Comandados pelo locutor de futebol que se acha também repórter, comentarista e, de vez em quando, Deus, o bloco Idiotas da Subjetividade defende que Neymar só será um jogador de verdade se for para a Europa. Não há nenhum argumento plausível que justifique essa tese, a não ser o de esconder o próprio Neymar – hoje o maior ídolo do futebol sul-americano – e diminuir o Santos, time que atrapalha os planos de certa TV que quer espanholizar o futebol brasileiro.

Se jogar na Europa aumentasse a chamada “qualidade” nos jogadores, como se explica que de 1958 a 1970, em 12 anos, o Brasil tenha conquistado três Copas do Mundo, com todos os jogadores em atividade no País (titulares e reservas) e nos 39 anos seguintes, quando começou o êxodo dos craques nacionais para o velho continente, só duas Copas tenham sido conquistadas, e mesmo assim na bacia das almas?

Como explicar que os grandes ídolos dos clubes brasileiros jamais tenham vestido a camisa de um clube europeu? Casos de Pelé, Coutinho, Pepe, Tostão, Ademir da Guia, Dudu, Dirceu Lopes, Reinaldo, Rivellino, Gérson, Garrincha, Nilton Santos, Mauro Ramos de Oliveira, Gylmar dos Santos Neves, Leônidas da Silva, Friedenreich, Ademir de Menezes…

E que outros, mesmo tendo jogado na Europa, tiveram a melhor fase de suas carreiras no Brasil? Casos de Zico, Sócrates, Júnior, Roberto Dinamite, Pita, Careca, Diego, Robinho, Luís Fabiano, Giovanni, Luis Pereira, Marinho Perez, Nilmar…

Sim, alguns brasileiros jogaram melhor na Europa, como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Kaká, Falcão… Mas, além de serem exceções, não mostraram esse progresso quando voltaram a atuar no Brasil. Portanto, o futebol brasileiro não ganhou nada com a saída desses jogadores.

A tese de que enfrentar zagueiros mais duros fará o futebol de Neymar melhorar não tem o menor sentido. Ou melhor: é totalmente subjetiva. E idiota. Pelé não precisou jogar na Europa para saber como lidar com os zagueiros europeus, a quem fez bailar incansavelmente nos Mundiais de 1958 e 1970. Sem contar o Mundial de Clubes de 1962, em que marcou cinco gols contra o campeão europeu Benfica em apenas dois jogos. E sem contar, ainda, a infinidade de jogos contra equipes européias em torneios internacionais.

A próxima Copa será no Brasil, com o ambiente, a torcida, o clima favoráveis a boas exibições da Seleção Brasileira. Que o técnico faça o óbvio e que os jogadores tenham apenas a liberdade de mostrar o verdadeiro futebol brasileiro. O resto será conseqüência.

Você acha que a Europa ajuda a melhorar o futebol do jogador brasileiro?