Separe sua camisa, e também a da mulher, do filho. Com entrada gratuita, hoje, às 19 horas, no Cinesesc (Rua Augusta, 2.075, São Paulo), acontece o tão esperado lançamento do filme “Santos, 100 anos de Futebol Arte”, filme oficial do centenário do clube, que participa do festival “É Tudo Verdade”, um dos mais respeitados festivais de documentários do mundo. Com direção inspirada e apaixonada da santista Lina Chamie, o filme é uma ode ao futebol arte, à bela rebeldia estética dos eternos Meninos da Vila.

“O filme do Santos é pop, é irreverente. Cada time tem uma personalidade, um jeito, uma aura. O DNA do Santos está no título do filme: ‘futebol arte’. É um futebol moleque, irreverente, que vem das categorias de base, dos Meninos da Vila, é o futebol-invenção. Sempre que o Santos ganha títulos, é a beleza que vence. O Santos sempre se caracterizou por esse tipo de jogo. O filme também tem que ser brincalhão e reproduzir a personalidade no time na tela”, diz Lina Chamie.

Produzido pela Canal Azul, de Ricardo Aidar, o filme começou a ser feito em maio do ano passado. Lembro-me das primeiras reuniões com o Ricardo, quando adotou meu livro “Time dos Sonhos” como ponto de partida para o roteiro e tivemos várias reuniões para definir o fio condutor da obra. A contratação da santista Lina Chamie para dirigi-lo e a escolha dos entrevistados – todos apaixonados pelo Alvinegro Praiano – dá o tom do filme, que é uma demonstração de amor ao time mais carismático do futebol.

Admiradora do “Canal 100”, fundado por Carlos Niemeyer no final dos anos 1950, Lina Chamie usou técnica semelhante para retratar as cenas de jogo, com lentes teleobjetivas e duplicadores para se aproximar ao máximo dos detalhes.

“O Canal 100 é minha principal referência de imagens de futebol, é a mais bonita. Filmamos as finais do Paulista e da Libertadores, inclusive em Montevidéu, com câmeras dentro do gramado. A câmera está muito perto do jogador e o Canal 100 fazia isso de um jeito lindo. Ver um jogo no estádio é uma coisa muito poderosa. A outra perspectiva, além da visão da torcida, é a de perto do gramado, é o embate físico entre os jogadores, uma partida é uma batalha. Buscamos esse olhar também: a beleza da imagem do futebol”, conta ela.

Uma previsão que quase deu certo

Lembro-me que quando me entrevistou para o filme, em uma elegante casa do Pacaembu que tinha o estádio como fundo, Lina Chamie estava entusiasmada com o resultado das filmagens em Montevidéu, palco do primeiro confronto da decisão da Libertadores. Disse que nunca tinha visto festa tão impressionante quando o Peñarol entrou em campo. Na entrevista, lembrei momentos marcantes da história do Santos, suas passagens mais importantes no Pacaembu e previ que o Alvinegro seria campeão sul-americano com uma vitória por 3 a 0. Errei o resultado – se bem que esta seria a vantagem justa para aquele jogo -, mas acertei o campeão e a grande alegria que esperava pelos santistas, dias depois.

Hoje, infelizmente, não poderei ver o filme e sentir a alegria e a energia dos santistas, felizes por verem os méritos do Alvinegro Praiano solenemente reconhecidos. A maior satisfação de coordenar o Centenário é justamente essa: de sentir a alegria e o orgulho nos olhos dos santistas. Mas estou em Ribeirão Preto, trabalhando em um projeto super importante, que é o de revelar novos autores para a vitoriosa Editora Novo Conceito, uma das mais importantes do País.

De qualquer forma, o filme já está pronto. Agora vem a fase das entrevistas, de lamber a cria e é hora de dar lugar aos seus criadores. O essencial é que mais uma obra significativa do Centenário do Santos está concretizada. Parabéns ao Ricardo Aidar, ao André Canto, à Lina Chamie e a todos da Canal Azul que tornaram esse filme possível. Agora a bola está com o santista. Ver esse filme é uma saborosa e emocionante obrigação.

Não viu o trailer? Já viu e quer ver de novo? Taí:

Promete que você verá o filme no cinema, ou no DVD?