entrou no coro dos invejosos que pegam no pé do garoto Neymar. Que tremenda falta de ética do veterano goleiro de dizer que metade das faltas marcadas sobre o jovem craque santista não existem. Bem, esta é a visão do adversário, do derrotado. Eu já acho que os árbitros só dão metade das faltas sobre Neymar, pois foram influenciados pela imprensa que começou a chamá-lo de cai-cai.

Gostaria que só um desses jornalistas ou “comentaristas de arbitragem” jogassem cinco minutos de bola e tivessem que partir para cima de um zagueiro. Gostaria de ver o que sobraria deles após uma dividida com um desses caras que só estão em campo para destruir jogadas e adversários. Neymar, se alguém prestar bem atenção, é um dos jogadores mais corajosos que o futebol brasileiro já teve. Pois mesmo franzino, não tem medo de cara feia.

Se não houver ao menos a regra, a lei, para protege-lo, o que será de Neymar? O que será de qualquer jogador que tenha um pouco mais de habilidade? Estará fadado a se transformar em um eterno saco de pancadas? Para pessoas que só enxergam o próprio umbigo, como Rogério Ceni, sim.

É fácil criticar um colega de profissão que entra em choque com os adversários várias vezes por jogo quando você é apenas um cobrador de faltas ou pênaltis, ou seja, tem todo o tempo do mundo para se preparar e chutar, sem o risco de uma dividida, uma cotovelada, uma falta por trás, um pisão no pé ou no calcanhar. E que, como goleiro, diante da dificuldade, você, religiosamente, se ajoelha.

Já houve tempo em que a imprensa esportiva brasileira valorizava mais o jogador irreverente, criativo, moleque. Porque, na verdade, este é o perfil do craque que nascia dos terrenos baldios, das peladas de rua. Imagine se Garrincha jogasse hoje, o que não diriam dele?

Aliás, uma astróloga do UOL previu, no começo deste ano, que em 2011 Neymar teria problemas com o álcool. Hoje sabemos que a pitoniza do UOL errou de jogador e de time. Talvez sua bola de cristal até dissesse quem era(m) os alcoólatras, mas falar de Neymar dá mais ibope.

Um garoto alegre, comunicativo, que consegue ser feliz em meio a tanto olho gordo – este é Neymar. É uma dádiva dos céus que alguém assim vista a camisa do Santos e atue no futebol brasileiro. Mais respeito com Neymar, seus maledicentes. Mexeu com ele, mexeu comigo e com os santistas.

Veja, agora, o garoto dançando para o sisudo Durval, em mais uma cena hilariante dos vestiários do Santos antes da ótima vitória sobre o Cruzeiro. Dá para implicar com um cara do bem como Neymar?

E você, o que achou da crítica de Rogério Ceni a Neymar?