Um Grande Jogo é oportunidade de celebração. Dois bons times e uma eterna rivalidade entram em campo logo mais, às 16 horas, no clássico mais antigo e de maior história de São Paulo. Pelo jeito, os técnicos escalarão seus melhores jogadores, o que será garantia de um bom espetáculo.

Se este blog fosse do outro alvinegro, escrito por um típico torcedor do outro alvinegro, provavelmente faria alguma provocação hoje, mas isso a gente deixa para eles. Esse comportamento belicoso e pretensioso não combina com o caráter e a cultura do santista.

Se eles se dão ao luxo de fazer uma camisa para continuar lembrando de uma vitória esporádica, em uma competição encomendada (em outras palavras, roubada), que vivam com suas mediocridades. Espero que o Santos nunca gaste um centímetro de tecido para lembrar qualquer uma das muitas vitórias acachapantes sobre o rival, pois estão longe de serem os triunfos mais importantes de sua história.

Porém, sobre o jogo de hoje, não dá para não dizer que se os dois times jogarem o máximo que podem, a vitória tenderá para o Alvinegro Praiano, pois é uma equipe voltada à essência do futebol, que é procurar e marcar gols. O futebol sempre agradece quando o time mais ofensivo ganha.

Cruzeiro do Centenário

Logo mais eu e a Suzana embarcaremos no Cruzeiro do Centenário, que prosseguirá até quarta-feira. Espero que as postagens no blog possam prosseguir normalmente nesse período. Se houver algum imprevisto, já peço de antemão a compreensão de todos. As atrações no elegante transatlântico Grand Mistral serão muitas e lá estaremos no céu, rodeados de escolhidos. Aliás, como aqui…

Histórico dos confrontos entre Santos e Corinthians

Por Wesley Miranda

O clássico mais antigo de São Paulo completará ano que vem 100 anos, e já chegou ao confronto de número 300 na história, com 95 vitórias do Santos FC contra 122 vitórias do Corinthians e 83 empates. O Alvinegro Praiano marcou 470 gols e o alvinegro da capital, 555.
Em Paulistas, são 188 jogos, com 57 vitórias do Santos contra 78 vitórias do time da marginal e 52 empates. O Peixe marcou 295 e sofreu 366 gols.

Santos V, E, D
Brasileiros: 17, 15, 18
Paulistas: 57, 52, 78
Rio-SP: 7, 4, 5
Amistosos 15, 12, 21
e outros

A diferença década a década

Década de 10: 4 (vitórias do Santos), 3 (empates), 2 (derrotas) – Os primórdios são favoráveis
Década de 20: 6, 4, 10.
Década de 30: 7, 4, 19.
Década de 40: 9, 4, 13 – O arquiteto da bola Antoninho Fernandes e o matador Odair equilibram as coisas.
Década de 50: 14, 8, 14 – Começo da era Pelé, confronto ainda equilibrado.
Década de 60: 16, 10, 6 – Time dos sonhos x faz me rir, deu nisso.
Década de 70: 5, 17, 13 – A apatia com a despedida de Pelé e até a geração dos Meninos da Vila não seguraram o time de Sócrates.
Década de 80: 4, 14,15 – Apesar do título, anos difíceis.
Década de 90: 12, 12, 17 – Guga reagiu, G10vanni equilibrou.
Década de 2000: 18, 7, 13 – Robinho, Diego, Neymar, Ganso, apesar das maracutaiasm colocam o Santos na frente.

Artilheiro do confronto
E o artilheiro do confronto é Pelé com 50 gols! Aliás, o Corinthians é a maior vitima do Rei do futebol que disputou 48 jogos vencendo metade deles, empatou 15 e perdeu apenas 9. Marcar 50 gols em um mesmo time é um recorde sul-americano. Pelé marcou 4 gols na mesma partida em 3 oportunidades, no 6 a 1 de 1958, no 7 a 4 em 1964 e no 4 a 4 de 1965.
O vice-artilheiro do confronto é o gênio Coutinho, que afirma nunca ter perdido para o rival, com 13 gols em 16 disputado, média de 0,81 gols por jogo! Em seguida vem José Macia, o Pepe, com 12 gols em 26 jogos, média de 0,46 gols por jogo!

