O técnico Muricy Ramalho tinha dado um jeito na defesa do Santos, que sofria 1, 3 gols por jogo em 2010 e caiu para 0,9 tanto no Campeonato Paulista, como na Copa Libertadores de 2011. Mas neste Campeonato Brasileiro, com os desfalques provocados pelas Seleções Brasileiras (principal e subs), por contusões de jogadores importantes (Ganso, Elano, Arouca) e a atenção voltada para o Mundial da Fifa, a defesa santista vive um dos piores períodos de sua história e tem sofrido 1,53 gols por jogo.

Para se ter uma idéia do que este índice significa, basta lembrar que nos Brasileiros de 2008 e 2009, quando o Santos sofreu o risco de rebaixamento até as últimas rodadas, o time sofreu 1,39 e 1.52 gols por jogo, respectivamente.

Em 2010 a defesa santista sofreu 1,3 gols por jogo durante todo o ano, independentemente das competições e dos técnicos. No Paulista, sofreu 31 gols em 23 jogos – média de 1,34. Na Copa do Brasil, 11 jogos, 15 gols – média de 1,36. E no Brasileiro, mesmo depois da demissão de Dorival Junior, manteve o mesmo rendimento com Marcelo Martelotte, e no final sofreu 50 gols em 38 jogos – média de 1,34.

A contratação de Muricy Ramalho, um técnico que baseia sua estratégia vitoriosa na força da defesa, melhorou sensivelmente o rendimento do setor defensivo do Santos no primeiro semestre de 2011. Nos 23 jogos que fez no Campeonato Paulista o time sofreu 21 gols – média de 0,91. Nas 14 partidas pela Copa Libertadores, vazou 13 gols – média de 0,92.

No Campeonato Brasileiro deste ano, porém, o Santos só não sofreu mais gols do que América/MG, Avaí, Atlético Mineiro e Ceará. E o pior é que em quase todas as suas derrotas mais contundentes o time pode contar com todos os seus titulares da defesa, o setor menos desfalcado da equipe este ano.

Nas suas piores derrotas neste Brasileiro, jogos em que foi surpreendido e sofreu mais gols, o time jogou com Rafael, Pará (ou Danilo), Edu Dracena, Durval e Léo. Esta formação esteve em campo nas derrotas, na Vila Belmiro, para Flamengo (4 x 5) e Coritiba (2 x 3). Com Danilo no lugar de Pará o Santos perdeu para Figueirense, também na Vila (2 a 3).

Um detalhe curioso é que o zagueiro reserva Bruno Rodrigo jogou o tempo todo em três vitórias importantes: na vitória por 2 a 1 sobre o Avaí, fora de casa (formou dupla com Edu Dracena), na vitória sobre o Bahia, por 2 a 1, também fora de casa (fez dupla com Durval) e no triunfo sobre o Palmeiras, na Vila Belmiro, por 1 a 0 (novamente fez dupla com Durval).

O mesmo fenômeno já tinha acontecido no ano passado. Sempre que Vinicius Simon substituía Edu Dracena, o Santos sofria menos gols. Isso leva muitos santistas a acreditar que o ponto fraco da zaga santista é justamente o capitão do time, que tem dificuldades nas bolas altas, pouca mobilidade, apesar de ser mais técnico e experiente do que os demais.

Não creio que no Mundial Muricy Ramalho abrirá mão de Edu Dracena como titular, apesar de os números dizerem o contrário. Em uma competição curtíssima, com dois jogos eliminatórios de altíssimo nível, a experiência vale muito e Dracena é tarimbado em jogos importantes.

Por outro lado, nos jogos decisivos do Paulista e da Libertadores, este ano, a defesa do Santos teve um rendimento excelente, pouco permitindo aos ataques de Corinthians e Peñarol. Descansados e motivados, estes mesmos jogadores que hoje colocam a defesa do santos como uma das mais vazadas do Brasileiro, poderão dar a volta por cima e garantir mais um título essencial para o Alvinegro Praiano. Eu acredito.

E você, acredita que a defesa do Santos voltará a jogar bem no Mundial, ou Muricy Ramalho deveria fazer mudanças enquanto ainda há tempo?