Por Gustavo Rodrigues

No fim de semana enfim consegui pegar o meu visto para o Japão. Venho sido questionado por muitos torcedores santistas se vale a pena ir pra tão longe para ver o Santos, ainda mais nessa fase inconstante em que o time se encontra e tendo como provável adversário na final do torneio o “imbatível” Barcelona.

Ouvir isso de torcedores de outros times seria até normal, agora de torcedores santistas me surpreende.

Eu nasci em 1977, e graças ao meu pai, me tornei sócio do Santos logo cedo, frequentando sempre a Vila Belmiro ao seu lado. Vivi a minha adolescência nos anos 90, talvez a pior década para o Clube como um todo. Faltavam títulos, estrutura, planejamento…

Em 1995 enfim a aparição de um “novo Messias”, o resgate de nosso orgulho com Giovanni e, novamente a derrota, não para o Botafogo, mas para o Senhor Marcio Rezande de Freitas.

Eu vi o Santos levar de 6×0 contra o Palmeiras na Vila. Eu vi o Santos levar de 7×1 no Pacaembú…

Veio o novo século e junto com ele os títulos brasileiros e o renascimento do nosso Santos. Hoje eu tenho a certeza de que o time e os gramados da Vila Belmiro são abençoados e diferenciados. Sim, porque neles voltaram a nascer os maiores craques do futebol mundial.

E agora ainda me perguntam se vale a pena ir para tão longe?

Para a disputa ficar ainda mais interessante, os deuses do futebol compensaram um erro cronológico (quando deixaram Pelé e Maradona em épocas distintas) e colocaram novamente, frente a frente, um brasileiro e um argentino: Neymar e Messi.

Como deixar de ir para o Japão?

Para ver o Santos eu iria para qualquer lugar. E vou porque eu acredito. Porque vi o nosso pior momento e tenho certeza de que ele passou.

Vou pelo meu pai, que sempre acreditou, até nos momentos mais difíceis que passamos e hoje, por motivos de saúde, não poderá estar lá comigo. Vou pela minha filha, que por ter apenas 1 ano e meio de idade, ainda não entende a grandeza que é ser torcedora do Santos, mas que desde os 17 dias de vida já é sócia do Clube.

Vou por todos aqueles que não tem a oportunidade que eu estou tendo. Talvez ela seja única na minha vida, talvez não, mas com certeza será especial como é especial cada jogo do Santos.

Independente do adversário vou para ver o meu time. Como fui para Salvador na final da Copa do Brasil, como tentei ir para o Uruguai na final da Libertadores e acabei impedido por um vulcão.

Vou para ver mais um título. Sou muito mais a rica história santista do que o rico dinheiro catalão. Sou muito mais Pelé que Maradona. Sou muito mais Neymar que Messi. Sou muito mais Brasil que Argentina ou Espanha, mas acima de tudo, sou e sempre serei muito mais Santos Futebol Clube.

Gustavo Kosha é publicitário, pai da Nina, sócio e torcedor do Santos Futebol Clube