Falar o quê da derrota do Santos para o Palmeiras? Todos os motivos já vêm sendo debatidos pelos santistas há algum tempo. Para ser mais exato, desde a campanha medíocre no Campeonato Brasileiro do ano passado. Daqui a pouco a última imagem vitoriosa, a do time comemorando a conquista da Copa Libertadores, fará o seu primeiro aniversário. De lá pra cá, o Santos nunca mais jogou um futebol de encher os olhos.

Foi muito estranho tomar aquela chacoalhada do Barcelona e logo em seguida tirar um mês de férias, como se nada tivesse acontecido. Aquele era um sinal claro de que a equipe precisava de um choque. Um choque de gestão? Talvez. Mas não podia ficar como estava – sem padrão de jogo, sem capacidade de sair jogando de sua defesa, dependendo apenas dos arroubos e da habilidade de Neymar.

Quando a necessidade de mudança bate à porta de uma empresa, ou ela muda, ou quebra. Empresários, como aqueles que fazem parte do grupo gestor do Santos, sabem, ou deveriam saber disso. E o sinal dos deuses de que mudanças eram necessárias foi o vexame contra o Barcelona.

Porém, engessado por um sistema que pode dar certo no ambiente corporativo, mas é terrível no mundo dinâmico do futebol, o Santos continuou mantendo como titulares vários jogadores que ganham altos salários, têm contratos longos, e estão jogando mal e sem motivação.

Se forem para o banco, serão desvalorizados. Então, precisam jogar. Mas não jogam, não se empenham e ainda tiram o lugar de quem poderia, ao menos, se dedicar mais a cada vez que entrassem em campo.

E, de novo, como em um período recente que a gente quer esquecer, o Santos se vê escravo de seu elenco e de seu técnico. Muricy está em uma fase péssima, mas tem um salário altíssimo e uma multa contratual milionária. Teimoso, não muda uma vírgula de sua filosofia arcaica e medrosa de jogo e dá de ombros com relação à possibilidade de ser demitido, pois embolsaria uma fortuna e estaria empregado logo em seguida.

Assim como ele, alguns jogadores ligaram o… dane-se! Se não quiserem que joguem, vão pro banco, com os rendimentos garantidos. Se forem dispensados, outras multas milionárias os esperarão. Assim, nada têm a perder, a não ser a honra, a ética – qualidades raras nos meios futebolísticos.

Um elenco limitado e desmotivado

Parece brincadeira que, após dois anos de algum sucesso, justo na temporada de seu Centenário, o Santos tenha como laterais Pará e Maranhão, para os quais a definição de “jogadores de futebol” já é um elogio. Erráticos, inseguros, incapazes de completar uma jogada com inteligência e determinação, são pesos-mortos e eternos pontos fracos do time.

E o que dizer de Henrique? Nulo no ataque e na defesa. E de Íbson, que não joga nada e consegue ser expulso? Sim, talvez o árbitro tenha errado em sua expulsão, mas há males que vêm para o bem. Ao menos no próximo jogo ele não entrará em campo.

E Elano, bem mais jovem do que Marcos Assunção, mas que se cansa ao final de uma única etapa? (ah, e Marcos Assunção teria sido bem mais barato…). E falar o quê de Borges, que voltou machucado das férias. E de Alan Kardec, que depois de jogar bem entre os reservas, não fez nada nos dois jogos em que entrou na equipe dos titulares?

Rafael fez grandes defesas, como a gente sabe que ele sabe fazer, mas tomou um gol em que o atacante adversário cabeceou na pequena área, como a gente sabe que ele e a defesa do Santos costumam tomar.

Paulo Henrique Ganso está descontente, quer ir embora. Até que tentou algumas coisas hoje, mas é visível sua má vontade. A dupla de zaga Bruno Rodrigo e Durval poderia estar vestindo a camisa de qualquer time nesse Campeonato Paulista. Enfim, não impõem respeito. Para resumir, o Santos se valeu de algum empenho de Arouca, de alguns passes do Ganso e de Neymar, sempre Neymar, que ao menos fez o seu centésimo gol no seu aniversário.

Enfim, não sei como deixaram chegar nisso, mas a verdade é que o Santos ficou reduzido a um grupo de jogadores “titulares” dividido entre os que não querem e os que não conseguem jogar.

Muricy diz que os garotos do Santos têm defeitos de fabricação, mas não admite que fez o clube gastar com três bondes: Henrique, Íbson e Alan Kardec, que jogam no máximo no mesmo nível dos garotos, só que custaram muito mais caro e têm contratos muito mais longos. Que time no Brasil quer levar algum desses três? O trio representa prejuízo certo. Se o Santos fosse realmente uma empresa, Muricy seria demitido por justa causa por provocar tamanho rombo nas finanças.

Está faltando coragem para tomar decisões

Se mexer no time e tirar quem não está jogando, Muricy será obrigado a colocar no banco muita gente de salário alto. E deve pensar: “e se a garotada não melhorar muito o time, como farei na Libertadores”? Então, como minha boa mãe, deve ter decidido pelo adágio popular: “Ruim com eles, pior sem eles”. Sabemos que o técnico santista não tem coragem de ousar. É um, digamos… comedido.

O ideal teria sido manter os reservas no Campeonato Paulista e preservar esses “titulares” para a Libertadores. Não creio que os reservas empatassem com o Oeste ou mesmo perdessem para este Palmeiras, que também é pouco mais do que medíocre.

Este Santos, com exceção de Neymar, é um time sem tesão, esta é a verdade. Alguma coisa está mal parada. Falta dar um chacoalhão nesses jogadores, mas quem tem o perfil e coragem para fazer isso? Quem tem peito para colocar o caráter acima do salário?

Em todas as vezes em que apostou nos garotos da base, o Santos foi pressionado pelas circunstâncias. Espero que não tenha de ir ao fundo do poço agora para perceber que não se ganha títulos com nome de jogador. É preciso vontade, amor à camisa, coisa que estes jogadores – com exceção de Neymar – não estão demonstrando.

Mas o ano está começando. Ainda é possível reverter esse quadro, se houver vontade, competência e trabalho. O problema é que não sinto essa disposição nem na comissão técnica, nem na maioria dos “titulares”, nem na direção do clube. Só que é o ano do Centenário, do nosso Centenário, e quem não quiser se doar de corpo e alma para o clube, que peça para sair. Paciência tem limite.

E você, o que achou da derrota do Santos e da fase do time?