O 1º jogo
Depois da derrota na estreia em Paulistas frente ao Germânia por 8 a 2, o técnico e ZAGUEIRO do Santos Urbano Caldeira decidiu fazer algumas alterações no “team”. A grande alteração foi a substituição do goleiro francês Julien Fauvel para a entrada de Durval Damasceno. Deu certo e no dia 22 de Junho de 1913 o Santos venceu o Corinthians por 6 a 3 com 4 gols dos futuros selecionáveis(a seleção brasileira só começou em 1914) Adolpho Millon Jr(2) Arnaldo Silveira Patusca(2) e completando a goleada, Nilo e o próprio Urbano Caldeira.

Jogo insólito
Nos 100 anos de história o Santos já jogou alguns jogos não oficiais com combinado com Vasco, Flamengo, seleções de Argentina, Chile, Paraguai….mas nenhum jogo foi tão insólito quanto o de 1925! Um combinado Santos/Corinthians!!
Sim, um amistoso no Parque Antártida com um duplo combinado, entre Palestra Itália/Sirio contra Santos/Corinthians….
Vitória do 1º combinado por 3 a 2. É claro que os gols do segundo combinado saíram de jogadores santistas, Camarão e Hugo, e para agravar, o zagueiro do time da capital, Pinheiro, marcou contra o gol que deu números finais no placar, no 2º tempo da prorrogação!! Tinha que ser do Corinthians mesmo!

Forasteiro Campeão
Depois de perder a decisão do Paulista de 1930 para o rival por 5 a 2 na Vila Belmiro, o Santos tinha a enorme chance de se redimir e conquistar o Paulista de 1935 contra o Corinthians no Parque São Jorge(sim, eles tem estádio, ou tinha)
Mesmo com o rival sem chances de título(a disputa era contra o Palestra) o Santos FC e sua torcida temia muito por um costumeiro favorecimento para os times da capital, pratica muito comum, especialmente no período pré profissional(antes de 1933). Para garantir que a marmelada não acontecesse um grupo de estivadores santistas foram juntos com o time, dispostos a tacar fogo no estádio se preciso!
Mas em campo, o Santos se impôs e conquistou a vitória por 2 a 0 com gols de Raul Cabral aos 35′ do primeiro tempo e Araken Patusca aos 17′ do segundo tempo. Pela primeira vez um clube fora da cidade conquistava o Paulistão, graças ao profissionalismo!!

A quebra do jejum
Depois da conquista de 1935, o Santos ficou 20 anos esperando por um novo título. E ele veio com a vitória em cima do Taubaté na Vila por 2 a 1 com gols de Álvaro aos 15′ e Pepe com o gol do desempate aos 20″ do segundo tempo! E a disputa era contra o Corinthians que venceu o rival Palmeiras mas ficou com o vice. Para eles, deu zebra, no ano seguinte eles voltariam a ser campeões e o Santos mais 20 anos de fila. Ledo engano, porque vinha o Bi, e depois começava a……

A era Pelé sob o comando de Luis Alonso
Nenhum time sofreu tanto com o Santos de Pelé no comando de Lula do que o Corinthians. De principal time do estado, passou a lutar com o São Paulo para ser a 3ª força. A única conquista marcante do período foi o apelido que ganhou; Faz me rir!
Da estreia do REI em 1957 até a saída de Lula foram 34 jogos, com 20 vitórias santistas, contra 5 vitórias do Corinthians e 9 empates.
A diferença que refletia nos confrontos, consequentemente refletia nas conquistas! Enquanto o Santos conquistava títulos com enfadonha tranquilidade, o Corinthians colecionava vexames! O mais puro contraste de alvinegros.
Os grandes e únicos triunfos(o rival não chegava)foram o Paulista de 64 quando os times terminaram o 1º turno empatado, mas já quase no fim do 2º turno, o Santos aplicou uma sonora goleada de 7 a 4 com 4 de Pelé e 3 de Coutinho, praticamente garantiu o título e eliminou o rival! O outro “triunfo”, foi um empate na decisão do Rio-SP 66, sem Pelé, com Coutinho e Mengálvio expulsos o Santos empatou contra o Corinthians de Garrincha no Pacaembu em 0 a 0 e impediu o título do rival. E eles perderam um pênalti! Sem datas para continuar a disputa foram declarados campeões, Santos, Corinthians, Botafogo e Vasco, todos empatados com 11 pontos!

