Acho que você também está curioso para saber quem é este Felipe Lobo Faro que o Santos contratou como superintendente de esportes e que passa a ser o manda-chuva do futebol do Time dos Sonhos.

O que se sabe é que por 12 anos o rapaz trabalhou como diretor de negócios da Traffic. Como homem de confiança do jornalista e empresário J. Hawilla, ajudou a gerir o Deportivo Brasil, em Porto Feliz/SP, e o Estoril, de Portugal; participou das co-gestões de Ituano e Avaí e da parceria com o Palmeiras. Também firmou um convênio com o Manchester United, da Inglaterra.

Seu trabalho não gerou nenhum time campeão e, que eu saiba, não revelou nenhum jogador de destaque. A parceria com o Palmeiras não deu resultado prático, o Avaí foi rebaixado, o Ituano e o Estoril continuam pequenos. Não creio que esses antecedentes o credenciem para dirigir o futebol do Santos.

Mas Felipe Faro é visto em congressos sobre marketing esportivo e suas falas são repercutidas. O moço tem ar de inteligente e honesto. Porém, fazendo o papel de advogado de diabo, sou obrigado a lembrar uma frase que ouvi da estrela Maria Esther Bueno: “Quem sabe faz, quem não sabe, ensina.”

Fico aqui, chato como só eu mesmo, imaginando se nosso simpático Felipe já chutou uma bola na vida. Meus críticos responderão: “Mas Odir, o que tem a ver uma coisa com a outra? Para entender de negócios de futebol não é preciso ter jogado”.

Sim, talvez este seja um bom argumento. Mas será que um dono de padaria não precisa entender de pão? Pergunto isso porque leio que Felipe Faro, diante de todos os profissionais à disposição no mercado, preferiu contratar Carlos Alberto Parreira para tocar o futebol do Deportivo Brasil. Sim, ele é admirador confesso de Parreira, a quem considera um dos grandes, ou o maior técnico do Brasil.

Li isso e, reconheço, fiquei com a pulga atrás da orelha. Parreira foi o responsável pela pasteurização da Seleção Brasileira, relutou até o último instante de levar Romário para a Copa de 1994 e, certamente, jamais chutou uma bola na vida.

Mas é claro que me vergo ao profissionalismo e reconheço que o futebol tem de se profissionalizar e blá-blá-blá… Porém, será que o grande segredo de um superintendente, gerente ou técnico de futebol, não é saber distinguir um craque de um cabeça de bagre? Digo isso porque, em sua experiência mais relevante, a Traffic investiu muito, mas não conseguiu transformar o Palmeiras em um time campeão. Os jogadores mais afamados – Keirrison, Diego Souza e Cleiton Xavier – foram contratados e depois vendidos.

Outro detalhe: até agora Felipe Faro tem se preocupado em criar uma estrutura para formar jogadores e depois negociá-los, com bom lucro. No Santos, a meta é descobrir e preparar garotos bons de bola e ficar com eles, pois, como bem disse o presidente Luis Álvaro Ribeiro, o clube não é um banco.

O que Steve Jobs diria sobre isso

Perceba que ainda nem toquei no ponto que num clube de futebol é bem relevante: até que ponto Fernando Lobo Faro é apaixonado por futebol, ou pelo Santos? Conheço ótimos profissionais do meio que pensam diferente de mim: acham que um clube de futebol deve procurar os melhores executivos do mercado, independentemente do clube que torcem.

Mas há agremiações, como o alvinegro da capital, que fazem questão de contratar apenas quem, além de competente, torce para o time. Na dúvida, fui atrás dos critérios do exemplar Steve Jobs para a contratação de pessoas para a Apple. Disse ele, em uma entrevista para a revista Success, em junho de 2010:

“Quando contrato alguém para a Apple, a competência é pré-requisito. A pessoa precisa ser muito capaz. Mas a verdadeira questão para mim é: “Será que ela se apaixonará pela Apple?” Pois se ela se apaixonar pela Apple, tudo o mais se resolverá por si mesmo”.

Jobs acha que quando você é apaixonado pelo seu trabalho, tem mais perseverança, resistência e energia. Concordo plenamente com ele. Manter esse blog há dois anos sem nenhum centavo de publicidade acho que é uma pequena demonstração de carinho e atenção com o Santos e os santistas.

Assim, diante dos fatos e dessa sábia frase do genial Jobs, eu diria que é interessante ter um executivo de marketing tomando conta do futebol do Santos, mas quem dirá a ele quem joga bem e quem é um bonde? Muricy Ramalho? O mesmo que indicou as contratações de Henrique, Íbson e Alan Kardec? Hummm…

Apesar do nome, não creio que Felipe tenha o faro do boleiro. Por outro lado, com tantos ex-jogadores que sentem o cheiro do craque a quilômetros de distância – como Edu, Zito, Pepe, Lima, Mengálvio, Coutinho, Ailton Lira, Giovanni e outros –, por que não aproveitar esse trunfo que poucos clubes podem ter?

Assim, para não dizerem que fiquei só no papo e não dei nenhuma sugestão, sugiro que um veterano desses dos bons, ou alguns deles, trabalhem como consultores técnicos ligados ao jovem superintendente. Sim, porque pior do que não contratar jogadores, é contratar jogadores ruins e caros, que tiram o lugar de jovens promissores e raspam os cofres do clube.

E você, o que achou da contratação de Felipe Faro?