Nos últimos 15 minutos da partida o São Paulo mal tocou na bola. Mesmo jogando em seu estádio, com 90% das 32 mil pessoas presentes no Morumbi torcendo por ele, o tricolor, com um a menos, se encolhia à espera do final do jogo ou de algum contra-ataque esporádico dos pés de Lucas.

O Santos tocava de pé em pé e o grito da minoria santista dominava o estádio. Parecia até constrangedor para os são-paulinos, mudos em sua própria casa. Para os que não conhecem bem o Santos, não havia chance de perder o jogo. Mas, para mim, que já vi várias derrotas assim, era preciso ter cuidado. Leão já tinha substituido mal, tirado o artilheiro Luís Fabiano, mas o São Paulo ainda tinha Lucas.

E não é que a defesa do Santos deixou Lucas livre?! O único jogador que poderia mudar a sorte do jogo ficou livre e iniciou a jogada que ele mesmo concluiu, em impedimento, dando a vitória ao seu time.

Além do terceiro gol, irregular, o São Paulo contou com a equivocada interpretação do árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza no seu segundo gol. Há árbitro que não só não marcaria a penalidade, como daria cartão amarelo a Luís Fabiano, pois ele não foi tocado e saltou sobre o goleiro Rafael. O ex-árbitro Oscar Roberto Godoy, comentarista da Rádio Transamérica, não marcaria o pênalti.

Prejuízos da arbitragem à parte, a verdade é que o São Paulo encarou o jogo como uma final de Copa do Mundo, enquanto o Santos, que tem a Copa Libertadores como prioridade, parecia mais preocupado em não ter nenhum titular machucado. A impressão que eu tive é que se o Santos se empenhasse no jogo com a mesma intensidade, sairia do Morumbi com uma boa vitória, pois tem mais time do que o adversário.

Repito: quando o jogo estava 2 a 2, no Morumbi ecoava apenas a torcida do Santos e o time girava a bola à espera da chance de fazer o gol da vitória, Neymar começava a desequilibrar e só mesmo uma grande falha da defesa santista poderia impedir a arrancada de Lucas – e ela aconteceu!

Sofrer um gol de um time que está com um jogador a menos, pode acontecer. Mas permitir que esse adversário desempate duas vezes em uma situação de inferioridade numérica já é um pouco demais. E o que irrita mais o torcedor santista é que o time sempre passa por situações assim, de perder jogos quando tem mais jogadores em campo. Mudam os técnicos e o fenômeno volta a se repetir…

Jogo em dois tempos

Na primeira etapa, sem muita vontade, o Santos só deu um chute a gol, por meio de Borges. Todos as outros foram do São Paulo, que poderia ter feito mais do que o gol que marcou em chute de Casemiro.

Na segunda etapa, porém, o Santos foi melhor e teve o controle do jogo. Sofreu dois gols em contra-ataque e novamente com um jogador a mais – parece uma sina – permitiu que o adversário vencesse.

Uma pena, pois dava para sair do Morumbi com uma boa vitória. Porém, o que interessa mesmo é o confronto de quinta-feira, contra o Juan Aurich, pela importante Copa Libertadores.

E você, o que achou de São Paulo 3, Santos 2?