Fiquei com a impressão de que, se fossem os reservas, teriam vencido o lanterna Oeste, ontem, em Barueri. Não só pelo resultado ruim – que em vez de subir o time para sétimo, o fez cair para nono, fora da zona de classificação –, mas, pelo rendimento dos jogadores, cristalizei algumas dúvidas. Foi mesmo o time titular que jogou ontem? Acompanhe meu raciocínio, querido torcedor e torcedora do Santos:

Rafael, no momento, é melhor do que Aranha? Positivamente, não. O “reserva” sai melhor do gol e é mais tranqüilo. Jamais chutaria aquela bola para a lateral, diante de tantas opções que tinha, por exemplo.

Os laterais Pará e Maranhão são titulares? Não, não, mil vezes não! Aliás, ver de novo Pará e Maranhão jogando no Santos, e ao mesmo tempo, é um pesadelo que o santista não merecia justo no ano do Centenário do clube. Depois de ter Jonathan e Léo, ou Danilo e Alex Sandro, é um retrocesso incrível contar com os dois vizinhos de Estado. Eles são laranja que não dão mais caldo.

A dupla de zaga Bruno Rodrigo e Durval é melhor do que Bruno Rodrigo e Vinícius Simon? Não. No máximo é igual. Talvez seja até pior, já que no gol do Oeste o rapaz estava mais livre do que político brasileiro corrupto. E o final o Oeste só não desempatou por milagre, em lance na pequena área.

Henrique é melhor do que Anderson Carvalho? Também não. Pode ser mais rodado, mais velho, teoricamente mais experiente. Mas usa sua experiência para fazer o quê? Tocar de lado, errar passes fáceis, inibir-se diante da possibilidade de avançar… Com toda a sua imaturidade e com os “defeitos de fábrica” que possui, eu escalaria o garoto Anderson Carvalho.

De Elano nem vou falar. Voltou das férias da mesma forma que entrou. Péssimo, desligado, à procura de um futebol que se perdeu pelo caminho.

Íbson é melhor do que Felipe Anderson? NÃO! O gol pode enganar, mas a verdade é que Íbson foi um dos piores em campo. Errou tudo e deixou Muricy louco e rouco. Fez um gol, mas no todo não mostrou um bom futebol. Mesmo às vezes sonolento, Felipe Anderson é mais criativo, mais incisivo.

Arouca é titular? Sim. Mas precisará de mais jogos para volatr ao seu jogo. Aliás, dá para entender o time enfrentar o lanterna com dois volantes – Arouca e Henrique – e ainda empatar o jogo?

Ganso também é titular, claro. Deu uma boa melhorada no segundo tempo. Perdeu um pouco a sensibilidade do passe, mas logo a recuperará. Está com vontade de jogar. E de sair do Santos. O que não é novidade. Deixou claro ao final da partida que iria para o Porto pelo belo salário que o clube português oferece. Ué, por que assinou contrato com o Santos, então? O tempo está mostrando que Ganso é um garoto mimado e chorão. Mas é um craque.

Borges é titular, mas, como centroavante, foi pior do que Alan Kardec, que marcou gols nos três jogos anteriores. Ou seja: ao menos ontem, manter Kardec poderia ter sido melhor.

E Neymar? Ah, Neymar é o único verdadeiro grande jogador deste time. Ontem até roubou bolas na defesa. Está mais forte, decidido. Se não tivesse tanto companheiro medíocre ao seu lado, teria ajudado o Santos a golear. Não é à toa que se fala mais de Neymar do que do Santos. Sem ele, o que é o Santos?

E agora vamos ao técnico: Muricy ou Tata? Olha, sei lá. Incrível a incapacidade de Muricy de fazer o Santos obedecer ao seu DNA de marcar muitos gols. Se nem com o time titular, contra o, repito, lanterna Oeste, com mando de jogo, torcida a favor e gramado bom, o time fez ao menos uns três gols, quando assistiremos a uma goleada do time que mais marcou gols na história?

A tevê mostrou que, tal qual um técnico de várzea, Muricy gritou o tempo todo para darem a bola para o Neymar. Pô, assim até eu. O Santos voltou de um momento constrangedor, que foi a goleada sofrida para o Barcelona, e Muricy não aprendeu nada. Continua baseando o futebol de seu time e sua manutenção no cargo na genialidade de Neymar. Bem, ao menos deveria repartir seu salário com o Menino de Ouro.

O estranho é que os jogadores entram de férias por que estão exaustos e voltam jogando mal porque não têm ritmo. A única exceção, sempre, é Neymar. Este joga bem cansado e descansado. Sabe por quê? Por que é o único craque do time, além de ser o cara de mais personalidade. Mais uma vez foi quem saiu mais chateado de campo.

O técnico não diz que o time é fraco e vai se segurando no cargo, a diretoria não admite que está sem grana para contratar e vai mantendo jogadores que não têm mais nada a dar ao Santos, e o torcedor, como sempre, é obrigado a ter paciência. Será preciso tomar uma traulitada na Copa Libertadores para perceber que alguns jogadores não podem mais ser titulares do glorioso Alvinegro Praiano? Bem, só estou avisando. E quem avisa, amigo é.

Resumindo, dos jogadores que atuaram ontem, muitos não são os melhores que o Santos tem para as posições. Henrique e Íbson jogam porque foram indicados pelo técnico e porque se forem para o banco, serão muito desvalorizados. A verdade é que, no momento, Rafael, Pará, Maranhão, Durval, Elano, Íbson e Henrique não deveriam ser titulares no Santos. Arouca caiu de rendimento e Ganso está querendo sair. A renovação é uma necessidade urgente. Se não tiver coragem para fazê-la, o Santos correrá o risco de passar um Centenário desastroso.

Para terminar, um pitaco nos comentários de Maurício Noriega, do Sportv. Sei lá se sou implicante, mas percebi claramente a torcida velada contra o Santos. Não chega a ser descarada como a de Muller, mas existe e ficou evidente no lance em que Neymar partia livre para o gol e foi empurrado por trás, em jogada típica de cartão vermelho. Aí o comentarista me vem com a explicação de que “não era uma chance clara de gol”. Ora, o Neymar com a bola dominada, livre, indo pra cima do goleiro, tem mais probabilidade de dar o quê? Ou chance clara de gol é aquela em que a bola está pingando em cima da risca e o atacante pode chutar sem ninguém ao seu lado? Ora, ora, ora, senhor Noriega. Desta vez pisaste feio na bola.


E para você, quem é titular e quem é reserva neste Santos?