Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: março 2012 (page 1 of 7)

Considerações sobre o filme “100 anos de futebol arte”

Finalmente ontem, no MIS, pude assistir, ao lado de amigos santistas – muitos deles leitores deste blog – ao filme “100 anos de futebol arte”, produzido pela Canal Azul e dirigido por Lina Chamie. Há muito queria ver o filme. Na verdade, bem antes de ser editado, já que pelo acordo que eu tinha com Ricardo Aidar, presidente da Canal Azul, além de auxiliar no roteiro, eu checaria a veracidade histórica da obra.

Em que momento fui descartado da fase final do filme? Não sei, mas estou certo de que tem muito a ver com a posição independente deste blog. É óbvio que se a edição final levasse em conta minha opinião, algumas pessoas não precisariam ser ouvidas, enquanto outras, indispensáveis para se compreender a alma do Santos – como Zito e Clodoaldo, por exemplo – jamais seriam esquecidas.

“Meu filme” daria muito mais espaço aos anos 60 e teria ao menos algumas lindas jogadas de Pelé. Por mais que o orçamento fosse curto, e sei que era, é inadmissível um filme sobre o Santos – que tem o depoimento de Pelé – não mostrar algumas jogadas do Rei. Todo o esforço deveria ter sido feito para isso. E valia também um pouco mais de empenho para retratar o título mundial de 1962, um divisor de águas na história do clube.

Também não entendi a não utilização de imagens da entrevista que fiz com Mário Pereira, o último remanescente do título pioneiro de 1935. Será que na edição não foi possível cortar minha voz? Ora, que se usasse ao menos uma frase do grande “Perigo Loiro”, que nos deixou no último dia do ano passado.

Nem vou reclamar que nenhum segundo da longa entrevista feita comigo em um sábado, em uma bela casa do Pacaembu, tenha sido aproveitado. É claro que é frustrante preparar-se para uma entrevista que resumiu toda a história do Santos e depois não se ver no filme, mas se Zito, Clodoaldo, Coutinho e Edu, entre outros, também não foram lembrados, seria muito cabotinismo de minha parte reclamar de minha própria ausência.

Destaques: Luiz Zanin, Xico Sá, Mano Brown, Robinho, Cosmo Damião…

Gostei muito da idéia da diretora Lina Chamie de usar o papo de Mano Brown e Cosmo Damião, descendo de carro para Santos, como fio condutor da história do clube. Espontâneos, carismáticos, eles deram o tom de torcedores apaixonados que o filme queria. Também gostei muito do contraponto intelectual de Luiz Zanin e Xico Sá, principalmente. Cao Hamburguer também mandou bem.

Outro destaque, para mim, foi Robinho. Com que naturalidade ele falou da formação do time de Meninos e do título brasileiro de 2002! Diego e Leão também me surprenderam, com belos depoimentos.

Senti falta, porém, de mais informações sobre o Brasileiro de 2004, ganho contra tudo e contra todos. Daria um mini-enredo com final feliz que empolgaria a todos. Até porque houve o drama do seqüestro da mãe de Robinho. O pentacampeonato brasileiro, de 1961 a 1965, é outro momento marcante da história santista que foi ignorado.

Achei estranho, ainda, a própria Lina Chamie incluir-se nos depoimentos. Um filme como esse, que celebra um Centenário, deveria priorizar pessoas significativas para o clube, com uma longa folha de serviços prestados, e elas não faltavam. Se tivessem me perguntado, eu lhes daria uma lista enorme.

A discutida participação do gerente de marketing Armênio Neto

Como leitores deste blog já tinham me alertado para a participação, digamos, polêmica, do gerente de marketing Armênio Neto, prestei atenção nas suas falas para checar se tinham algum problema ou as críticas eram apenas implicação dos leitores que não se simpatizam com o gerente.