A era Pelé sob o comando de Antoninho
O auxiliar de Lula assumiu o Santos em 1967, com uma enorme responsabilidade: Renovar um elenco vencedor! Jogadores como Zito, Coutinho, Pepe, Mauro Ramos, Gylmar tinham que ser substituído por nomes equivalentes. E com isso o rival passou a equilibrar um pouco mais nos confrontos:
Sob o comando de Antoninho Fernandes foram 21 jogos com 8 vitórias do Santos, 6 vitórias do Corinthians e 7 empates.
Mas uma dessas derrotas foi para o técnico Lula, então técnico do rival. E foi depois de 11 anos sem vitórias em campeonatos Paulistas!
Apesar do equilíbrio, o Santos seguiu contrastando com o rival no quesito títulos. Inclusive foi com a ajuda do rival que o Santos conquistou o Paulista de 1967. O Corinthians de Lula e São Paulo se enfrentaram na última rodada, e uma vitória dava o título ao tricolor depois de 10 anos de jejum. O jogo seguiu 1 a 0 para o São Paulo até os 44 do segundo tempo, quando Benê empatou e provocou uma partida extra de desempate entre Santos e São Paulo. O Peixe venceu por 2 a 1 e se sagrou campeão!
O grande triunfo santista em cima do time que nunca chegava foi o Paulistão 69. Depois de terminar a 1ª fase em 1º lugar, o Corinthians enfrentou o Santos no 1º jogo do Quadrangular que tinha os 4 grandes de São Paulo. Confiante, Paulo Borges chegou a declarar que o grande time a enfrentar era o Palmeiras de Ademir,e se esqueceu do Santos de Pelé, resultado: Santos 3×1 Corinthians. com 1 de Edu e 2 de Pelé!

A era Pelé sob os comandos de Mauro Ramos e Pepe
Era o fim de uma era do Santos, era o fim de uma era do futebol brasileiro! A diretoria santista promoveu ex-jogadores e ídolos como técnicos: o zagueiraço Mauro Ramos e o eterno Pepe. Sob o comando dos dois, frente ao Corinthians foram 2 vitórias, 4 derrotas e 4 empates. Desvantagem nos confrontos, mas vantagem em títulos, já que o Peixe ainda conquistou o título Paulista de 73!

Feios, Sujos e Malvados
Os Meninos da Vila de Chico Formiga formavam um time excepcional, dono de um futebol total, discoteca, irreverente… Mas ficaram um tempo sem vencer o alvinegro da capital, o que só aconteceu no final de 1983, por 2 a 0 com gols de Pita, que jogou muito, e Vagner, contra.
Mas foi mesmo com um grupo experiente que o Santos conseguiu seu maior triunfo. Comandado por um conciliador (Castilho) que contava com uma muralha atrás (Rodolfo Rodrigues), um cão de guarda no meio (Dema), um matador no ataque (Serginho Chulapa), sem falar de Paulo Isidoro, Humberto, Zé Sergio, Lino, Toninho Vieira, Marcio Rossini… Um simples empate, e a taça desceria a serra. Mas, para variar, a imprensa marrom passou a semana inteira falando no tricampeonato deles. Quando a bola rolou, quase 112 mil pessoas viram um jogo truncado, sendo decidido pelos dois principais nomes do time: a muralha funcionou como sempre,e o matador apareceu aos 27 minutos do 2º tempo para marcar o gol do título! E o Santos acabava com o jejum de 6 anos sem títulos paulistas, de novo contra o adversário!
Vale a pena rever o gol do santista Chulapa e os últimos minutos daquela decisão.

O matador de Gambás
Nas épocas de vacas magras, o torcedor tinha poucos motivos para comemorar, e um deles era o matador Guga! Exímio cabeceador, sempre bem colocado, ganhou o coração da torcida por fazer muitos gols, em especial contra o rival da marginal. Em apenas 11 jogos, foram 8 gols, média de 0,7 gols por jogo contra o Corinthians e uma das maiores da história do Santos.
E em dois jogos foram 6 gols. O primeiro em 25/10/1992, a vitória de virada por 3 a 1 com 3 gols de Guga. Quebrou um jejum de 4 anos sem vitória em cima do rival, e o seu terceiro gol foi inesquecível!

