1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8… Calma… Estou contando até dez. Como disse o Alan Kardec após o jogo, o time é jovem e é preciso ter paciência para analisá-lo. Se bem que depois ele completou, afirmando que essa espera também tem limite, pois um time como o Santos tem de vencer. Porém, cheio de paciência e até feliz com esse empate achado pelo oportunismo de Kardec, tentarei analisar Paulista 1, Santos 1, em um estádio despovoado com apenas três mil pagantes.

Nem vou falar de novo dos gênios que querem cobrar ingresso de teatro municipal para um joguinho de fim da noite de domingo. Se cobrassem 20 pilas, haveria mais gente e todos ganhariam. Mas depois que começaram a brotar marquetólogos de todo lado, ficou muito mais difícil enxergar o óbvio.

Por falar em enxergar o óbvio, começo com uma palavrinha ao Tiago Alves. Na verdade, uma perguntinha: meu filho, você quer viver como jogador de futebol profissional? Se a resposta é sim, permita-me acrescentar que não adianta só ter as pernas rápidas. É preciso usar o cérebro. Sei que você passou em uma peneira em Belém do Pará porque resolveu driblar todo mundo e deu certo. Mas jogadores profissionais não são tão cegos de bola como os garotos da peneira que você driblou. Hoje sua atuação foi ridícula. Se voltar a ser escalado no Santos, erga as mãos para o céu e agradeça ao titio Muricy. Você errou tudo. Eu disse tudo. Com esse futebol, você não será nem reserva em um time pequeno de São Paulo.

Muito bem. Com o mesmo carinho e paciência, digo ao Felipe Anderson que tente jogar acordado em todas as partidas. Na última você estava esperto. Hoje, dormiu de novo. Do jeito que o Breitner entrou, mais animado, e do jeito que ele bate na bola melhor do que você, fique esperto porque até a posição de “homem das bolas paradas” pode estar ameaçada.

Incrível como as laterais do Santos continuam abertas à visitação pública. Maranhão tomou bola nas costas até em tiro de meta. E o Émerson nunca estava onde se espera que esteja, ou seja: marcando ponta. E outra: como são driblados com facilidade. Impressionante como um metro de campo pode ser um latifúndio para um atacante que tenha Maranhão ou Émerson pela frente.

Porém, seguindo o conselho de Kardec, eu diria que vi melhoras em Émerson. E como é um garoto de 17 anos, ainda tem crédito. Já Maranhão, apesar da cara de menino, é um veterano que tem grande experiência em cometer os mesmos erros. Em dão momento ele deu algumas voltas sobre si mesmo (não sei como não ficou tonto) e depois recuou a bola. Tanto, para nada.

No meio, gostei de Anderson Carvalho, o melhor do setor. Ainda comete erros, claro, mas é o que tem mais personalidade, se atira mais ao jogo e, mesmo não sendo um meia, fez a única jogada vertical para o gol do Paulista, driblando dois jogadores e chutando com perigo.

Íbson novamente não deu uma assistência nem fez gol, nem criou uma boa jogada. Oi rapaz joga de ladinho. Que o presidente me desculpe, mas se ele é “inegociável”, vou tirar minha chuteira do armário e pedir um lugar nesse time. Garanto que não passo 20 jogos sem dar um passe decisivo e nem marcar o meu.

No ataque, além do constrangedor Tiago Alves (alô psicóloga do Santos, fale com o rapaz), Rentería se mexeu um pouco mais, saiu da área para tentar criar alguma jogada, mas só conseguiu adiar o tempo de sua substituição. Dimba entrou mais no fim e desta vez, caindo pela esquerda, foi o velho Dimba dos juvenis. Ou seja, não mostrou nada.

Dos zagueiros Bruno Rodrigo e Vinícius Simon, esperava mais. Mas não foram piores do que Edu Dracena e Durval. Foram tão medianos quanto. Quanto a Aranha, desta vez quase caia da teia em um escanteio. E essa mania de jogar adiantado ainda vai acabar mal. Mas não teve culpa no gol.

De qualquer forma, o empate, pelas circunstâncias, foi ótimo. O Paulista vinha de duas vitórias e ainda não tinha sofrido gol. Não fosse o oportunismo de Alan Kardec e o Santos estaria jogando até agora em busca do empate.

Por fim, uma lembrança ao comentarista Muller, do canal de tevê SportJundiaí. Ele vê o jogo pelo prisma do adversário do Santos e em todos os lances duvidosos da arbitragem ele opina contra o Alvinegro Praiano. Nem o fato de ter quase 60% de posse de bola e ter dado muito mais chutes a gol fez Muller dizer que o empate foi justo. Quando o competente Milton Leite quis saber sua opinião, ele alegou que o gol só saiu por falha da defesa do Paulista. Ora, vá catar coquinho… Que mala esse Muller!

E você, o que achou dos reservas do Santos?