Em primeiro lugar, percebi algo muito estranho no visual de Armênio e aproveito para lhe dar um conselho, aprendido em muitos anos de trato com a imprensa: jamais dê uma entrevista à tevê e muito menos ao cinema, usando óculos escuros, como você fez. O que dá credibilidade às palavras é o olho no olho. Quem usa óculos escuros em entrevista ou é personalidade que todo mundo já conhece, ou bandido que quer se esconder. Na próxima vez, olhe no olho do torcedor e seja o mais sincero possível.

Outra coisa: nunca diga que a torcida do Santos é pequena, ou é menor do que a dos outros. Pois eu digo que a torcida do Santos é tão grande como qualquer outra e explico porquê. Quantas pessoas cabem no Pacaembu? 38 mil? Okay. Como o Santos tem 2,5 milhões de torcedores entre a Grande São Paulo e a Baixada Santista, só com esse contingente daria para lotar 65 Pacaembus.

Então, se o Santos pode, sempre, lotar o maior estádio em que costuma jogar, sua torcida é tão grande como as maiores. Mas ela precisa ser reconquistada, atraída. Como? Com promoções ou, talvez, com a mais óbvia das alternativas, que é o ingresso mais barato. Enfim, não é a torcida do Santos que é menor, é o marketing do Santos que tem sido pouco eficiente nesse quesito.

Balanço final é muito positivo

Apesar das ausências, o balanço final do filme é altamente positivo. Afinal, trata-se do primeiro longa metragem sobre o Santos Futebol Clube. O baixo orçamento impediu que se adquirisse imagens de jogos essenciais para se compreender melhor a história do clube, assim como invibilizou algumas entrevistas, mas senti que os que foram à exibição sairam satisfeitos, orgulhosos por mais esse passo.

ATENÇÃO CINEMAS INTERESSADOS EM EXIBIR O FILME

Cinemas interessados em exibir o filme “100 anos de futebol arte” devem entrar em contato com Ricardo Aidar, da Canal Azul. Os e-mails podem ser enviados para este blog e eu repassarei ao Ricardo.

E você, o que achou do filme “100 anos de futebol arte”?


Ah, Neymar, que bom torcer para o time em que você joga!

Ah, como é bom torcer para o time do Neymar! Ontem o garoto novamente deu um show. Fez três gols e participou dos outros dois (de Borges e Juan), na goleada de 5 a 0 sobre o Guaratinguetá, na Vila Belmiro, depois de uma vantagem de 4 a 0 na primeira etapa. Agora o time está mais tranqüilo na quarta colocação, com dois pontos a mais do que o Mogi Mirim.

Antes do jogo, Osmar Santos, o grande narrador de futebol do Brasil, entregou uma placa a Neymar pelo gol contra o Internacional. O único detalhe menos positivo é que menos de 4.500 pessoas pagaram para ver a partida. Está ficando cada vez mais difícil justificar as partidas contra times pequenos na Vila Belmiro. Qualquer um já sabe que na Vila Belmiro o estádio só lota em clássicos.

Veja os gols de Santos 5, Guaratinguetá 0:

Hoje o MIS exibe o filme “Santos, 100 Anos de Futebol Arte”

Desta vez eu estarei lá. Às 20 horas o MIS – Museu de Imagem e do Som – exibirá o longa-metragem “Santos, 100 Anos de Futebol Arte”, dirigido por Lina Chamie e produzido pelo Canal Azul. A entrada é gratuita. Coloque sua camisa do Santos e compareça com uma hora de antecedência.

O MIS se localiza à Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo, telefone (11) 2117-4777. Detalhe: o filme não é recomendado para menores de 16 anos. Outro detalhe: o Guia da Folha anuncia o filme como “A trajetória do primeiro time brasileiro a se tornar bicampeão mundial”. A informação é incompleta. O Santos é o primeiro time do planeta a se tornar bicampeão mundial.