O outro jogo foi em 1994, e também de virada, o Santos bateu o Corinthians por 4 a 3, com 3 gols de Guga e um de do volante Dinho! Outro destaque da partida foi o goleiro Edinho, que fez no mínimo três defesas incríveis!

A geração Diego e Robinho
Na maior final entre os dois clubes, deu Santos! Com requintes de genialidade de um adolescente ainda em formação, mas com precoce talento, uma histórica tradição de Vila Belmiro. Aliada com uma exibição de gala de seu número 1, o Santos ganhou as duas partidas da final do Brasileiro de 2002 e quebrou de novo seu jejum de título em cima do rival.

Foram 5 vitórias santistas em 2002, o que torna o Santos FC o maior algoz do Corinthians em uma só temporada. Em 1977 a Ponte Preta também ganhou 5 jogos, mas perdeu justamente os 2 decisivos.
O santista não pode reclamar de 2002. Rio-SP – 1×0 gol de Willian -Amistoso 3 a 1 – André Luís, William e Renato e os três jogos no Brasileiro – 4×2 Alberto(2) Elano(2) – 1ª Final – 2×0 Alberto e Renato 2ª Final 3 a 2 – Robinho, Elano e Léo!
De quebra, Robinho, em 8 jogos, venceu 7 e empatou 1. Ficou invicto! Isso sem falar no jogo anulado de 2005!

Os meninos cresceram
O Corinthians vinha em ascensão depois de disputar a 2ª divisão em 2008, e jogando contra o Santos dos inexperientes Ganso e Neymar conquistou o Paulista de 2009 ganhando na Vila por 3 a 1 e empatando em 1 a 1 no Pacaembu.

Dois anos e muitos jogos depois, os time se enfrentaram na final do Paulista de 2011. Neymar já não era mais nenhum menino que iria se inibir como aconteceu quando Christian acertou um tapa desleal em sua cabeça. E poucos dias antes de conquistar o Tri da Libertadores, mesmo com Ganso se contundindo no 1º jogo da final, 0 a 0 no Pacaembu, o Santos se sagrou bicampeão paulista ao derrotar o rival por 2 a 1 na Vila Belmiro.

Confira no vídeo, os gols de Arouca e Neymar. Ao final, um tributo a todos os times do Peixe que conquistaram o Paulista!

CURIOSIDADES

Troca de Alvinegros
Apesar da rivalidade não foram poucos os jogadores que trocaram de alvinegro ao longo da história! Vamos citar alguns:

Santos – Corinthians
Tuffy Neugen (Satanás Negro), Cláudio Cristóvão Pinho (maior artilheiro da história do rival) o ponta Tite, Edu, João Paulo (Papinha da Vila), Serginho Chulapa, Mauricio Assolini, Jamelli, Alessandro Cambalhota, Gustavo Nery, Deivid, Paulo Almeida, Alberto, Robert, Fábio Costa e os laterais direitos Pedro, Dennis e Alessandro.

Corinthians – Santos
Gylmar dos Santos Neves, Almir Pernanbuquinho, Amaral, Ataliba, Sócrates, Hugo de Leon, Wladimir, Viola, goleiro Nei, Rincón, Edmundo, Marcelinho Carioca (o Pelé deles), Ricardinho, Fábio Baiano, Betão, lateral Kléber, Fabinho, Luizão, Doni,

Sem falar no caso de jogadores que atuaram pelos 4 grandes como Neto, Luizão, Muller, Cesár Sampaio, e Antonio Carlos.

Na era profissional: Santos 19×18 Corinthians
Muito se fala que o Corinthians é o maior campeão paulista de todos os tempos, com 26 títulos, mas pouco se comenta um fato importante.
Depois que foi instituído o profissionalismo no futebol brasileiro (1933), o rival, que já tinha 8 títulos, conquistou mais 18, enquanto o Santos conquistou19 paulistas no mesmo período, um a mais que o Palmeiras (18) e um a menos que o São Paulo (20).

Homônimo Corinthians
Segundo Evaldo Rodrigues o Santos já enfrentou quatro Corinthians em sua história além do tradicional rival: o de Presidente Prudente, o de Santo André, o de Salto e um Corinthians gaúcho contra o qual jogou em 1948.

E você, o que espera do jogão de hoje na Vila Belmiro?