Não estou me referindo apenas ao amistoso de domingo, em Londrina, que reunirá os dois protegidos da Globo e por isso a emissora transmitirá a partida para todo o Brasil. Estou me referindo a qualquer jogo de um desses dois times, pois assisti-los deixou de ser apenas uma diversão e passou a ser uma forma de jogar contra os nossos clubes do coração, pois o ibope dos jogos de Corinthians e Flamengo é usado para justificar o fato de ambos receberem cotas de tevê bem maiores do que os demais gandes clubes brasileiros. Se você não quer que isso aconteça, não os assista mais. Nunca mais.

Há um interesse claro da Rede Globo de transformar o Brasil em uma Espanha, com dois clubes ricos e o resto de chapéu na mão, aceitando as migalhas que lhes forem oferecidas. Esse quadro tende a se agravar ano a ano se as outras torcidas não tomarem uma atitude. Pois sintonizando o jogo desses dois times para “secar”, estão apenas engordando os seus caixas e justificando seus privilégios.

Nesse objetivo amoral e antiético, pois fere as regras do jogo limpo e justo, a Globo conta com a audiência de quem não gosta, de quem odeia os dois times em questão. Como os índices de rejeição de Flamengo e Corinthians são os mais altos entre os torcedores brasileiros, boa parte, se não a maior parte da audiência dos jogos destes times, são de pessoas que não torcem por eles.

Maior ibope é dado por quem torce contra esses times

Uma pesquisa do jornal Lance em parceira com o Ibope, divulgada em 2010, apontou que Corinthians, com 21%, e Flamengo, com 16%, são os times com maior índice de rejeição do País. A mesma pesquisa concluiu que as maiores torcidas do Brasil são as de Flamengo, com 17%, e Corinthians, com 13%.

Isso quer dizer que em um jogo do Corinthians, transmitido pela tevê, há mais pessoas torcendo contra o alvinegro da capital do que a favor (cerca de 60% a mais de secadores!!!). Ou seja: o torcedor que mais detesta esse time é o que está contribuindo mais para que ele receba maior cota de tevê, patrocínio, merchandising etc, aumentando a distância econômica entre ele e os demais.

Não há nenhuma justiça nesse privilégio ao alvinegro da capital e ao rubro-negro carioca. Em mais de um século de existência, só o time carioca foi uma vez campeão da Copa Libertadores, a competição mais importante do continente. Por outro lado, Santos e São Paulo foram três vezes e Grêmio, Cruzeiro e Internacional foram duas. Outros que conquistaram a Libertadores uma vez: Vasco e Palmeiras.

Com relação aos times que mais contribuíram para o sucesso da Seleção Brasileira, é preciso lembrar que Santos e Botafogo formaram a base da Seleção nas conquistas de 1958, 1962 e 1970, que proporcionaram a posse definitiva da Copa Jules Rimet. Depois, o São Paulo foi o clube brasileiro que mais cedeu jogadores para os títulos de 1994 e 2002. Cadê os dois protegidos?

Assim, o critério único – e discutível – de quantidade de torcedores, não justifica a alteração do histórico equilíbrio entre os grandes clubes brasileiros. Portanto, aderir ao movimento de não assistir mais a jogos de Corinthians e Flamengo é, antes de tudo, uma boa causa.

A solução é deixar de ver jogos dos dois protegidos

A única saída de quem não é torcedor desses dois times e não quer ver o futebol brasileiro seguir o caminho binário da Espanha – que se restringiu a apenas dois clubes grandes – é deixar de assistir a jogos com a presença desses dois clubes. Com a queda no ibope, a tevê repensará sua estratégia e talvez trate os outros clubes grandes brasileiros com igualdade e mais respeito.

Movimento tem de se estender a outras torcidas

A única possibilidade de um movimento desse ser bem sucedido é se estender às outras torcidas brasileiras que ficaram fora da festa e estão sendo usadas para engrossar a audiência dos dois privilegiados. São-paulinos, palmeirenses, cruzeirenses,gremistas, colorados, tricolores cariocas, botafoguenses, atleticanos, torcedores de Bahia, Coritiba, Portuguesa… Enfim, todos que rejeitam o monopólio pretendido pela Globo, devem deixar de assistir aos jogos de Corinthians e Flamengo.

Em princípio, acho que a divulgação da idéia pelas redes sociais e sites e blogs de torcidas já seriam suficientes para mobilizar boa parte dos torcedores mais participativos. A criação de hastags sempre dá resultado. Um amigo sugeriu: #nãoassistogamba&urubu Não gosto de tratar torcedores por apelidos, mas acho que, por ser uma forma mais popular, pode se espalhar mais facilmente.

Por que não dá para ficar em cima do muro

Muito torcedor pode pensar: mas o que eu tenho com isso? Deixe os caras… Porém, se até a rejeição está sendo usada para privilegiar os rejeitados, é porque a situação tende a ficar insustentável.

Quem deveria ter brigado para impedir a instalação dessa ditadura da tevê eram os presidentes dos clubes desfavorecidos. Porém, ansiosos para meter a mão na grana salvadora das cotas de tevês, adiram precipitadamente e se esqueceram de que seus adversários receberiam muiiiito mais e com isso se perderia o mais importante, que é o equilíbrio das competições.

A proteção aos clubes em questão é clara e odiosa: um ganhou do poder público um estádio moderno e imenso; o outro não paga suas dívidas e segue em frente na maior cara de pau. Hoje leio que Ronaldinho Gaúcho está há cinco meses sem receber salários do Flamengo. E se aceitar um convite do exterior e for embora, aí é que nunca mais verá a fortuna que o rubro-negro lhe deve. Esses dois clubes serão os únicos grandes do País?

Se nós, torcedores, não fizermos alguma coisa, logo o Brasil será, repito, uma nova Espanha, na qual Real Madrid e Barcelona ganham 140 milhões de euros por ano da tevê, enquanto Sevilha e Atlético de Madrid, outros times outrora grandes, recebem apenas 30% desse valor, ou 42 milhões.

A diferença de poder entre os clubes espanhóis se aprofunda a cada ano e é o que acontecerá no Brasil se algo não começar a ser feito agora. Mas não adianta esperar pelos presidentes, ou pelas diretorias dos clubes, comprometidos demais com o sistema. É uma ação que deve partir de nós, torcedores e formadores de opinião independentes do futebol.

Portanto, não assista mais jogos de Corinthians ou Flamengo pela tevê, nem mesmo para secar. E, se puder, espalhe no twitter hastags como a sugerida por meu amigo: #nãoassistogamba&urubu

Para começar, nem pense em ligar a tevê na Globo na hora do jogo de domingo. Chega de dar colher de chá para o adversário que não merece.

Para não dizerem que não falei do Santos, que está indo muito bem na Copinha, seguem abaixo os gols da vitória de 3 a 0 sobre a Internacional de Limeira. Domingo, o time joga contra o Guarani, às 17 horas. É claro que o santista não deixará de assistir a este jogo. Porém, o post de hoje fala de um assunto mais relevante e duradouro: o boicote aos jogos de Corinthians e Flamengo, que, para ter efeito, deve ser abrangente e permanente – ao menos enquanto durar a política de privilégios da Globo.

E aí, que tal deixar de assistir a jogos de Corinthians e Flamengo?