Racha na Resgate

O empresário Fernando Silva, ex-executivo do futebol do Santos, demitido no início deste ano, enviou um e-mail aos santistas filiados ao Movimento Resgate pedindo que os diretores do clube que pertencem à Resgate entreguem seus cargos, em protesto contra a intenção da diretoria do Santos e do presidente Luis Álvaro de Oliveira de trocar o comando da Resgate, substituindo, entre outros, o presidente Celso Pires. Para Fernando Silva, “é desnecessário insistir que é legítimo que muitos resgatistas, inclusive aqueles que compõem o CO, tenham restrições “políticas” à atual gestão”. O presidente Luis Álvaro Oliveira, que permanece na Suíça, em missão da CBF junto à Fifa, ainda não se manifestou sobre o assunto.

Centenário do Santos em Orlândia

O santista Henrique Zanardi está organizando um jantar em homenagem ao Centenário do Santos em Orlândia, interior de São Paulo, a 360 quilômetros da capital. O jantar, que contará com as presenças ilustres dos ídolos Edu e Falcão, será realizado dia 21 de abril, um sábado depois do 100º aniversário do Peixe. Estarei lá, com a Suzana.

Manifesto dos Historiadores do Futebol

Foi muito agradável o encontro no Bar Artilheiros, ontem. Bela iniciativa do Alessandro Rodrigues Pinto e ótima participação do pesquisador Fernando Galluppo, que me convenceu de que o Palmeiras foi mesmo campeão mundial em 1951 ao vencer a Copa Rio. Na oportunidade, Galluppo eu e os presentes concordamos em nos reunir com outros historiadores e pesquisadores do futebol e criar um Manifesto que será entregue à CBF e às autoridades, visando proteger o futebol brasileiro e manter a competitividade das competições nacionais.

E você, o que tem a dizer sobre esses assuntos?


Santos e Guará e eu e Galluppo hoje no Artilheiros Bar

Galluppo e eu, hoje no Artilheiros Bar, falando sobre Unificação

O Artilheiros Bar, reforçando sua atmosfera de espaço do futebol, criará uma série de eventos voltados à discussão das mais diversas questões ligadas ao nosso esporte preferido.

Para a estreia, nesta quinta 29/03, teremos um bate-papo sobre o reconhecimento de títulos e sua importância. Estarão presentes os escritores Odir Cunha (autor de 18 livros dentre eles o Dossiê da Unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959) e Fernando Razzo Galuppo (escritor e historiador do Palmeiras) falando sobre o título de 1951.

Será um evento descontraído e a sua participação é fundamental. A entrada é franca e a cerveja gelada.

Nos vemos por aqui, a partir das 19:30h

Artilheiros Bar – Rua Mourato Coelho, 1194 – Vila Madalena

www.artilheirosbar.com.br

Santos e Guaratinguetá, predomínio absoluto

O Santos jamais sofreu um gol do Guaratinguetá e jamais deixou de vence-lo. Não deverá ser hoje, na Vila Belmiro, que a surpresa acontecerá. Até porque, mais do que o empate que já lhe garantiria a classificação para as quartas de final, o Santos precisa lutar para ficar ao menos com a quarta posição, o que lhe dará alguma vantagem no jogo das quartas.

E com o time completo – com a dupla Neymar e Ganso em campo – quem pode esperar outra coisa a não ser a vitória santista e, se possível, com belas jogadas e lindos gols?

Santos: Rafael; Fucile, Edu Dracena, Durval e Juan; Adriano, Arouca, Ibson e Paulo Henrique Ganso; Neymar e Borges. Técnico: Muricy Ramalho.

Guaratinguetá: Jailson; Luiz Felipe, Vinícius, Baggio e Leandro Silva; Rick, Gercimar, Lúcio Flávio e Charles; Jonatan e Djavan. Técnico: Carlos Octávio do Valle (interino)

A arbitragem será de José Cláudio Rocha Filho, auxiliado por Paulo de Souza Amaral e Maria Nubia Ferreira Leite. A transmissão será do SporTV.

Retrospecto de Santos x Guaratinguetá

Por Wesley Miranda

Santos e Guaratinguetá se enfrentaram apenas 3* vezes na História, e o Santos bateu o time do interior em todos eles. As três partidas foram disputadas pelo Paulistão. O Orgulho do Vale sequer marcou um gol no time da Vila Belmiro!

