Há santistas furiosos com o futebol mostrado ontem contra o Bahia. Reclamam do Paulo Henrique Ganso, dizem que o Elano não está jogando nada e que só o Neymar se salva. Ora, era apenas um treino, minha gente. A possibilidade de ser campeão mundial e deixar o nome definitivamente na história fará estes jogadores mostrarem o que sabem e o que não sabem. Ânimo!!!

Nessas horas, a experiência vem em nossa ajuda. Lembro-me de passagens parecidas que mostram como não podemos ser precipitados para analisar um time que participará de uma competição de tal grandeza. Hoje parece ridículo, mas saibam que antes da Copa de 1958, na Suécia, alguns jogadores fizeram questão de serem cortados, pois temiam que o Brasil desse vexame na Suécia, como havia acontecido na Suíça, em 1954, quando o time foi eliminado nas quartas-de-final, pelos húngaros.

Recordo-me perfeitamente de uma revolta ainda maior depois que a Seleção Brasileira empatou, se não me engano em 0 a 0, com a Seleção B da Bulgária, antes de viajar para a Copa do México, em 1970. Leitores tão enraivecidos como alguns santistas que comentaram neste blog, enviaram cartas furiosas aos jornais pedindo que o Governo não permitisse que a Seleção embarcasse para o Mundial, pois estava fadada a nos fazer passar o maior vexame da história do nosso futebol (hoje, como se sabe, analistas consideram a Seleção de 70 como um dos melhores, ou o melhor time que já disputou uma Copa do Mundo).

Para não ir tão longe, lembro que no Brasileiro de 2004 alguns santistas escreveram que tinham jogado a toalha a várias rodadas do final. Então, escrevi um texto parecido com este que escrevo agora, tentando dar um chá de coragem aos torcedores só de vitórias. O mesmo aconteceu na Libertadores deste ano, quando muitos fugiram do barco antes do jogo crucial contra o Cerro Porteño em Assunção.

A hora é de acreditar, de se alegrar ou sofrer junto

Quem não quiser sofrer neste Mundial, peça licença de torcedor. É claro que um título como esse envolverá muita luta, muita abnegação. Mesmo que o Santos fosse infinitamente superior ao Barcelona, ou a qualquer outro time que participará do Mundial, o título não viria com facilidade e sem qualquer perigo. Os grandes times que agiram como se sua técnica superior fosse, naturalmente, levá-los ao triunfo, sofreram derrotas horríveis, como o Brasil de 1950, a Hungria de 54, a Holanda de 74 e o Brasil de 82.

Portanto, há um lado positivo no amplo favoritismo do Barcelona: ele mexerá com os brios dos santistas e fará com que joguem tudo o que sabem. E joguem sem medo, pois serão pouco mais do que franco atiradores. Por isso, acredito que no Mundial até jogadores que hoje são criticados conseguirão se superar e mostrar todas as qualidades que os levaram a ser titualres do Santos.

Chegou o momento em que não adianta fantasiar sobre o que poderia ter sido, ou sobre quais jogadores o Santos poderia ter. O torcedor de verdade estará ao lado do time como ele estiver. Se for para comemorar, faremos a maior festa. Se for para sofrer, choraremos juntos. Mas não seremos covardes de procurar culpados antes do tempo. Vamos pro jogo!!!

Como está o seu espírito para o Mundial?