O presidente Luis Álvaro Ribeiro chegou a afirmar que o esforço de manter Neymar no Santos valeria a pena, pois em três anos o Alvinegro Praiano se tornaria a terceira maior torcida do Brasil. Concordo plenamente com essa teoria. Porém, desde que vivêssemos em um país livre e democrático, em que as pessoas pudessem dar vazão às suas preferências, sem obstáculos. Porém, Luis Álvaro não contava com o colonialismo da Rede Globo, que trata o Brasil como se ainda vivesse nos tempos da Rádio Nacional dos anos 40 e impõe a 15 estados, mais da metade do País, a obrigação de acompanhar o Campeonato Carioca.

Ora, que criança, adolescente ou jovem deste País, se pudesse escolher, não gostaria de ver exibições de Neymar, o Menino que ganhou todos os prêmios do futebol das Américas em 2011, além de ter sido escolhido como o autor do gol mais bonito do ano?

Ao impor a 15 Estados a obrigatoriedade de acompanhar o Campeonato Carioca, a Globo está agindo como os países imperialistas da Europa, que estabeleceram colônias pelo mundo afora, dividiram entre si as Américas, a Ásia e a África, gerando todos os conflitos que ainda presenciamos hoje.

Nessa hora é que é essencial haver uma Associação Nacional de Torcedores/Consumidores, para que sejam ouvidos, para tentar impedir esse colonialismo cultural-esportivo que a Globo insiste em perpetuar. O homem já chegou à Lua há mais de quatro décadas, a Internet e o celular estreitaram o mundo, mas 15 Estados do País, como uma Coréia do Norte às avessas, são impedidos de ver o seu próprio futebol e, ao invés disso, forçados a engrossar a audiência e o marketing dos times do Rio.

Os 15 colonizados

Surpreendo-me a ver que o Pará, com times de tradição, como Remo, Tuna Luso e Paysandu, é um dos 15 Estados colonizados pela Globo. Sim, lá, pela tevê aberta, os orgulhosos paraenses terão de assistir a Macaé, Nova Iguaçu, Cabofriense, Resende, Bonsucesso e Olaria, entre outros.

Outra surpresa é o Rio Grande do Norte, onde América, ABC e Alecrim serão relegados a um segundo plano, obrigados a dar passagem ao estadual carioca. Da mesma forma, o Maranhão, do popular Sampaio Correa, detentor do recorde de público da Conmebol, em 1998.

O Distrito Federal, do bom Brasiliense; Alagoas, de CSA e Asa de Arapiraca; o Espírito Santos, da Desportiva, enfim, muitos outros estados terão sua cultura e sua história futebolística jogada no lixo para dar lugar aos jogos do Rio. Completam a lista dos colonizados: Paraíba, Sergipe, Piauí, Tocantins, Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre e Amapá.

Nos Estados em que o futebol é amador, ou semi-amador, ainda se entende que o público veja campeonatos de fora, mas naqueles que possuem agremiações tradicionais, a imposição da Globo chega a ser um desrespeito à cultura local. Será que o torcedor de todos esses estados foi consultado para se saber o que ele queria assistir na tevê? Obviamente, não.

Além de privilegiar o campeonato carioca em sua tevê aberta, a Globo dedica toda a sua transmissão por antena parabólica, que já atinge mais de 20 milhões de lares no País, para a divulgação do mesmo campeonato. Assim, não surpreende que ao viajar pelo Norte e Nordeste do País, o turista se depare com tantos torcedores de times do Rio. Esses torcedores, impedidos de ver o futebol paulista, vivem em um mundo à parte, mais ou menos como o povo norte-coreano.

Lembro-me que um dos objetivos do G4 Paulista, empresa que foi criada para representar os quatro grandes de São Paulo, era discutir com a Globo esse privilégio dado aos times cariocas em sua transmissões nacionais. Se é para transmitir o futebol dos centros mais evoluídos para o Norte e Nordeste, que haja um rodízio do que há de melhor nos estaduais do Sudeste e do Sul. Por que a hegemonia carioca? Por que a Globo é do Rio? Por isso, reafirmo, a fundação de uma Associação Nacional de Torcedores, para dar voz a milhões de brasileiros hoje ignorados, é essencial.

Santos estreia no Paulista

Os reservas do Santos, que, se motivados e entrosados, formam, sim, um bom time, estréiam amanhã à noite no Campeonato Paulista enfrentando o XV de Piracicaba, em Piracicaba. Será o primeiro jogo oficial depois da decisão com o Barcelona. Estou ansioso para ver a postura da equipe e, principalmente, a reação de jogadores que estão tendo suas últimas oportunidades para provar que merecem continuar no Santos. Bom jogo a eles e que encarem o XV coma mesma seriedade de um Barcelona.

Robert, a voz da sabedoria

Se há um jogador inteligente, pois usava a concentração para ler, ao invés de bagunçar, este é o craque Robert, campeão brasileiro de 2002. Pois ele interrompeu seu jogo de tênis ontem, no Sesc de Santos, para dizer que desse time do Santos que jogou a Copinha, três jogadores vão virar: Leandrinho, Lucas Otávio e Pedro Castro. O Victor Andrade ainda é novinho. Tem muito a evoluir.

E você, o que acha desses assuntos? Seu estado é um dos colonizados?