O artilheiro do confronto
É o centroavante Kléber Pereira, que jogou de 2007 a 2009 e marcou 87 gols com a camisa do Santos. 25º artilheiro na história do Santos e sexto na era pós Pelé, o maranhense foi o principal artilheiro do Santos em 2008 (41 gols) e 2009 (24 gols) e conseguiu a artilharia do Brasileiro de 2008 com 21 gols.

O primeiro confronto
O time da Garça é um dos mais novos do futebol paulista. Fundado em 1998, só enfrentou o Santos quando chegou à série principal do Paulista, em 2007. O jogo válido pela 5ª rodada da primeira fase, disputado na Vila Belmiro, terminou 1 a 0 para o Santos, com gol do meia Zé Roberto. Com o resultado o Santos manteve o 100% no campeonato!
E se o Santos foi o campeão do certame, o estreante Guaratinguetá do goleiro Edson Bastos não fez feio e conquistou o Campeonato Paulista do interior ao bater o Noroeste!

O “bom” filho a casa torna
Pelo Paulista de 2008, o Santos bateu o então líder Guaratinguetá por 1 a 0 no Estádio Professor Dario Rodrigues Leite. O gol santista saiu quase no fim do jogo (41′ do 2º), com Marcinho Guerreiro. Em 2001 o volante teve uma rápida passagem pelo time da Garça. Com a vitória o Santos almejou disputar a segunda fase do Paulista. Mas foi o time do Guaratinguetá, com ótima campanha, que se classificou para as semifinais, quando foi eliminado pela Ponte Preta.

Estréia com estreias
Pela primeira rodada do Paulista de 2009, o jogo marcou as estreias do lateral-direito Luizinho, do lateral-esquerdo Triguinho, dos meias Lúcio Flávio e Mádson e o atacante Roni. Contrariando a frase de que a primeira impressão é a que fica, um dos destaques do jogo foi Lúcio Flávio, que deu duas assistências para o bom e velho Kléber Pereira balançar as redes duas vezes e se tornar o maior artilheiro do confronto!

O 4º confronto?: *Americana Futebol Clube
No fim de 2010, a empresa gestora do clube, Sony Sports, decidiu deixar a cidade de Guaratinguetá e ir para Americana. O único confronto entre Santos e Americana aconteceu em 2011 pela penúltima rodada da primeira fase do Campeonato Paulista e marcou a estréia de Muricy Ramalho no comando do Santos. Apesar de jogar com seus principais jogadores, o Santos não superou o time de Americana e o resultado foi 0 a 0. Mas as atenções estavam mesmo viradas para o confronto de quatro dias depois, o histórico jogo contra o Cerro Porteño, na batalha de Assunção.
http://www.youtube.com/watch?v=6ihw5JWWiWc

Vamos nos ver hoje no Artilheiros Bar? E sobre Santos e Guará, o que esperar?


Festival de besteiras que assola o país na questão Neymar

Carta a Odir Cunha

Por Marcelo Da Viá

Odir, mais uma bobagem sobre a pseudo-necessidade de Neymar jogar na Europa. Além disso, agora deram para falar besteira sobre Pelé e o grande Santos dos anos 60, assunto do qual você é um dos maiores especialistas. Por que digo isso? Ontem, em sua coluna na Folha, Tostão, uma das vacas sagradas da crônica esportiva brasileira, saiu com a seguinte pérola: Pelé não “precisou” sair do Santos porque já jogava no melhor time do mundo. Raciocínio torto que, na melhor das hipóteses, só consegue ser mais um bom argumento a favor da permanência de Neymar.

Na verdade, não precisa ser um gênio para intuir (ou constatar) que foi JUSTAMENTE porque Pelé ficou que o Santos se tornou de fato o melhor time do mundo na época. E não aconteceu de uma hora para outra, como você bem sabe: por não ter uma defesa sólida e precisar amadurecer, o Santos perdeu a Taça Brasil para o Bahia e o Paulistão para o Palmeiras em 59. Aí o clube contratou Gylmar e zagueiros melhores. Ao mesmo tempo, Pelé funcionou como um imã, atraindo para a Vila alguns dos melhores jogadores (juvenis, jovens e veteranos) do Brasil, e deu no que deu. É fato, não achismo.

