Hoje Neymar faz 20 anos e pode também chegar ao seu centésimo gol na carreira. Esses dois fatos, ligados ao melhor jogador brasileiro da atualidade, emprestam atrativos especiais ao clássico contra o Palmeiras, hoje, às 17 horas, em Presidente Prudente, com transmissão da Globo.

Com exceção de Neymar, além da possibilidade de um novo bom desempenho de Paulo Henrique Ganso, que foi bem no segundo tempo contra o Oeste, a expectativa para o jogo não é das melhores. O técnico Muricy Ramalho manterá o mesmo time que empatou com o Oeste, com a única diferença de que Íbson entrará no lugar de Elano.

Rafael continua no gol, Maranhão e Pará serão os laterais, Henrique e Íbson estão confirmados no meio-campo. A zaga continua com Bruno Rodrigo e Durval, já que Edu Dracena voltou das férias machucado. A esperança do santista está no tripé Ganso-Neymar-Borges, com algum auxílio de Arouca.

O Palmeiras deve ser escalado por Luiz Felipe Scolari com Deola, Cicinho, Leandro Amaro, Henrique e Juninho; Márcio Araújo, Marcos Assunção, Patrik e Valdivia; Luan e Fernandão.

No papel, os times se equivalem. A diferença é que o Santos tem Ganso e Neymar. No Palmeiras, a bola parada de Marcos Assunção e a categoria de Valdívia, há muito desaparecida, é que podem impedir que o jogo, feio e amarrado, fique no 0 a 0 – o que será se depender da filosofia defensivista de seus técnicos.

Curiosidades sobre o duelo

Em seguida o Wesley Miranda dará as estatísticas desse confronto, mas antes gostaria de lembrar duas coisas importantes sobre ele: o jogo da história do palmeiras que atraiu mais público foi justamente um contra o Santos em outubro de 1978, pelo Campeonato Paulista. Nada menos do que 129 mil pessoas tomaram o Morumbi. Dos 12 gomos das arquibancadas do estádio, oito, ou 2/3, estavam ocupados por santistas. Tanto, que ao rever os gols no Youtube (o Palmeiras venceu por 2 a 0), não se ouve a comemoração do público e sim um grande murmúrio de desaprovação da torcida santista.

Outro detalhe importante é que muitos, erroneamente, vendem a idéia de que nos anos 60, “quando não dava Santos, dava Palmeiras”. Isso só é verdade em parte, pois a divisão não era igualitária. No Campeonato Paulista, a cada quatro títulos e meio que o Santos ganhou, o Palmeiras ganhou um. Vejamos: 1960, 1961 e 1962 = Santos; 1963 = Palmeiras; 1964 e 1965 = Santos; 1966 = Palmeiras; 1967, 1968 e 1969 = Santos. É só fazer as contas.

Retrospecto

Santos e Palmeiras já se enfrentaram 297 vezes ao longo da história, com 91 vitórias santistas, contra 128 vitórias alviverdes e 78 empates. O Peixe marcou 434 gols e sofreu 526.

Em Paulistas são 175 jogos, 50 vitórias alvinegras contra 87 vitórias esmeraldinas e 38 empates. O time da Baixada Santista marcou 235 gols e sofreu 325.

Em disputa de títulos brasileiros, desde o primeiro confronto, em 1964, em disputa da Taça Brasil, foram 59 jogos, com 19 vitórias do Santos, 17 do Palmeiras e 23 empates

Vitórias, empates e derrotas do Santos contra o Palmeiras

Taça Brasil: 3, 0, 1
Robertão: 1, 2, 2
Brasileiro (desde 1971): 15, 20, 15
Copa do Brasil: 0, 2, 0
Rio-São Paulo: 10, 3, 6
Amistoso e outros torneios: 12, 12, 18

De Pelé e Cia a época Parmalat, o confronto entre Santos e Palmeiras não guarda favoritismo. Quem não se lembra do modesto Santos de Guga e Marcelo Passos que aplicou as duas derrotas que impediram o Palmeiras de conquistar o Brasileiro de 93 de forma invicta? Ou a Academia de Ademir da Guia, capaz de rivalizar com o grande Santos de Pelé? Até mortes coletivas por ataque cardíaco como no lendário 7 a 6 do Torneio Rio-São Paulo de 1958, e até o inesquecível gol de juiz. O clássico da saudade promete sempre grandes surpresas, emoções e muitos gols!

Artilheiros

O artilheiro do confronto é Pelé com 33 gols. Em seguida vem o lendário ponta Pepe com 15, seguido do centroavante Coutinho com 13 gols. O artilheiro do confronto pelo lado verde é o paulistano Heitor que jogou no Palmeiras de 1916 a 1931 e marcou 13 gols contra o Santos.

Pelé

O primeiro gol de Pelé aconteceu já no seu 24º jogo como profissional, e foram dois na vitória de 3 a 0 pelo Rio-SP em 15/05/57. O último gol, saiu na vitória de 4 a 0 válida pelo Brasileiro no dia 20/04/74. Essa foi a 30ª vitória de Pelé contra o time palestrino, contra 15 derrotas e 8 empates.

No primeiro confronto, água salgada no vinho palestrino

O primeiro confronto aconteceu em 1915, e serviu de teste para qualificação. O Palestra Itália pediu sua filiação à APEA, mas a entidade exigiu um teste prático da qualidade do time para aceitá-lo, marcando um confronto contra o quadro santista, que já era sócio da APEA.

As equipes se enfrentaram no Velódromo de São Paulo em 03/10/1915, e o Santos ganhou por 7 a 0 com gols de Ary Patuska (3), Anacleto Ferramenta (2) Arnaldo Silveira e Aranha. Com esse resultado, o Palestra Itália teve de esperar mais um ano para estrear no Campeonato Paulista.

O troféu mais valioso do futebol brasileiro foi para o Santos

Acreditando em mais um sucesso da Academia frente ao Santos, uma firma paulistana dirigida por fanáticos palmeirenses decidiu premiar o campeão paulista de 1965 com um belo e rico troféu, uma bola de ouro orçada em 50 milhões de Cruzeiros. Mas o Santos repetiu o sucesso de 1964 e conquistou o Bi campeonato com duas rodadas de antecedência, levando para Vila Belmiro o troféu mais valioso do futebol brasileiro.

Relembrando os bons tempos, segue um vídeo com essa grande conquista santista:

Finais e Decisões

Em jogos que valiam o título, o Santos levou vantagem no Paulista de 1968 ao ganhar o título em pleno Parque Antárctica. O Palmeiras conquistou em 1927, 1959 e em 1996.

Em decisões, a vantagem é santista, eliminando o rival nas semifinais da Taça Brasil de 64 e 65, no quadrangular do Paulista de 69 nas semifinais do Rio-SP de 1997, do Paulista de 2000 e 2009
O time alviverde eliminou o Santos na Copa do Brasil de 98 e no Paulista de 99 ambos em semifinais.

O último jogo

No último confronto, válido pelo Brasileiro, o Santos, desfalcado de Neymar, Ganso, Arouca, Elano e Edu Dracena, ganhou do Palmeiras por 1 a 0, na Vila Belmiro, dificultando a vida do rival na luta pela vaga da Libertadores e encerrando um incomodo jejum que durava desde a semifinal do Paulista de 2009. Foi a primeira vitória dessa 3ª geração de meninos da Vila sobre o rival. Durante esse pouco mais de dois anos foram sete partidas, com cinco vitórias do time da capital e 2 empates.

E você, o que acha que dará no clássico de hoje?