O Internacional, campeão da Copa Libertadores em 2010, estreou na competição, semana passada, sem a presença da tevê. Amanhã, na Bolívia, o atual campeão da Libertadores, o Santos, também estreará – contra o Strongest – sem tevê aberta e talvez nem mesmo a fechada. Enquanto isso, um certo time, parceiro da Globo e apadrinhado pelo ex-presidente da República, terá todos os seus jogos às quartas-feiras, no horário nobre da tevê.

Quem lê este blog não está espantado com isso, pois sabe dos desejos inconfessos da Globo e do poder político deste País de espanholizar o futebol brasileiro. Se os dois últimos campeões da Libertadores podem ser tratados com tamanho desprezo, se o privilégio do alvinegro paulistano é tão flagrante, é porque vivemos no País em que o mérito, qualquer que seja, vale muito pouco, enquanto a influência política – e econômica – predominam insolentemente.

Enquanto os santistas, que têm o orgulho e a felicidade de torcer para o atual campeão das Américas – time de Neymar, o grande jogador do continente -, terão de sair catando a transmissão do jogo de seu time pelo rádio ou Internet, os torcedores do time que em 101 anos jamais ganhou um título internacional, terão à sua disposição o cobiçado horário que vem depois da novela.

É uma vergonha que em pleno século XXI a TV brasileira seja dominada por critérios tão inescrupulosos, por pessoas tão mal intencionadas, por valores tão desprezíveis. Que mensagem essa decisão está passando para a população brasileira? Que qualidade, que currículo, não valem nada. Que o que interessa é a quantidade, o discutível ibope.

No dia em que os ladrões forem maioria neste País, ser honesto passará a ser crime? Pelos populistas, provavelmente sim. Se a maioria dita as normas, então de que valem a justiça e a ética? Por isso é que torcedores de todos os outros times prejudicados não devem assistir mais a jogos dos dois privilegiados, principalmente do queridinho do “puder”, o alvinegro paulistano.

A única linguagem que um dinheirista amoral entende é a dos ganhos e perdas financeiras. Por isso, apenas reduzindo o ibope desses times é que haverá uma chance de se tentar um novo caminho para o futebol brasileiro. Do jeito que está, não haverá esperança.

Pressinto que logo, logo, a pressão política e financeira entrará em campo também na Libertadores, que até agora foi imune aos conchavos que se vê no Brasil. Está cada vez mais perto o dia em que o time que já foi campeão tantas vezes por influências externas, também chegará ao seu título internacional levado por decisões confusas de árbitros e entidades.

É uma vergonha que assim seja, mas é a realidade. Em muitos aspectos o futebol brasileiro regrediu. Terá estádios novos e uma grande maquiagem para a Copa do Mundo, mas nos bastidores a situação é tão ou mais suja ou confusa como sempre. Há um time que querem fazer campeão na marra. Há outros, como Santos e Inter, que apenas jogam futebol.

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O que você acha de a Globo não transmitir o jogo do Santos?