Se Tostão argumentasse que Neymar não é Pelé e não deve perder tempo tentando repetir essa história incrível de sucesso pessoal e coletivo, eu continuaria a discordar enfaticamente, mas pelo menos ele estaria sendo coerente.

O próprio Barcelona de hoje foi se moldando a partir do trio Messi-Iniesta-Xavi. Imagine se um deles tivesse caído fora uns dois, três anos atrás. E é bobagem atribuir ao genial (jogador, não técnico) Johan Cruijff o grande futebol que o Barça joga atualmente, no sentido de que tudo teria sido “cumulativo” etc. São os jogadores de hoje, comandados pelo ótimo Guardiola, que sobressaem, nada mais que isso. Messi e Xavi estão, respectivamente, à altura de Cruijff e Neeskens, e isso não é nada pouco. Bem, o Santos já tem Ganso e Neymar, e na flor da idade, então por que não poderia sonhar em fazer o mesmo, nos seus moldes? Tostão foi muito infeliz. Daria para elencar mais algumas contradições, mas dá preguiça. A inteligência não pode, não deve atentar contra a lógica e contra os fatos.

Um forte abraço, Marcelo Da Viá.

E pra você, Tostão pisou na bola ao fazer coro aos que pedem a saída de Neymar?

Agora, pegando o gancho da carta do Marcelo Da Viá, a quem agradeço e mando um forte abraço também, gostaria de dar uma palavrinha sobre Tostão: já disse aqui que foi um craque, um jogador inteligente, dentro e fora do campo. Porém, nunca foi um artilheiro nato e digo e repito que o Brasil seria campeão em 1970 também com Toninho Guerreiro na posição de centroavante. Toninho foi preterido a favor do grosso Dadá Maravilha, o preferido do presidente Garrastazu Médici, em gozo de seus plenos poderes dados pela ditadura militar que assolou o País. Dadá, como se esperava, passou a Copa no banco de reservas. Assim como Roberto, outro centroavante inventado por Zagalo por pertencer ao seu Botafogo. Tostão não teve nenhuma sombra. Mas, como centroavante, repito, Toninho sempre foi muito mais efetivo do que Tostão. O técnico João Saldanha, demitido antes da Copa, disse que não foi ele quem cortou Toninho e que a ordem veio de cima. Então, todos nos lembramos de Tostão na Copa de 70 e por ter liderado o ataque do Cruzeiro no título brasileiro de 1966, ao vencer o Santos na final da Taça Brasil, mas quase todos se esquecem de que este mesmo Cruzeiro jamais ganhou outro título importante e que Tostão, em toda a carreira, marcou a metade de gols de Toninho Guerreiro (292 contra 583). Toninho, que morreu aos 49 anos, fez apenas dois jogos pela Seleção Brasileira e marcou quatro gols, ou seja, tem a espantosa média de dois gols por jogo e mais espantoso ainda é o fato de jamais ter jogado novamente pela Seleção.
Então, a verdade é que mitificamos o ex-craque “que jogava sem bola” Tostão por ter dois neurônios em um meio – jogadores de futebol – no qual muitos não têm nenhum. Porém, mesmo ele, hoje comentarista, pisa feio na bola e não está com essa bola toda. Um conselho de Pelé a Neymar tem muito mais valor. Afinal, o que é a pérola de um tostão diante dos tesouros infindáveis de um Rei?


Hoje, no Cinesesc, às 19 horas, a pré-estreia do filme do Centenário!

Separe sua camisa, e também a da mulher, do filho. Com entrada gratuita, hoje, às 19 horas, no Cinesesc (Rua Augusta, 2.075, São Paulo), acontece o tão esperado lançamento do filme “Santos, 100 anos de Futebol Arte”, filme oficial do centenário do clube, que participa do festival “É Tudo Verdade”, um dos mais respeitados festivais de documentários do mundo. Com direção inspirada e apaixonada da santista Lina Chamie, o filme é uma ode ao futebol arte, à bela rebeldia estética dos eternos Meninos da Vila.

“O filme do Santos é pop, é irreverente. Cada time tem uma personalidade, um jeito, uma aura. O DNA do Santos está no título do filme: ‘futebol arte’. É um futebol moleque, irreverente, que vem das categorias de base, dos Meninos da Vila, é o futebol-invenção. Sempre que o Santos ganha títulos, é a beleza que vence. O Santos sempre se caracterizou por esse tipo de jogo. O filme também tem que ser brincalhão e reproduzir a personalidade no time na tela”, diz Lina Chamie.

Produzido pela Canal Azul, de Ricardo Aidar, o filme começou a ser feito em maio do ano passado. Lembro-me das primeiras reuniões com o Ricardo, quando adotou meu livro “Time dos Sonhos” como ponto de partida para o roteiro e tivemos várias reuniões para definir o fio condutor da obra. A contratação da santista Lina Chamie para dirigi-lo e a escolha dos entrevistados – todos apaixonados pelo Alvinegro Praiano – dá o tom do filme, que é uma demonstração de amor ao time mais carismático do futebol.

Admiradora do “Canal 100”, fundado por Carlos Niemeyer no final dos anos 1950, Lina Chamie usou técnica semelhante para retratar as cenas de jogo, com lentes teleobjetivas e duplicadores para se aproximar ao máximo dos detalhes.

“O Canal 100 é minha principal referência de imagens de futebol, é a mais bonita. Filmamos as finais do Paulista e da Libertadores, inclusive em Montevidéu, com câmeras dentro do gramado. A câmera está muito perto do jogador e o Canal 100 fazia isso de um jeito lindo. Ver um jogo no estádio é uma coisa muito poderosa. A outra perspectiva, além da visão da torcida, é a de perto do gramado, é o embate físico entre os jogadores, uma partida é uma batalha. Buscamos esse olhar também: a beleza da imagem do futebol”, conta ela.

Uma previsão que quase deu certo

Lembro-me que quando me entrevistou para o filme, em uma elegante casa do Pacaembu que tinha o estádio como fundo, Lina Chamie estava entusiasmada com o resultado das filmagens em Montevidéu, palco do primeiro confronto da decisão da Libertadores. Disse que nunca tinha visto festa tão impressionante quando o Peñarol entrou em campo. Na entrevista, lembrei momentos marcantes da história do Santos, suas passagens mais importantes no Pacaembu e previ que o Alvinegro seria campeão sul-americano com uma vitória por 3 a 0. Errei o resultado – se bem que esta seria a vantagem justa para aquele jogo -, mas acertei o campeão e a grande alegria que esperava pelos santistas, dias depois.

Hoje, infelizmente, não poderei ver o filme e sentir a alegria e a energia dos santistas, felizes por verem os méritos do Alvinegro Praiano solenemente reconhecidos. A maior satisfação de coordenar o Centenário é justamente essa: de sentir a alegria e o orgulho nos olhos dos santistas. Mas estou em Ribeirão Preto, trabalhando em um projeto super importante, que é o de revelar novos autores para a vitoriosa Editora Novo Conceito, uma das mais importantes do País.

De qualquer forma, o filme já está pronto. Agora vem a fase das entrevistas, de lamber a cria e é hora de dar lugar aos seus criadores. O essencial é que mais uma obra significativa do Centenário do Santos está concretizada. Parabéns ao Ricardo Aidar, ao André Canto, à Lina Chamie e a todos da Canal Azul que tornaram esse filme possível. Agora a bola está com o santista. Ver esse filme é uma saborosa e emocionante obrigação.

Não viu o trailer? Já viu e quer ver de novo? Taí:

Promete que você verá o filme no cinema, ou no DVD?


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